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Dicas para a gestão
de mudanças em fusões e aquisições
10-02-2012
O mercado de fusões e aquisições
no Brasil deve continuar aquecido. Segundo pesquisa
da KPMG, no ano de 2011 foi registrado recorde de operações
que envolveram empresas brasileiras direta ou indiretamente.
No período foram concluídas 817 operações,
enquanto que em 2010 elas somaram 726, isto é,
91 transações a menos.
Operações como essas implicam em mudanças
profundas de ambos os lados, que demandam uma preparação
intensa para minimizar problemas e maximizar resultados.
É o que explica Simone Costa, diretora geral
da Dextera, consultoria especializada em gestão
da mudança organizacional.
“Processos de integração de empresas
correm o risco de serem traumáticos se os gestores
envolvidos não focarem os esforços nas
pessoas que serão impactadas. Além disso,
é comum a pressuposição de que
os colaboradores devem aderir à mudança
apenas por dever de obediência. No entanto, uma
transição suave para a mudança
exige um trabalho de adoção”.
Simone aponta também que, segundo pesquisa da
consultoria britânica Changefirst, com a qual
a Dextera tem aliança para toda a América
Latina, para cada R$ 1 investido em gestão da
mudança, as empresas têm um retorno de
R$ 6,50.
“A aplicação de princípios
da gestão da mudança organizacional não
apenas evita prejuízos e contribui para um melhor
clima nas empresas, como dá um retorno efetivo
nos negócios”, ressalta. Ainda nesta pesquisa,
a Changefirst demonstra o percentual investido em gestão
da mudança com relação ao total
do orçamento do projeto (veja quadro abaixo).
Percentual de investimento em gestão
de mudanças versus percentual de empresas pesquisadas

Pesquisa da Changefirst The ROI for Change Management
(2010)
A diretora geral da Dextera dá dez dicas de
gestão de mudanças para empresas que planejam
processos de fusão e aquisição:
1 – Entenda a cultura organizacional: tão
importante quanto investigar riscos fiscais, trabalhistas,
previdenciários, entre outros, que podem gerar
um passivo tangível à empresa compradora
(foco de uma due diligence), é investir no entendimento
da cultura organizacional, políticas de gestão
de pessoas, identificação dos principais
stakeholders e capacidade de mudança das pessoas
da empresa alvo de compra. Diferenças culturais
muito gritantes, entre outros aspectos intangíveis,
podem dificultar o processo (demandando mais tempo e
investimentos) ou mesmo inviabilizar uma aquisição
ou fusão.
2 – Forme um comitê de gestão da
mudança: estruture um comitê da mudança
para estar à frente do plano de gestão
da mudança, tendo nesse grupo pessoas de respaldo
na organização que possam compreender
os reais impactos. Assim, no momento do anúncio
oficial da mudança, esse comitê possa ser
apresentado para dar segurança às pessoas
e servir como uma fonte de informações.
3 – Reserve orçamento para gestão
da mudança: de nada adianta planejar tudo, se
a empresa não reservou um orçamento adequado
para a realização das ações.
Em outras palavras, ao estudar uma operação
de fusão e aquisição, as empresas
devem incluir em seus orçamentos os custos para
ações de gestão da mudança.
Se não há clareza sobre o valor necessário,
utilize referências de mercado como citado acima
(pesquisa Changefirst).
4 – Aja com respeito em todas as relações:
a empresa compradora deve demonstrar respeito à
cultura da empresa comprada. Esse respeito deve estar
presente desde o fechamento do negócio e, principalmente,
na postura dos gestores e colaboradores da empresa compradora.
Entender a posição fragilizada dos colaboradores
da empresa comprada e ter humildade para reconhecer
onde eles são melhores, tornam o relacionamento
pós-aquisição mais harmônico
e produtivo. Cuidado redobrado ao tratar de empresas
declaradas como concorrentes.
