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25% dos clientes secretos
de 32 países não receberam sorrisos
11-04-2012
O atendimento ao consumidor em países da Europa,
América do Norte, América do Sul, Ásia
e África é objeto de uma pesquisa conduzida
pela empresa sueca Better Business World Wide, que se
baseia em mais de 1,6 milhão de avaliações
de “clientes secretos” de 32 países
que atuam em grandes provedores de mystery shopping.
A oitava edição da pesquisa mostrou que
25% dos clientes não receberam nem mesmo um sorriso
ao entrar em lojas de diferentes segmentos. No resultado
geral, a média de consumidores que receberam
sorrisos foi 10% menor em relação aos
resultados verificados no período da avaliação
anterior, feita em 2004-2007, indicando piora no atendimento
ao cliente. A pesquisa revela, portanto que há
muito espaço para melhoria.
Ao longo de 2011, 75% dos “clientes secretos”
foram recebidos com sorrisos; 79% foram cumprimentados;
e 45% receberam sugestões adicionais do vendedor
no momento da compra. No Brasil, a Better Business World
Wide contou com a parceria da Shopper Experience, empresa
de avaliação do atendimento ao consumidor.
A análise mostra que Áustria e Paraguai,
ambos com 96%, são os campeões em sorrisos
no atendimento, seguidos de perto por Islândia
e Ucrânia com 93% cada. O resultado é um
contraponto ao Paquistão, país com o índice
mais baixo – 37%. Entre os continentes, a Ásia
teve a pontuação mais baixa (57%); a mais
alta é a América do Norte com 80%. Segmentos
de saúde e beleza são os mais bem avaliados
(89%), seguidos por hotelaria (85%).
A indústria de transporte obteve o pior desempenho
entre os analisados – 51% de sorrisos. Segundo
Stella Kochen Susskind, presidente da Shopper Experience,
os países da Europa se destacaram na edição
2012 por terem assumido uma postura mais solidária
diante da crise econômica; do outro lado, a Primavera
Árabe justifica o péssimo desempenho do
Paquistão – não há muito
espaço para sorrisos.
“Os investimentos em treinamento, realizados
pela indústria da beleza na última década,
resultam hoje no aprimoramento do atendimento ao cliente.
Quanto à participação da América
Latina, sobretudo do Brasil, vemos que houve aumento
significativo no desempenho brasileiro e que a indústria
de mystery shopping ainda vai crescer muito no país”,
analisa a executiva.
Criado nos Estados Unidos na década de 1920
pelo segmento financeiro, o conceito de pesquisa com
cliente secreto (mystery shopping) tem encontrado terreno
fértil para a expansão na América
Latina. Hoje, embora sejam as empresas dos Estados Unidos
as responsáveis por ditar tendências, é
o Brasil que está na vanguarda da indústria.
Com 850 empresas, a indústria norte-americana
de mystery shopping faturou US$ 830 milhões em
2010; as 550 empresas europeias faturaram US$ 397 milhões.
Enquanto na Europa o crescimento anual é de cerca
de 5%, no Brasil o segmento registra crescimento anual
de 17%. Com cerca de 50 empresas, a América Latina
faturou, em 2010, US$ 58 milhões.
Cumprimentos
Na avaliação de cumprimentos ao cliente
que entra nas lojas, a média mundial tem se mantido,
desde 2007, em torno de 80% – 7% inferior ao desempenho
no período de 2004-2006. Os países que
se destacaram nesse quesito, ao longo de 2011, foram
Chile e Colômbia, ambos com 99%; seguidos de Paraguai
(96%), Hungria (95%) e Argentina (94%). O Paquistão
foi o país com pior índice (41%); o continente
com pior desempenho foi a Ásia com 67%.
A América do Sul é o continente com o
melhor índice de cumprimentos, atingindo a marca
de 87%. Na análise da indústria, o campeão
é o segmento de hotelaria (94%), seguido por
Governo (92%). No transporte, o cumprimento esteve presente
em apenas 69% dos atendimentos.
A pesquisa avaliou, também, as chamadas “vendas
casadas” – aquelas que são resultado
da iniciativa do vendedor de oferecer um produto complementar
ao que o consumidor está adquirindo. Historicamente,
esse item da pesquisa é o que obtêm os
índices mais baixos.
Em 2011, em 45% dos atendimentos foram feitas as “vendas
casadas” – considerado um dos índices
mais baixos desde 2004; apenas um ponto percentual acima
de 2010, quando a análise obteve 44%. Países
como a Letônia e Colômbia estão na
contramão do mal resultado, com 90% e 74%, respectivamente,
de “vendas casadas”.
O índice mais baixo é o do Chipre (15%),
seguido por Grécia (22%) e Suécia (23%).
O continente com maior pontuação é
a Ásia (50%); o mais baixo foi o da América
do Sul com 28%. A indústria automobilística
teve a maior pontuação na análise
dos segmentos (64%); seguida de varejo e transporte
– entre 43% e 44% –; e lazer com 38%. Saúde
e beleza obtiveram a pontuação mais baixa
em “vendas casadas”: 36%.
De acordo com Stella Kochen Susskind está comprovado
que muitas vendas são perdidas dentro do próprio
negócio. “As companhias investem nas equipes,
em visual merchandising, projetos arquitetônicos,
marketing, publicidade, pontos comerciais, estudos de
site location e potencial de mercado. Muitas vezes,
esse investimento é desperdiçado por um
atendimento equivocado; muitos empresários não
têm a exata dimensão de quantas vendas
estão perdendo com essa postura”, avalia
Stella.
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