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Benefício do governo
para idosos reduz trabalho infantil
09-05-2012
Por Thiago Minami, especial para a Agência
USP
Oferecido pelo governo federal a idosos e portadores
de deficiência, o Benefício de Prestação
Continuada (BPC) levou à redução
do trabalho infantil nas famílias inscritas entre
2001 e 2008, como mostra uma pesquisa do programa de
Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. A participação
no mercado de trabalho para idosos beneficiados também
foi menor, como já esperado.
A análise foi feita com dados da Pesquisa Nacional
Por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2001 a 2008.
Segundo o economista Pedro Rodrigues de Oliveira, responsável
pelo estudo ainda em andamento, por enquanto não
é possível dimensionar exatamente a mudança
em números. Já se sabe, no entanto, que
o efeito maior se deu entre crianças que vivem
na zona rural, sobretudo as meninas.
O BPC, garantido pela lei, oferece um salário
mínimo (R$ 622,00) a deficientes que não
podem trabalhar e a idosos com 65 anos que não
recebem nenhum amparo da previdência social. Para
receber, é necessário provar ser incapaz
de garantir o próprio sustento, no caso dos deficientes,
e viver em residências com renda per capita abaixo
de 25% do salário mínimo.
Em outros países, estudos mostraram que benefícios
para idosos podem deixá-los mais independentes.
No Brasil, no entanto, notou-se que a curto prazo os
efeitos são distintos – os recursos do
idoso são utilizados para o bem-estar de toda
a família. No caso do BPC, para um determinado
período, mulheres vivendo com beneficiários
homens foram as que experimentaram as maiores mudanças.
Isso mostra que os efeitos podem variar de acordo com
as características dos lares.
“Mas esses efeitos foram observados para os primeiros
anos do recebimento do benefício. Se observássemos
um período mais longo, é possível
que os resultados fossem diferentes”, diz Oliveira.
Ele destaca que outras variáveis além
do BPC podem ter influenciado a vida do grupo analisado.
O economista aponta que não houve grande alteração
na frequência escolar nos lares avaliados. Segundo
ele, não havia grandes expectativas quanto a
esse número, pois a taxa de crianças que
vão à escola no Brasil já é
alta.
BPC e Bolsa-Família
“É diferente do programa Bolsa-Família,
por exemplo, que é um programa de transferência
de renda, não um benefício. Portanto,
não tem metas a serem cumpridas”, explica
Oliveira, que foi orientado pela professora Ana Lucia
Kassouf na pesquisa de doutorado. Entender os efeitos
sobre a população inscrita, no entanto,
pode servir de instrumento para o governo aprimorar
a distribuição do BPC. “É
possível que, nos próximos anos, critérios
como idade e renda mínima para inclusão
no programa sejam alterados para abranger um número
maior de pessoas”, afirma Oliveira.
Na amostra analisada, o Bolsa-Família pagava
menos de R$ 150,00 a cada beneficiário. Em 2006,
18.226 lares eram contemplados pelo programa dentro
da amostra pesquisa. Já o BPC oferecia R$350,00,
quantia 2,3 vezes mais alta, e chegava a 2.911 lares
no mesmo grupo. Pode chegar a dobrar a renda da família,
portanto tende a ser mais eficiente em reduzir a pobreza
entre os mais necessitados.
O BPC é um benefício da Política
de Assistência Social, que integra a Proteção
Social Básica no âmbito do Sistema Único
de Assistência Social (SUAS), do Ministério
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
Segundo dados do governo de março deste ano,
atualmente são 3,6 milhões de beneficiários
do BPC em todo o Brasil – 1,9 milhões são
pessoas com deficiência e 1,7 milhões são
idosos. (Agência USP de Notícias)
Mais informações: email oliveirapr@usp.br
, com Pedro Rodrigues de Olveira
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