5 – Construa o discurso sobre a mudança:
para uma transição efetiva, é fundamental
deixar claro para os públicos impactados o porquê
da mudança, quais benefícios ela pode
lhes trazer e até os riscos da demora ou não
adoção. Para isso, não basta um
e-mail ou um comunicado geral – é imprescindível
que haja envolvimento pessoal das lideranças
nesse processo. Cada líder deve ter preparado
o seu “discurso de elevador” (a essência
da mudança) e incorporá-lo para ser apresentado
em três minutos, se necessário.
6 – Conheça os impactos organizacionais:
são muitas as ações de gestão
de mudanças que podem ser conduzidas, mas não
há como deixar de fora a “análise
de impactos organizacionais”. Conhecer profundamente
os impactos que a mudança traz, analisados por
diferentes dimensões, representa ter nas mãos
um poderoso instrumento para entender possíveis
resistências e necessidades diferenciadas de atuação
nesse complexo processo de mudança.
7 – Comunique de forma clara e contínua:
a comunicação é um poderoso instrumento,
principalmente em se tratando de processos de mudança,
e, por isso, deve ser conduzida de forma cuidadosa,
a partir de uma estratégia bem desenhada, considerando
os diferentes públicos e o grau de impacto. Não
se deve utilizar apenas a comunicação
escrita como forma de difusão das informações,
mas estimular a comunicação face a face,
manter canais abertos para manifestações
e feedbacks, e adotar formas de mensuração
da eficácia da comunicação. Obter
o retorno do público faz toda a diferença
e pode municiar fortemente a equipe de gestão
de mudanças.
8 – Lembre-se que a assimilação
da mudança requer tempo: a liderança responsável
por conduzir as mudanças deve compreender que
as pessoas reagem de forma diferente. Há um comportamento
diante da mudança que percorre uma trajetória,
partindo do estágio da negação
para se chegar à adoção, mas cada
um necessita de um tempo diferente. Não há
como esperar uma reação e/ou resultado
equivalente em grupos com características distintas
ou submetidos a situações diferentes.
9 – Cuide para não perder as pessoas-chave:
é comum assistirmos nas empresas em processos
de fusão a saída de profissionais brilhantes,
fundamentais ao negócio, simplesmente por falta
de informação sobre o seu futuro na nova
organização. A gestão de mudança,
em conjunto à gestão de pessoas, deve
priorizar um plano de ação para retenção
dos profissionais. Deve-se informar no tempo certo o
que está por vir e o que está planejado
a esses profissionais. Certamente a concorrência
estará de olho nos melhores perfis num momento
frágil como esse.
10 – Estabeleça marcos de mudança
valorizando o legado: é comum haver o desaparecimento
ou descontinuação de produtos, áreas
de negócios, marcas e, em muitos casos, do nome
da empresa comprada. Uma relação de apego
a esse nome pode ser natural, inclusive envolvendo questões
de identidade, quando pessoas usam como sobrenome o
nome da empresa. Uma sugestão é promover
ritos de passagem, proporcionando momentos especiais
(eventos) para marcar de forma honrosa a transição
ou descontinuidade, ressaltando o quão importante
foi para a história da organização
e apresentando as razões que levaram a isso.
Segundo a especialista, a gestão da mudança
organizacional não tem uma receita padrão,
que possa ser aplicada com sucesso em qualquer caso.
Os objetivos das operações são
distintos, assim como as empresas envolvidas, os mercados
e as culturas corporativas. "É preciso analisar
caso a caso, entender o contexto e desenvolver um planejamento
customizado. No entanto, é recomendado fazer
uso de metodologia formal, capaz de instrumentalizar
e sistematizar as ações", diz.
Não negligenciar a preparação
da organização para a mudança,
diante de um investimento do porte dos negócios
ligados às fusões e aquisições,
certamente levará a empresa à obtenção
dos resultados esperados em prazos compatíveis,
aleta ela. "Vale ressaltar que o processo de adoção
da mudança nestes casos costuma ser longo. Por
isso, é importante manter as ações
de gestão da mudança com atenção
às reações do público interno,
promovendo ações de melhoria e sustentação".
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