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Fusões
e aquisições em mineração
vão crescer em 2012, aponta Ernst & Young
10-04-2012
Uma demanda robusta, balanços financeiros fortes
e um apetite por crescimento serão os responsáveis
por um aumento do número de fusões e aquisições
no setor global de mineração e metais
em 2012, segundo avaliação do líder
global de Transações em Mineração
e Metais da Ernst & Young, Lee Downham.
Para ele, o relatório anual Recognizing value
in volatility, elaborado pela multinacional de auditoria
e consultoria, demonstra que as empresas do setor estão
aprendendo a viver com a incerteza e posicionados para
aproveitar as oportunidades.
“A incerteza e a volatilidade global provavelmente
continuarão durante o ano de 2012, mas as companhias
de mineração e metais têm um apetite
para crescer e estão cada vez mais relutantes
em paralisar seus planos de crescimento. Por isso, é
provável que voltem a fazer negócios em
2012”, afirma. “Aquelas que conseguem trabalhar
com volatilidade serão as grandes negociadoras
em 2012, e poderão encontrar verdadeiras oportunidades
de compras.”
O relatório da Ernst & Young mostra que
o total do valor de negócios globais em 2011
cresceu 43%, chegando a US$ 162,4 bilhões (comparado
aos US$ 113,7 bilhões verificados em 2010), com
transações de US$ 1 bilhão ou mais
respondendo por dois terços do total do negociado,
impulsionados principalmente pela estratégia
de consolidação doméstica diante
de sinergias identificadas.
Mas se o valor das negociações cresceu,
o número de negócios em 2011 caiu 10%,
para 1.008 (comparado a 1.123 negócios realizados
em 2010), com reduzida disponibilidade de capital diminuindo
a capacidade de negócios por parte de menores
players.
Em relação ao valor de negócios,
as operações de fusões e aquisições
em 2011 foram dominadas pelos países com o mercado
de mineração desenvolvidos, especialmente
EUA, Canadá e Austrália, com a consolidação
de carvão e ouro como commodities principais.
Em 2012, é provável que aconteçam
movimentos de consolidação doméstica.
No entanto, Lee Downham afirma que os números
escondem a tendência de retorno dos países
emergentes e de países que fazem fronteira com
as regiões de mineração bem desenvolvida,
principalmente partes da África, América
do Sul e Ásia, por meio de acordos offtake ou
participações minoritárias em empresas
listadas nas bolsas do Canadá e da Austrália
com ativos nestas regiões.
“Esperamos que o número de negócios
nos países vizinhos e nos emergentes que possuem
recursos de alta qualidade e regras de investimento
estrangeiro amigáveis evoluam neste ano junto
com o aumento do apetite ao risco”, diz. “Esta
mudança deve acontecer principalmente devido
à disponibilidade cada vez menor de depósitos
minerais de qualidade a preços razoáveis
em países com mercado de mineração
já desenvolvido.”
Financiamento
O turbulento mercado de capitais e a disponibilidade
limitada de endividamento bancário aos mutuários
que não possuem grau de investimento forçou
as companhias de mineração e metais a
buscar fontes alternativas de financiamento em 2011,
uma tendência que deve continuar em 2012. Empréstimos
bancários no ano totalizaram US$ 187 bilhões,
dos quais cerca de metade foram refinanciados.
As maiores mineradoras e as companhias intermediárias
agarraram-se ao mercado de títulos corporativos
no ano passado, com um recorde de US$ 84 bilhões
emitidos, 16% acima do verificado em 2010.
Em 2010, os títulos corporativos emitidos pelas
companhias de mineração e metais foram
dominados por diversas captações de grande
porte por parte das grandes empresas, retraindo a dívida
bancária e estendendo o prazo da dívida.
Mas em 2011, foram emitidos mais títulos para
montantes relativamente pequenos pelas companhias intermediárias,
destacando que estes títulos tornaram-se a principal
fonte de financiamento para o setor.
“O foco do capital levantado em 2011 não
foi o refinanciamento agressivo, mas o refinanciamento
inteligente. As companhias estão entrando em
2012 com classificação de risco de crédito
fortalecido e capacidade para acelerar o ritmo de crescimento
futuro”, afirma Lee Downham.
O líder global de Transações em
Mineração e Metais da Ernst & Young
explica que as “companhias de mineração
e metais continuarão explorando o mercado de
títulos corporativos em 2012 e também
esperamos ver um incremento adicional no uso de fontes
alternativas de financiamento como fundos soberanos,
riqueza privada e parcerias estratégicas para
acordos de longo prazo”.
“Existe uma crescente preparação
para fazer negócios, mas é improvável
que os grandes negócios sejam inteiramente financiados
por dívida bancária de curto prazo. As
mineradoras podem voltar a fazer negócios, mas
isso não significa que os bancos se voltarão
às mega operações de fusões
e aquisições em 2012.”
Lee Downham explica que as companhias de mineração
e metais estão, cada vez mais, procurando múltiplas
opções de financiamento. Quando estão
avaliando os valores, os gestores procuram capturar
o valor de fluxo de caixa de longo prazo e aplicar risco
em uma base muito mais sofisticada. “As empresas
mais preparadas estarão em uma melhor posição
para maximizar as oportunidades de crescimento em 2012”,
diz.
Comprar
O líder global da Ernst & Young afirma que
os mercados de ações continuam muito sensíveis
a notícias macroeconômicas e, para muitas
empresas, os valores de mercado não parecem corresponder
“ao patamar que deveriam estar”.
“No geral, os preços das commodities cresceram
em 2011 em relação a 2010, gerando uma
melhoria nos resultados e posições de
caixa. Muitas empresas estão encarando como um
desafio, porém favorável, de como usar
seus capitais – o dilema de comprar, construir
ou retornar está de volta a muitas mesas de reunião.”
IPOs
Sem surpresa, o número global de IPOs caiu em
2011 com a volatilidade e incerteza puxando os mercados
acionários globais para baixo. No total, aconteceram
145 listagens em 2011, 18% abaixo das 177 em 2010. O
total de recursos levantados com aberturas de capital
chegou a US$ 17,4 bilhões, contudo, o valor cai
para US$ 7,4 bilhões (59% abaixo do valor em
2010) quando excluídos os US$ 10 bilhões
do IPO da Glencore.
“Houve um grande número de IPOs de pequeno
porte na Austrália e Canadá, e isso deve
continuar em 2012. As pequenas empresas estão
frequentemente preparadas para comprometer mais em precificação
para conseguir a listagem, e usar isso como uma plataforma
para adicionar capital, elevando o retorno.”
Além das listagens de pequeno porte, Lee Downham
afirma que o número recorde de IPOs foi adiado
em 2011 e existe uma robusta lista de companhias prontas
para ir a mercado quando houver um período sustentável
de confiança e estabilidade nos mercados de capitais.
“Se o mercado estabilizar, isso pode acontecer
no segundo semestre de 2012”, conclui.
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