|
Partidos são decisivos
na concessão de benefícios fiscais
03-05-2012
Até o final do governo de Fernando Henrique Cardoso
(1995-2002), o Poder Legislativo brasileiro tinha uma
participação tímida na elaboração
da política de benefícios tributários.
A situação mudou após a entrada
do governo Lula (2003-2010). Um estudo da Faculdade
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)
da USP mostra que o Legislativo Federal tornou-se protagonista
desse processo, contribuindo significativamente com
o conteúdo das leis aprovadas.
A maior parte das leis que concedem benefícios
fiscais foi iniciada pela Presidência da República
por intermédio da edição de medidas
provisórias (MPs). As MPs asseguram ao Executivo
domínio sobre a agenda legislativa. No entanto,
durante o governo Lula, os parlamentares garantiram
sua participação na formulação
da política ao incrementar o conteúdo
dos projetos originais durante a apreciação
das medidas. “A edição de medidas
provisórias funcionou como uma janela de oportunidade
para a implementação dos interesses do
Legislativo”, diz o cientista político
Davi Cordeiro Moreira, autor de uma pesquisa de mestrado
orientada pelo professor Paolo Ricci.
No governo Lula, o Legislativo incluiu uma agenda própria
de incentivos fiscais nas MPs encaminhadas. Contudo,
foram poucos os representantes que tiveram possibilidade
efetiva de contribuir com o conteúdo da política.
Segundo o autor do estudo, os interesses partidários
prevalecem no favorecimento de setores e atividades
econômicas. “O processo decisório
é centralizado, sendo raros os casos de sucesso
de emendas individuais”, diz Moreira.
Logo, se há algum tipo de conexão eleitoral
ou de quid pro quo – troca de favores –
entre representantes políticos e grupos de interesse
no Brasil, o pesquisador aponta que ela deve ser pensada
em termos partidários, e não estritamente
pessoais.
Interesses
Desde a redemocratização brasileira,
a política de benefícios tributários
é cada vez mais utilizada pelo governo federal
como mecanismo de incentivo a setores e atividades econômicas
do País. O recorte da pesquisa tratou de três
tributos: a Contribuição para o Programa
de Integração Social (PIS), a Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e
a Contribuição Sobre o Lucro Líquido
(CSLL).
Os três tributos analisados na pesquisa estão
diretamente ligados ao Orçamento da Seguridade
Social, que a Constituição de 1988 criou
para financiar o bem-estar da população
brasileira. Sua arrecadação passou de
3,2% do PIB em 1990, com R$15 bilhões, para 6,1%
em 2009, com R$193,9 bilhões.
Por sua vez, de 1995 a 2010, a estimativa de renúncia
de receitas – em que o governo deixa de arrecadar
o tributo – referente aos benefícios de
PIS, COFINS e CSLL cresceu de R$ 386 milhões
para R$ 49 bilhões.
Em sua pesquisa, Moreira não teve por objetivo
comprovar ou refutar a existência de vínculos
entre autoridades representativas e grupos de interesse.
“Trata-se de uma relação que compõe
a natureza de regimes democráticos modernos”,
diz. A meta foi verificar ao longo dos governos de FHC
e Lula se a concessão de benefícios tributários
era individualmente formulada e se, portanto, havia
espaço para inferir que a formulação
desta política pública estava baseada
na relação direta entre parlamentares
e grupos de interesse. (Agência USP de Notícias)
Mais informações: email davi.moreira@gmail.com
, com Davi Cordeiro Moreira
Links úteis aos usuários
Clique
aqui e compare preços de produtos e serviços
de informática
Clique
aqui e compare preços de centenas de produtos
Matérias relacionadas
- Maioria
dos jovens sofre violência psicológica
no trabalho
- Jovem
tem mais dificuldade em encontrar emprego
- Saiba
administrar o estresse no ambiente de trabalho
- Técnica
do Hardiness protege contra estresse no trabalho
- Agora,
o patrão quer que o pessoal durma no ponto
- Leia
também outras matérias da seção
Carreiras & Gestão:
- Estudo
aponta principais motivos para o fechamento de empresas
- Balanços
das empresas confirmam processo de desindustrialização
- Manual
ensina pequena empresa a explorar comércio eletrônico
- Maioria
das empresas apoia mudanças no reconhecimento
de receita
- Sem
promoção, executivo com até 30
anos quer trocar de emprego
- Carência
de empregados pode evidenciar problemas no RH
- Valorização
profissional ajuda a atrair e reter talentos
- Estudo
detalha estilo de liderança da mulher empreendedora
- O
que a mulher deve fazer para alcançar altos cargos
executivos
- Otimizar
tempo garante crescimento profissional aos colaboradores
- Capacidade
de superar dificuldades é essencial na carreira
- Que
tipo de motivação oferecer para reter
talentos
- Crise
mundial altera perfil do diretor financeiro
- Alto
endividamento pode comprometer toda a carreira do jovem
- Hastes
flexíveis podem prejudicar saúde dos ouvidos
- O
verdadeiro líder é o maestro de sua equipe
- Saiba
como a alteridade pode ser trabalhada na empresa
- Líder
precisa exercitar a capacidade de audição
- Falta
estrutura para contratar e receber deficientes
- Perder
o emprego pesa, mas deve ser visto como uma oportunidade
- Uso
errado da web pode afetar a comunicação
corporativa
- Veja
10 piores razões para ser um chefe medíocre
- Educação
financeira é um dos segredos do Casal 100%
Clique
Aqui e Veja Mais Carreiras & Gestão
Leia
Todas as Últimas Notícias
|