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Ambientes de produção
de cana ganham novo enfoque, aponta estudo
23-03-2012
Por Caio Albuquerque, da Assessoria de Comunicação
da Esalq – caiora@esalq.usp.br
Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, desenvolveu um
procedimento para a obtenção de classes
de ambientes de produção para a cultura
da cana-de-açúcar sob o enfoque climático
no Estado de São Paulo, por meio do uso de modelos
agrometeorológicos de estimativa das produtividades
potencial e atingível, e da eficiência
climática resultante da relação
entre essas. Para a definição dos ambientes,
o engenheiro agrônomo Leonardo Monteiro trabalhou
com ferramentas como a modelagem agrometeorológica
(para a definição da produtividade e eficiência
climática) e um Sistema de informações
Geográficas (SIG) para a espacialização
tanto da produtividade e eficiência climática
como dos atributos do clima do estado.
A partir da utilização do modelo da Zona
Agroecológica, estabelecido pela Organização
das Nações Unidas para a Alimentação
e a Agricultura (FAO) associado à penalização
da produtividade pelo déficit hídrico
foram calculadas, respectivamente, a produtividade potencial
e a produtividade atingível da cultura da cana-de-açúcar
em 178 localidades do Estado de São Paulo. Por
meio do quociente entre essas produtividades, estimou-se
a eficiência climática.
Tanto as variáveis climáticas como as
produtividades foram espacializadas por meio da técnica
de regressão em que foram utilizadas coordenadas
geográficas integradas. Foi calculado o balanço
hídrico climatológico normal, na escala
mensal, para a caracterização climática
do Estado, e o balanço hídrico sequencial,
na escala decendial, para a penalização
da produtividade potencial pelo déficit hídrico
e obtenção da produtividade atingível.
Foram consideradas cinco épocas de plantio para
a cana planta (fevereiro, março, julho (inverno),
setembro e outubro) e três ciclos de maturação
para a cana-soca (precoce, média e tardia).
Como principal resultado foi definido um mapa em que
mostra a distribuição espacial da produtividade
média durante 30 anos no Estado de São
Paulo, ou seja, da produtividade potencial da cultura
sob o efeito da deficiência hídrica da
cultura e do estresse térmico da cana-de-açúcar.
Pelo mapa, foi possível propor uma classificação
dos ambientes com base na produtividade atingível,
a qual variou de 50 até 100 t ha-1 (toneladas
por hectare) e com base nos valores obtidos de eficiência
climática, que variaram de 0,35 a 0,65.
Caracterização
“Os critérios propostos para a classificação
dos ambientes de produção para cana-de-açúcar
sob o enfoque climático, possibilitaram a obtenção
de informações mais detalhadas, permitindo
se obter uma melhor caracterização dos
fatores limitantes à produção dessa
cultura nas diferentes regiões do estado de São
Paulo”, afirma o engenheiro agrônomo.
Com isso, será possível tanto as usinas
canavieiras, como institutos de pesquisa, realizarem
um planejamento mais adequado a respeito do manejo varietal,
ou seja, alocarem variedades mais rústicas em
regiões onde o clima é mais restritivo
ao cultivo da cana-de-açúcar e vice-versa
explorando, dessa maneira, o potencial produtivo de
cada genótipo em cada ambiente. “Com outro
efeito, buscamos identificar regiões canavieiras
do Estado de São Paulo climaticamente favoráveis
ao cultivo da cana, mesmo que o solo não apresente
condições mais apropriadas ou alguma restrição
de ordem de manejo, por exemplo”, aponta Monteiro.
Desenvolvido no programa de pós-graduação
em Física do Ambiente Agrícola da Esalq,
o projeto foi desenvolvido sob orientação
do professor Paulo Cesar Sentelhas, do Departamento
de Engenharia de Biossistemas (LEB), com apoio do pesquisador
Hélio do Prado, do Instituto Agronômico
de Campinas (IAC). Para a obtenção de
resultados correspondentes a um período de 31
anos (1973-2003), foram coletados dados meteorológicos
por meio do acesso ao site da Agência Nacional
de Águas (ANA) e Instituto Nacional de Meteorologia
(INMET).
A cana-de-açúcar é uma cultura
de grande expressão em vários estados
brasileiros. Para que a mesma apresente bons níveis
de produtividade, quer seja nas áreas tradicionais
de cultivo ou nas áreas em expansão, é
de extrema importância que haja a seleção
e alocação das diferentes variedades de
acordo com os ambientes de produção, os
quais envolvem aspectos relacionados à qualidade
dos solos e aos níveis esperados de produtividade
em função disso. “Apesar da importância
dos ambientes de produção para o manejo
varietal e operacional do canavial, estes não
consideravam aspectos relacionados ao clima dos locais
de cultivo”, conclui Monteiro. (Agência
USP de Notícias)
Mais informações: (19) 3429-4123, ramal
236; email leomonteiro@usp.br
, com Leonardo Monteiro
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