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Valorização
profissional ajuda a atrair e reter talentos
02-03-2012
Nos próximos anos, a petroquímica Braskem
vai precisar de mais 2,5 mil profissionais para tocar
seus projetos de expansão dentro e fora do Brasil.
Isso representa um aumento de 33% no quadro de 7,5 mil
colaboradores atuais.
A tarefa de atrair os melhores quadros não está
sendo fácil já há alguns anos -
para a Braskem e para o mercado como um todo. A atual
oferta de profissionais é menor que as necessidades
das empresas, e por isso elas investem cada vez mais
na valorização do profissional como forma
de atração de talentos.
“A opção de carreira delas estará
mais vinculada aos valores que as organizações
têm. Nosso compromisso é desenvolver gente
e também fazer parte do processo de criação
de profissionais no Brasil”, disse Marcelo Arantes
de Carvalho, vice-presidente de Pessoas & Organização
da Braskem.
“O Brasil vai crescer mais do que a capacidade
de formação de pessoas. Hoje, não
são as pessoas que perdem emprego, e sim o emprego
é que perde as pessoas”, argumentou. Além
da Braskem, Suzano Papel e Celulose e HP estiveram representadas
no comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-São
Paulo nesta quarta-feira (29/02) e falaram sobre as
estratégias para atração e retenção
de pessoal.
Formação
Embora o investimento em formação de
pessoal seja um processo demorado, as empresas participantes
concordaram que esse é o caminho que trará
melhores resultados em longo prazo.
“Temos que desenvolver gente e consolidar o crescimento
da organização com a atração
de quadros capacitados. Do contrário, acabamos
‘roubando’ pessoal de outras empresas e
provocando uma espiral inflacionária no mercado
de trabalho”, destaca Carvalho, da Braskem.
Para atrair o público jovem, a Braskem realizou
um trabalho junto a 21 universidades brasileiras que
formavam alunos com o perfil profissional desejado.
Um diálogo com os coordenadores de cursos foi
iniciado para apoiar a formação dos estudantes,
e o resultado é que 24 mil jovens se inscreveram
no programa de estágio da companhia.
“Procuramos criar reputação externa
para que a Braskem fosse uma das principais escolhas
dos jovens. E tivemos um índice de retenção
de trainees de 91%, o que é um bom dado”,
ressaltou.
Além do público jovem universitário,
a Braskem também se prepara para receber mais
colaboradores de nível técnico e médio.
Para isso, a empresa está formando parcerias
com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial) e escolas de ensino médio para apoiar
formação das profissionais na área
industrial.
“Setenta e cinco por cento do nosso desafio de
criar gente referem-se a mão de obra técnica”,
enumera. O executivo também disse que um operador
leva de oito a 12 anos para aprender a operar em um
polo petroquímico.
Capacitar a liderança é outra das prioridades
da petroquímica, pois 77% dos profissionais que
exercem cargos-chave não possuem substitutos
imediatos. “Temos que atrair líderes jovens
e maduros, senão o crescimento da organização
será comprometido”, disse.
De olho na comunidade local
Com metas ambiciosas de crescimento, a Suzano Papel
e Celulose decidiu formar e empregar a mão de
obra das localidades onde pretende se expandir. Para
sustentar a quadruplicação do seu tamanho
até 2024, ano do centenário de fundação,
a Suzano vai diversificar sua atuação
e entrar no mercado de energia renovável. Por
meio do aproveitamento da madeira que não é
utilizada na produção de papel e celulose,
a Suzano quer gerar energia térmica com pouca
emissão de carbono.
A Suzano também pretende abrir uma fábrica
de papel e celulose no Maranhão. “Vamos
contratar oito mil pessoas nesse ciclo de crescimento”,
disse Carlos Alberto Griner, diretor de RH da Suzano
Papel e Celulose.
As autoridades consultadas pela Suzano expuseram o
desejo de que os trabalhadores locais fossem empregados
nos projetos. Para atender ao pedido, a Suzano formou
um consórcio para a capacitação
de operários com governos municipal e estadual,
instituições de ensino, sindicatos patronais
e de trabalhadores e empresas de construção
civil ligadas ao projeto.
O projeto se chama Capacitar e vai formar 5,6 mil operários
na região de Imperatriz (MA) até o final
do ano, que se somarão aos profissionais contratados
na região para trabalhar nas novas fábricas
da Suzano. “Hoje, 80% do pessoal da obra são
locais”, assinala Griner.
O sucesso da iniciativa inspirou a Suzano a idealizar
um programa de capacitação de operários
nível técnico em convênio com instituições
locais de ensino. “Estamos conseguindo montar
uma infraestrutura de formação técnica
onde não havia essa tradição”,
afirma.
Retenção por meio de líderes
A valorização da mão de obra nas
regiões onde atua é uma estratégia
da Suzano para capacitação de pessoal.
A empresa, por outro lado, atribui o trabalho de retenção
de profissionais às lideranças. “Manter
os profissionais não é uma função
de RH. É o líder que faz um sistema de
pessoas funcionar”, justifica.
A empresa busca o equilíbrio entre o cumprimento
de metas e o respeito aos funcionários. Como
resultado, dois terços das posições
gerenciais são ocupados por funcionários
de carreira, e o restante vêm de fora. “Mesmo
quadruplicando de tamanho, temos conseguido promover
gente interna”, argumenta Griner.
Aproveitamento interno
A empresa de tecnologia HP atua em um setor dinâmico,
onde a rotatividade de pessoal é grande em comparação
com outros setores. O alto nível de substituição
de gente estava diminuindo a produtividade da empresa
devido à perda de conhecimento com a saída
dos profissionais e com a necessidade de constante treinamento
e aculturação dos substitutos.
Para diminuir o turnover, a HP passou a priorizar funcionários
no preenchimento de vagas e incutir uma cultura de aproveitamento
interno. “Há cinco anos, 70% de nossos
executivos vinham do mercado, o que nos levava a um
turnover médio de 21%. Invertemos o processo
e passamos a apostar em pessoas que já estavam
conosco há algum tempo”, disse Antonio
Salvador, diretor de RH da HP. Com isso, em 2012, a
rotatividade já deu sinais de melhora, caindo
para 14%.
O elevado índice de turnover é uma característica
do setor devido ao surgimento constante de novas tecnologias,
segundo Salvador. “Há alguns anos Mark
Zuckerberg (fundador da rede de relacionamentos Facebook)
estava em Harvard tomando cerveja, e hoje tem uma empresa
de US$ 100 bilhões”, exemplifica.
Porém, é possível mitigar esse
movimento por meio da valorização interna.
“Começamos a oferecer de forma mais estruturada
mais possibilidades de carreiras. Um colaborador nosso
pode atuar na área de software, depois ir para
serviços. Se ele quiser experiência internacional,
também há essa possibilidade. Estamos
ajudando as pessoas a viabilizar seus sonhos”,
observa. (Amcham)
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