Gestão imediatista é o cenário predominante nas empresas

21-06-2012

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Marketing Industrial (IMI) com presidentes e líderes de empresas de.setores do B2B que participaram da Usina do Conhecimento, na sede da Escola de Marketing Industrial (EMI), mostrou que mais de 60% das empresas estão voltadas à obtenção de resultados imediatos e 72% apostam na competição como estratégia, e não na colaboração como um diferencial para os negócios.

A competição, nesse sentido, signifca oferecer produtos e serviços em condições mais facilitadas no quesito preço. São empresas que preferem contar, na visão de seus clientes, com vantagens comparativas em relação aos seus concorrentes, ao invés de propostas diferenciadas em outros aspectos.

A sondagem considerou quatro eixos para o posicionamento das empresas pesquisadas:

o que querem agora X o que querem mais: o que imaginam ser importante agora versus aquilo que aspiram para serem importante sempre; e competição X cooperação: assumir que o que interessa é disputar com os concorrentes versus construir relações mais perenes com os seus clientes em prol do sucesso duradouro de ambos.

Foram ouvidos executivos de empresas do setores automobilístico, químico, siderúrgico, alumínio, aviação comercial, automação industrial, energia limpa, transformação de plástico, metalurgia, vidros especiais, cerâmica, tecnologia digital, papel e celulose, setor textil, logística, saúde, educação, comunicação corporativa e suprimentos de um modo geral.

“O vetor da competição é o oposto da cooperação, é aquele onde a disputa predomina e torna fragmentada as relações entre empresas. Ao fazer assim, essas relações ficam permeadas de estranhamento expulsando a confiança, que é a base da Economia.Isso é profundamente diverso dos valores ou aspectos capazes de tornar o ambiente de negócios mais cooperativo e, portanto, mais rentável e resistente à concorrência predadora”, explica José Carlos Teixeira Moreira, presidente do Instituto de Marketing Industrial e da Escola de Marketing Industrial.

É justamente no quadro em que predomina a disputa e a preocupação com o curto prazo que se encontra a maioria das empresas ouvidas pelo IMI. “Isto não significa que a crença ou a aspiração das empresas seja esta, mas sim a de que as condições de mercado, pela sua complexidade, estão prejudicando a visão de longo prazo e, em muitos casos, reduzindo a capacidade das lideranças de mudar o rumo dos negócios da direção de maiores e mais sustentáveis ganhos”, afirma Teixeira Moreira.

Embora a pesquisa tenha revelado que predomina o vetor competição, muitas empresas estão olhando o caminho da cooperação. Das empresas ouvidas, 28% já apontam para a cooperação o grande caminho estratégico para a prosperidade a partir de agora.

Num contexto em que se vê a exaustão do superado modelo que gera perdas de toda ordem, alianças que se formam com base em coautoria e na co-operação têm produzido resultados superiores admiráveis. Essas empresas se veem muito estimuladas em continuar nessa linha graças a muitos exemplos de sucesso que comprovam essa tese.

A despeito das contigências predominantes de curto prazo, 55% das empresas deixam claro o objetivo de virem a trabalhar na direção do que almejam para o longo prazo. Dessas, apenas 15% já estão efetivamente atuando para concretizar suas aspirações e 6% já conseguiram aliar e compartilhar com seus clientes suas aspirações num cenário de cooperação.

Há também exceções, em que, mesmo estando premidas pelo curto prazo, e enfrentando uma competição acirrada - como ocorre na indústria automobilística - companhias estão planejando o amanhã e preparando o caminho para um futuro melhor.

“As empresas estão focando na competição, mas isto é fruto da necessidade e não do desejo”, destacou Mario Cortella, professor de filosofia da PUC-SP e do programa Innovation Marketing Management da Escola de Marketing Industrial, durante sua palestra na Usina do Conhecimento para os líderes dos setores mencionados.

Ele observou, por outro lado, que posicionar-se desta forma pressupõe a aceitação passiva da situação. “O principal obstáculo de passar do quero agora para o quero mais é a visão de conformismo de que não é possível mudar”, alertou Cortella.

Outros fatores também influenciam a decisão pelo curto prazo e imediatismo. “O povo brasileiro é muito jovem, foca demais no já e agora. A atual geração de jovens inclusive foi formada sob essa moldura, o que tem prejudicado o sentido de cooperação e até a percepção da hierarquia”, acrescentou Cortella, ao lembrar que essa situação vem criando um sem número de dificuldades nas empresas.

Segundo Teixeira Moreira, o caminho para as empresas saírem do contexto da competição por perdas para cooperação pelos ganhos é a geração de valor genuíno para os seus clientes. “Quando uma empresa gera valor, pela forma inovadora de dar vida ao que é essencial para o cliente, ela sai naturalmente da competição nociva que infecta as relações entre as pessoas envolvidas”. Inovar, para Teixeira Moreira, portanto, não significa apenas o inventar, o inédito, mas também revitalizar o antigo de valor. Site: www.emkti.com.br

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