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Estudo conclui que divulgação
da Marca Brasil e mal feita nos EUA
23-04-2012
A dissertação de mestrado “Identidade
de Marca-País: Comunicação da Marca
Brasil nos Estados Unidos da América”,
desenvolvida pela pesquisadora Fabiana Gondim Mariutti
na Faculdade de Administração, Economia
e Contabilidade de Ribeirão Preto da USP (FEA-RP/USP),
apontou divergências entre a proposta brasileira
para divulgação da Marca Brasil e a percepção
das agências e operadoras norte-americanas que
atuam no mercado brasileiro.
A pesquisa concluiu que, apesar do esforço
estratégico e operacional da Embratur e da qualificação
dos profissionais nas diretorias da autarquia responsável
pela execução da Política Nacional
de Turismo, há falta de verba e inexiste um plano
de comunicação e marketing orientado para
o mercado norte-americano, que siga um cronograma pré-definido.
Uma das críticas é a falta de segmentação
do público-alvo, fundamental para o sucesso de
ações de marketing.
O estudo ganha relevância diante segunda posição
que os Estados Unidos ocupam no ranking de países
que mais enviam turistas para o Brasil e com a proximidade
de grandes eventos esportivos como as Olimpíadas
e a Copa do Mundo de Futebol.
O objetivo da pesquisa foi justamente estudar a convergência
entre as estratégias de comunicação
definidas pela Embratur para a prospecção
de turistas norte-americanos e as estratégias
efetivamente utilizadas junto à agências
e operadoras de turismo nos Estados Unidos.
Para a realização da pesquisa foram
feitas entrevistas nos Estados Unidos com proprietários
e gerentes de 20 agências e operadoras de turismo
de três das principais regiões que enviam
viajantes para o Brasil: Nova York, Miami e Atlanta.
Também foram entrevistados especialistas em turismo
internacional.
De acordo com os entrevistados, o mercado norte-americano
não tem sido tratado como prioritário
pelo Brasil. Na percepção dos profissionais
de turismo americanos, faltam investimentos na divulgação
do Brasil como destino turístico e no treinamento
dos agentes. O direcionamento correto da divulgação
da Marca Brasil, na opinião dos entrevistados,
deveria passar por inserções comerciais
em emissoras de TV, investimentos em propaganda, realização
de road shows e emprego de verba adequada para o perfil
do mercado norte-americano.
Uma das fontes da pesquisa foi o Plano Aquarela 2020,
elaborado por encomenda da Embratur, que versa sobre
o marketing turístico internacional do Brasil.
“O Plano Aquarela é muito bem feito, mas
foi possível observar, durante a pesquisa de
campo e na compilação dos dados, que ele
não é colocado em prática”,
afirma Fabiana Gondim Mariutti.
Um dos pontos abordados pela pesquisadora, por exemplo,
foi com relação à administração
dos estereótipos negativos do Brasil, verdadeiros
ou não. Lidera a lista de pontos negativos para
o Brasil a questão da violência, citada
por 19 dos 20 entrevistados. Em segundo lugar vem o
preço, citado por cinco profissionais, seguido
pelo idioma, destacado por quatro entrevistados. Corrupção,
tráfico de drogas e a necessidade de visto foram
citados por três dos 20 especialistas.
“Estereótipos existem em qualquer país.
No caso do Brasil, minimizá-los ou eliminá-los
passa pelo treinamento e qualificação
dos agentes que comercializam o País como destino
turístico”, afirma Fabiana. Entretanto,
a própria pesquisadora destaca que “nenhuma
reputação muda apenas pela imagem; são
necessárias ações de fato”.
Neste sentido, a pesquisa também aponta aspectos
da imagem do Brasil citados pelos entrevistados antes
e depois das viagens dos turistas para o Brasil. De
acordo com os dados levantados, tanto aspectos positivos
quanto aspectos negativos sofrem redução
após o retorno dos turistas. A proporção
entre eles, entretanto, fica mantida. Lideram a lista
dos aspectos que pesam negativamente para a imagem do
Brasil antes da viagem violência, tráfico
de drogas e favelas, seguidos pelo desconhecimento do
País e a falta de infraestrutura, além
do idioma.
Quando retornam aos Estados Unidos, a violência
continua liderando a lista, porém com menos impacto
na imagem do país. Em segundo lugar, passa a
constar a estrutura hoteleira e de acomodações,
o preço, a desigualdade social e a falta de qualificação
dos funcionários.
A pesquisa foi desenvolvida com apoio da CAPES e da
FAPESP, sob orientação da profa. dra.
Janaina de Moura Engracia Giraldi e dentro do Programa
de Pós-Graduação em Administração
de Organizações da FEA-RP/USP, em Ribeirão
Preto (SP). “A pesquisa é inédita
ao pesquisar a Marca Brasil e os esforços do
turismo brasileiro diretamente nos canais de venda norte-americanos”,
conclui Fabiana.
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