Estudo mostra como a crise impacta as famílias

17-01-2012

A crise econômica mundial tem demandado uma nova organização social, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. Em tempos economicamente turbulentos, o conceito de família nuclear tem sido substituído pela multigeracional; a família é vista como fonte de confiança e resistência em tempos de recessão. Nos Estados Unidos, os membros da geração baby boomers (nascidos entre 1946 e 1954) perderam 49% da renda pessoal com a crise e passaram a reformular gastos como consumo de energia e moradia.

Nesse contexto, um número significativo de idosos está voltando a viver sob o mesmo teto de filhos e netos – tendência nomeada Boomers Boomerang. Na prática, a família multigeracional, similar à da década de 1950, tem melhores condições para atender os novos desafios econômicos e socioambientais; além de auxiliar na educação de crianças e jovens.

Esses são alguns insights da pesquisa The Future Family, destaque do LS:N Global (LifeStyle News Network) – portal internacional da The Future Laboratory. No Brasil, o portal é parceiro da Voltage, agência produtora de insights aplicáveis ao negócio. Segundo Paulo Al-Assal, diretor-geral da Voltage e especialista em tendências, em um cenário em que a expectativa de vida cresce e a renda cai, surge a Beanpole Family: um núcleo familiar longo porém estreito, com três ou até quatro gerações vivendo na mesma casa.

No Reino Unido, a chamada Full House Family vai crescer 32% em 2031, situação similar em países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, 62% dos mais de 6 milhões de lares multigeracionais surgiram em razão do retorno de jovens que voltaram a morar com os pais; desses, 50% do fator motivador foi o econômico.

“No Brasil, em contrapartida, vivemos o aumento do número de pessoas que moram sozinhas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Censo 2010 mostra que o número de pessoas que moram sozinhas aumentou de 8,6% para 12,1% em uma década”, avalia Al-Assal.

O especialista acrescenta que há pesquisas que indicam que em 2020 haverá mais pessoas morando sozinhas no Reino Unido do que casais. Ao mesmo tempo em que o número de famílias multigeracionais aumenta, é maior também, na Europa e nos Estados Unidos, o número de pessoas que moram sozinhas nas grandes cidades, o que se traduz em uma enorme pressão sobre o espaço urbano.

O fenômeno social exige a construção espaços habitacionais menores e sustentáveis. Em plena era da austeridade, a família do futuro precisa de um espaço multifuncional, que acomode um novo estilo de vida. Pesquisas indicam, por exemplo, que 32% dos norte-americanos estão dispostos a comprar casas menores e 57% querem viver em centros urbanos, ou seja, estão interessados em trocar os subúrbios para reduzir as jornadas de carro no trajeto casa-trabalho.

Família conectada

A pesquisa Future Family mostra que até 2013 haverá 1,2 bilhão de dispositivos eletrônicos de consumo conectados em mais de 800 milhões de lares com conexões banda larga no mundo. Mais pessoas também vão se conectar à internet a partir de dispositivos móveis. Ou seja, as famílias e as casas estarão mais conectadas. Uma área da cidade de Fujisawa, no Japão, dá indícios de como será a casa do futuro.

Em 2014, todas as mil casas da área serão controladas por um software de armazenamento de energia, que irá gerenciar bombas de calor do solo e iluminação – marcando a criação de uma “cidade sustentável e inteligente”.

A fronteira entre a vida profissional e familiar está cada vez mais estreita; cerca de 80% dos europeus já utilizam tecnologias para trabalhar on-line nas residências, inclusive na sala de estar, enquanto participam de atividades familiares; 40% o fazem da cozinha.

O relatório de tendências mostra que no futuro haverá um serviço de saúde pessoal; sensores no lar vão coletar e analisar dados importantes para gerir, em casa, a saúde das pessoas. Com um sistema de vídeo link será possível conectar médicos e enfermeiros a partir da casa.

De acordo com Al-Assal, a pesquisa mostra que a mistura de mudanças tecnológicas, comportamentais e econômicas está fazendo com que a sociedade europeia e norte-americana regresse ao conceito de família.

“A recessão fez com que as pessoas iniciassem uma reavaliação do que realmente importa – o que fez com que a família passasse a ser associada a uma fonte de confiança e resistência em tempos econômicos turbulentos”.

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