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Maioria dos jovens sofre
Violência psicológica no trabalho
05-04-2012
Por Mariana Melo - mariana.melo@usp.br
Em uma pesquisa realizada entre 2009 e 2010 na Faculdade
de Saúde Pública (FSP) da USP, a psicóloga
Samantha Lemos Turte avaliou experiências de assédio
moral relatadas por adolescentes trabalhadores e concluiu
que eles não só estão expostos
a situações constrangedoras, como também
não sabem lidar com elas. O estudo foi orientado
pela professora Frida Marina Fischer, do Departamento
de Saúde Ambiental da FSP.
O incentivo ao início da vida profissional já
na adolescência é uma prática propagada,
inclusive, com implementação de leis,
como a Lei nº 10.097, de 19 de dezembro de 2000,
que estabelece, entre outras coisas, que empresas tenham
em seu corpo de funcionários um mínimo
de 5% de menores aprendizes. Para Samantha, o interesse
em promover a saúde no trabalho é primordial,
uma vez que neste local, adultos e jovens dispensam
considerável parte do seu dia. Diante disso,
a pesquisadora levantou a necessidade de avaliar se
trabalhadores jovens saberiam reconhecer violência
psicológica no seu cotidiano corporativo.
Dentre 40 adolescentes entrevistados para a pesquisa,
a maioria com idade inferior à 18 anos, foram
reconhecidas situações que podem ser compreendidas
como violência psicológica.
Ainda que alguns tivessem sido respeitados, outros
reclamaram de humilhações e imposições
sofridas. Entre alguns abusos detectados, estavam desde
constrangimentos provocados por outros funcionários
da empresa até a realização de
funções para as quais não foram
contratados.
Para Samantha, o mais preocupante é a banalização
das condições ruins de trabalho às
quais tanto adultos quanto crianças estão
submetidos. É comum ouvir que trabalhar é
ruim, as coisas não são fáceis,
etc e, com isso, perde-se a noção de que
a promoção da saúde mental deve
ser estendida ao ambiente profissional. “Naturalizamos
problemas do trabalho e irradiamos na nossa vida pessoal”
diz a pesquisadora.
A pesquisadora também contou que os adolescentes
não sabiam reconhecer, sem uma explicação
prévia, se haviam sido vítimas de violência
psicológica. Quando eram informados da definição
do termo, faziam um paralelo desta com o bullying, prática
de agressão comum entre crianças na idade
escolar.
Segundo o estudo, os jovens que sabiam o que era assédio
moral e o reconheciam, tinham mais segurança
em defender-se da prática e reclamar por seus
direitos. Para a psicóloga, discutir na escola
questões relativas aos limites das relações
interpessoais no trabalho, à saúde e às
formas de violência evitaria que os jovens sofressem
estes abusos, e lhes daria argumentos para se proteger.
Com esses conceitos bem definidos, “nos tornaríamos
protagonistas na promoção da saúde”
diz Samantha.
Entrevistas
Inicialmente, a psicóloga procurou uma Organização
Não Governamental (ONG) especializada em preparar
e encaminhar jovens residentes da Zona Sul de São
Paulo entre 15 e 20 anos para o mercado, inclusive com
promoção de cursos. Esses cursos abrangem
conceitos técnicos de áreas administrativas,
inglês, linguagem, matemática, informática
e noções de direitos como cidadão
e deveres com a sociedade.
Há três tipos de jovens vinculados à
associação: aqueles que não estão
no mercado de trabalho e, portanto, frequentam diariamente
as aulas preparatórias; aqueles que trabalham
como jovens aprendizes, possuem vínculo empregatício
com a empresa correspondente, ou seja, tem carteira
de trabalho assinada, e frequentam uma vez por semana
as aulas da ONG; e aqueles que estão contratados
como estagiários nas empresas, com contratos
sem vínculo empregatício, e frequentam
as aulas uma vez por mês.
Assim que participam das atividades reservadas ao primeiro
grupo, os jovens são encaminhados para empresas
parceiras da ONG, cadastradas para implementar essa
mão de obra.
Os jovens selecionados para a pesquisa eram provenientes
do segundo e terceiro grupo e que já estavam
empregados no mínimo seis meses. Foram realizadas
entrevistas, tanto individuais quanto em grupo, além
de um questionário, para detectar se estes jovens
sofriam assédio moral ou outro tipo de violência
psicológica no trabalho, e, mais importante,
se sabiam reconhecer tal ato.
A intenção era determinar se os jovens
que frequentavam as aulas na ONG uma vez por semana
saberiam reconhecer e lidar com assédio moral
de forma mais efetiva do que os que frequentavam a ONG
apenas uma vez por mês. Por haver menores de idade
no grupo estudado, termos de consentimento foram assinados
pelos pais dos participantes. (Agência USP de
Notícias)
Mais informações: email samturte@usp.br,
com Samantha Lemos Turte
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