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Empresas estão
mudando o cenário de contratação
06-06-2012
Uma pesquisa divulgada pela Cebrasse/Ipema, realizada
junto a prestadores de serviços de todo o país,
aponta que para 92,5% dos empresários entrevistados
a principal preocupação é a escassez
de mão de obra qualificada em todas as atividades.
Vendedores com experiência e profissionais de
atendimento, principalmente na área de comércio,
restaurantes, supermercados e panificadoras, são
as vagas mais difíceis de serem preenchidas.
Sendo a falta de mão de obra qualificada uma
situação visível e preocupante,
as empresas estão apostando em mudanças
e flexibilizando a forma de contratação
para atrair e reter o quadro de funcionários.
Isso é comprovado pela opinião do especialista
Emílio Morschel, diretor da Nossa Gestão
de Pessoas e Serviços. Segundo ele, os candidatos
estão mais exigentes e as empresas estão
aprendendo a lidar com a situação. “São
criadas alternativas e formas diferentes para atrair
e reter pessoas, porque o mercado mudou”, diz.
De acordo com Morschel, as empresas estão buscando
profissionais que não são fáceis
de serem encontrados, o que requer investimentos em
diferenciais que antes não existiam. “Algumas
corporações estão abrindo mão
de experiências anteriores e oferecem o treinamento
e qualificação, desde que o profissional
tenha interesse e disposição para aprender;
outras estão revendo as exigências e requisitos
para contratação, abrindo mão de
uma escolaridade maior, por exemplo”.
Para ele, as empresas estão se tornando mais
criativas e flexíveis para conciliar as suas
necessidades com as exigências dos candidatos.
Na avaliação do especialista, no último
ano as organizações investiram em Centros
de Treinamento para ensinar, formar e reter esses profissionais
que, na maioria das vezes, possuem nível escolar
básico. É um retorno ao modelo empresarial
de duas décadas atrás, quando não
existia o conceito “autodesenvolvimento”,
em que cada profissional é responsável
pela sua formação e qualificação.
“Nos últimos tempos têm sido abertas
novas posições para profissionais sem
experiência, fazendo com que essa qualificação
aconteça no âmbito da empresa. Isso também
é um atrativo, visto que criar um espaço
estruturado para o desenvolvimento profissional também
é um diferencial”, comenta Morschel.
A rede de restaurantes Madero é um exemplo de
que é preciso se adaptar para garantir a retenção
dos funcionários. A prioridade é pela
vinda de pessoas do interior do estado do Paraná
para contratação, sendo esta uma opção
do chef e proprietário da rede, Junior Durski,
que considera esses profssionais mais comprometidos.
Todos que chegam à Curitiba para trabalhar na
rede recebem o treinamento direcionado à função
que vão exercer, moram em apartamentos ou casas
alugadas pelo Madero próximos ao restaurante
onde vai trabalhar e também recebem alimentação
fornecida pelo estabelecimento.
“O treinamento é todo dado pela nossa
própria equipe de professores e supervisores
da Qualidade. Possuímos um manual interno de
funções com a descrição
de tudo: desde os pratos servidos até a conduta
que deve ser exercida. Além disso, temos uma
equipe de Controle de Qualidade que supervisiona tudo
em todos os restaurantes, desde a comida até
o atendimento final ao cliente”, explica Durski.
De acordo com ele, o investimento nos colaboradores
é compensador. Segundo o último levantamento,
apenas 30% dos que chegaram desistiram durante o período
de treinamento e a maioria permanece da rede por um
longo período.
“Continuamos oferecendo moradia, alimentação
e planos de saúde e odontológico enquanto
o funcionário estiver conosco, independente do
tempo. Posso garantir que pagamos acima da média.
Temos funcionários que estão conosco há
11 anos”, conta.
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