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Paulistanos pagaram menos
para fazer compra do mês, segundo FecomercioSP
05-04-2012
Os preços no varejo paulistano registraram queda
pela primeira vez nos últimos seis meses. Segundo
o Índice de Preços no Varejo (IPV) da
Federação do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo do Estado de São Paulo
(FecomercioSP) houve redução de 0,51%
em fevereiro frente a janeiro. Dos 21 grupos que compõem
a pesquisa, oito registraram variações
negativas no mês.
Os preços médios praticados no grupo Supermercados
registraram queda de 1,8% em fevereiro, com acumulado
negativo de 0,77% em 2012. As quedas mais acentuadas
foram em Pescados (-2,89%), Ovos (-3,25%), Tubérculos
(-4,41%), Carnes Suínas (-6,47%), Aves (-6,70%),
Carnes Bovinas (-7,79%) e Legumes (-9,85%). Dos 29 itens
que integram a cesta de Supermercados, 22 acusaram queda
no mês. Essa queda é justificada por um
realinhamento de preços por ocasião do
estabelecimento de condições de safra
que foram pressionados por problemas climáticos
no ano passado. Ainda assim, há produtos que
registraram aumento em seus preços, por conta
de problemas climáticos pontuais nas regiões
produtoras. É o caso do Feijão que encerrou
fevereiro com alta de 11,65%.
O segmento de Açougues registrou queda de 2,44%
nos preços. As quedas foram acentuadas em carnes
suínas (-3,01%), carnes bovinas (-2,44%) e aves
(-2,27%). Além de menor demanda por carnes nesta
época do ano por conta da quaresma (segundo informações
do sindicato do setor), o segmento ainda conta com melhores
condições de pastagens o que garante um
custo menos pressionado para os produtores. De acordo
com as informações do setor, o abate de
fêmeas tem provocado um aumento de oferta no mercado,
corroborando com o recuo nos preços. Também
não se pode descartar que o grupo ingressou em
um processo de realinhamento de preços, já
que no último trimestre de 2011 suas cotações
se elevaram.
O grupo de Combustíveis e Lubrificantes registrou
sua segunda queda consecutiva, e finalizou fevereiro
com retração de 0,90%. O comportamento
é atribuído ao estímulo à
formação de estoques para garantir o suprimento
de etanol durante o período da entressafra. Lubrificantes
e Óleos acusaram incremento de 1,06%, enquanto
Combustíveis declinaram 0,97%. Há indícios,
entretanto, de que a safra de cana de açúcar
sofra prejuízos com estiagem que afeta o desenvolvimento
das plantas. As estimativas indicam que a colheita poderá
ser mais tardia que nos anos anteriores. Se houver perdas
significativas, os preços podem subir.
O setor de Automóveis que sempre recebe atenção
especial do governo em decorrência de sua representatividade
e impacto na economia registrou queda de 0,65% nos preços
em fevereiro. As variações mais relevantes
foram em Veículos Novos (-0,93%), Veículos
Usados (-0,37%) e Motocicletas Novas (-0,40%). Apenas
os preços médios de Motocicletas Usadas
obtiveram alta de 0,84%. Segundo a Assessoria Técnica
da FecomercioSP, fevereiro é um mês tradicionalmente
fraco e há liquidação de estoque
para renovação de modelos.
Outros setores que finalizaram fevereiro com queda em
seus preços médios foram: Eletrônicos
e outros (-0,61%), Vestuário, Tecidos e Calçados
(-0,47%) e Autopeças e Acessórios (-0,29%).
Na contramão do arrefecimento do IPV, o setor
de Móveis e Decoração registrou
alta de 0,80% nos preços em fevereiro. Mobiliário
elevou-se em 0,73% e decoração, 1,16%.
O aquecimento da demanda fez com que haja uma pressão
nos preços destes artigos, já que de acordo
com a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista
da Região Metropolitana de São Paulo (PCCV),
pesquisa realizada também pela FecomercioSP,
o segmento teve alta de 8% em seu faturamento real no
comparativo com janeiro de 2011.
O recente anúncio da redução do
IPI para produtos de decoração deve contribuir
com um processo de contenção nos preços,
tendo em vista o aquecimento da demanda. De acordo com
informações divulgadas pelo Governo Federal,
a alíquota para móveis passa de 5% para
zero; móveis laminados PET, de 15% para zero;
papel de parede, de 20% para 10% e luminárias
e lustres, de 15% para 5%.
O setor composto por Feiras, com queda de 1,97%, também
enfrenta alta em seus produtos, especialmente Verduras
(11,21%), sendo 13,18% a alta notada em alface - e Frutas
(2,43%), com destaque para o aumento de 16,98% no preço
médio do mamão. O restante dos itens que
compõe o segmento já sinaliza recuo, passadas
as pressões mais severas causadas por problemas
climáticos. É o que se nota em: Legumes
(-3,95%), Flores (-2,55%), Aves (-1,95%), Ovos (-1,66%)
e Tubérculos (-0,76%).
Os artigos de Eletrodomésticos acusaram alta
de 0,21% em fevereiro. Somente os Produtos da Linha
Branca recuaram 0,53%, enquanto Eletroportáteis
registraram alta de 1,63% e Utilidades Domésticas
elevaram-se em 0,82%. Dado o bom desempenho das vendas
no varejo, é bastante provável que os
preços tendam a se manter em patamares ligeiramente
elevados por conta de um realinhamento de preços,
tendo em vista o recuo de 2,62% obtidos no acumulado
de 2011. A prorrogação da redução
do IPI incidente sobre a linha branca até junho
também deve manter os preços destes produtos
em patamares comedidos.
Padarias fecharam fevereiro com elevação
de 0,46%, acumulando 0,75% em 2012. Os principais destaques
são notados em Panificados (0,70%), Bebidas (0,51%)
e Frios e Laticínios (0,49%). Segundo a Assessoria
Técnica da FecomercioSP, embora os derivados
do trigo venham de uma trajetória de 28 variações
positivas consecutivas (desde julho de 2009 não
registram queda em suas cotações médias),
é importante considerar que os preços
do trigo têm oscilado menos já que os níveis
de estoque tanto no mercado interno quanto no mercado
externo encontram-se em patamares adequados, até
mesmo em período de entressafra. Certamente os
custos com mão de obra, aluguel, tarifas etc.
tem exercido uma pressão de alta na formação
de preços do segmento e acabam impulsionando
todos os demais preços para cima.
As atividades de Materiais de Construção
(0,20%), Jornais e Revistas (0,11%), Drogarias e Perfumarias
(0,72%), Óticas (0,26%) e Relojoarias (0,30%)
finalizaram fevereiro com preços médios
mais elevados e amenizaram a queda do indicador.
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