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Estudo mostra o que leva
empresa a fazer IPO
09-03-2012
Por Bruno Capelas - bruno.capelas@usp.br
A oferta pública inicial de ações
(também conhecido como IPO, na sigla em inglês)
é um processo utilizado pelas empresas para captar
recursos para a expansão de suas atividades,
ter um referencial de seu valor, profissionalizar a
gestão da companhia ou mesmo como uma alternativa
para a sucessão, no caso de uma empresa familiar.
Na Faculdade de Economia, Administração
e Contabilidade (FEA) da USP um estudo pesquisou as
companhias brasileiras que abriram seu capital na Bolsa
de Valores entre os anos de 2004 e 2010, período
marcado pelo maior número de IPOs da história
recente do País.
“Os resultados indicam que as empresas que abriram
o capital foram aquelas que vinham investindo significativamente
no seu crescimento e/ou aquelas que vinham aumentando
o seu endividamento e encontraram na abertura de capital
uma alternativa para adequar a sua estrutura de capital
(diminuir a relação de dívida versus
capital próprio)”, conta o administrador
Bruno Cals de Oliveira, responsável pelo estudo
de mestrado Fatores determinantes para abertura de capital
de empresas brasileiras, orientado pelo professor Roy
Martelanc.
A pesquisa de Cals mostrou que as empresas encontraram
na abertura de capital uma boa opção para
continuar investindo e crescendo. “Além
disso, as empresas que iniciaram a negociação
de suas ações apresentaram maior nível
de rentabilidade, aproveitando uma janela de oportunidade
do mercado para fazer seu IPO”, conta ele. Cerca
de 130 companhias brasileiras abriram seu capital entre
2004 e 2011 — 64 delas o fizeram durante o ano
de 2007, estabelecendo um recorde.
Conjuntura econômica
Cals conta que o contexto financeiro da época
também ajudou nesse processo: “Se os setores
da economia não estão crescendo, as empresas
não precisariam de recursos para expandir. Se
elas não precisam de recursos, do ponto de vista
financeiro, não seria necessário o IPO”.
Ele ainda acrescenta que a taxa de juros é um
fator muito importante para a confiança dos investidores,
propensos a comprarem ações de organizações
em IPO. “Quando a taxa de juros está alta,
os investidores preferem ter uma renda fixa de 20% ao
ano a buscar uma rentabilidade maior, mas com um risco
maior. À medida que as taxas de juros vão
caindo (atualmente está em torno de 10,50% ao
ano), os investidores podem optar por correr um maior
risco em vistas a maior rentabilidade”, diz ele.
O pesquisador ainda explica que o aumento no número
de aberturas de capital também foi facilitado
graças à criação de regras
mais rígidas para a entrada de empresas na Bolsa
de Valores, em dezembro de 2000. “Foram criadas
regras além daquelas exigidas pela legislação
vigente (Lei das Sociedades Anônimas – Lei
6.404/76) que aumentavam a transparência das empresas
e, consequentemente, a confiança que o investidor,
principalmente internacional, poderia ter ao aplicar
seu dinheiro em ações no Brasil”.
Sudeste
De acordo com o estudo, as empresas localizadas na
região Sudeste são as mais propensas à
abertura de capital, devido a um possível fator
cultural. “A concentração econômica
nesta região faz com que empresários de
outras regiões possam ter uma resistência
a abertura de capital, seja pela distância do
grande polo financeiro, seja pela menor convivência
no ambiente do mercado de capitais”, explica o
administrador.
Outro dado interessante é que o tamanho das
empresas não foi significante para que as empresas
da amostra estudada abrissem capital ou não.
“O Brasil tem vivenciado IPOs de empresas ainda
pequenas, pré-operacionais, e também o
fato de ainda existirem inúmeras empresas grandes
que optaram por não iniciar negociação
de suas ações em bolsa de valores”,
diz Cals.
Método e limite
Por intermédio de dados fornecidos pela Fundação
Instituto de Pesquisa Contábeis, Atuariais e
Financeira (Fipecafi), entidade ligada à FEA,
Cals analisou os dados pela regressão logística
com dados agrupados e a regressão logística
com dados em painel. Esse tipo de análise permite
calcular quais variáveis impactam positivamente
ou negativamente outras variáveis.
“Avaliamos o impacto de diversas variáveis
[tamanho, nível de investimento, estrutura de
capital, localização geográfica,
entre outras] na probabilidade de abertura de capital
de empresas brasileiras”, explica o pesquisador
“Essa é uma pesquisa que foi limitada ao
período compreendido entre os anos de 2004 e
2010. Ela não serve como previsão do que
pode acontecer, uma vez que a realidade futura das empresas
pode mudar de acordo com os avanços e as mudanças
da economia brasileira.” (Agência USP de
Notícias)
Mais informações: e-mail brunocalsadm@usp.br
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