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Estudo avalia mercado
de cartões de crédito no Brasil
23-04-2012
Novo estudo CVA Solutions com 7.000 usuários
de cartões de crédito de instituições
financeiras, de varejo e de sete bandeiras, revelou
que Santander e Amex são os cartões com
maior Valor Percebido (relação custo-benefício)
pelos clientes. Ao mesmo tempo detectou que Itaucard,
Ourocard e Hipercard são líderes em Força
de Marca.
Uma análise do Estudo mostra que os consumidores
tendem a avaliar negativamente os produtos e serviços
quando são obrigados a pagar anuidades, quando
não contam com programas de recompensas ou quando
suas compras são bloqueadas por falta de limite
de crédito. Em situação inversa,
quando o cartão é gratuito e quando recebem
privilégios, as avaliações são
bem positivas. Por isso a CVA recomenta aos bancos não
aumentar o valor da anuidade ou não cobrá-la,
já que esse ponto é crítico para
os usuários.
“O Santander está sendo muito bem avaliado
como emissor de cartões, tanto em Valor Percebido
como em custos e em escolha para utilização
(share of wallet). O Hipercard é um sucesso como
cartão de varejo. O Amex, como emissor e como
bandeira, é worldclass em avaliação,
no entanto se ressente da falta de aceitação”,
analisa Sandro Cimatti, sócio diretor da CVA
Solutions, empresa de pesquisa de mercado e consultoria,
subsidiária da norte-americana CVM Inc. O Estudo
CVA com usuários de cartões de crédito
está sendo realizado pelo terceiro ano consecutivo
no Brasil e foi finalizado em março de 2012.
O estudo avaliou o valor percebido pelos usuários
em relação ao cartão de crédito
que possuem (emissor+bandeira+tipo). A pesquisa da CVA
tem por objetivo entender a estrutura de valor percebido
(custo-benefício percebido) no mercado, a partir
do ponto de vista do usuário. Além de
medir a posição competitiva dos principais
emissores e bandeiras e diagnosticar possibilidades
de criação de vantagem competitiva sustentável.
A pesquisa 2012 constatou que o segmento de cartões
de crédito de varejistas vem crescendo mais rapidamente
do que o de cartões de crédito de instituições
financeiras, já que eles geralmente atingem uma
classe social de renda mais baixa, que vem conquistando
melhoria em seu poder aquisitivo. No entanto, os consumidores
concentram menos os gastos nestes cartões (share
of wallet), já que possuem limite de crédito
mais baixo.
Outra conclusão do estudo é que os emissores
de instituições financeiras continuam
privilegiando as pessoas com maior poder aquisitivo,
oferecendo anuidades gratuitas e melhores programas
de recompensas fazendo que seu valor percebido seja
melhor que no público de renda mais baixa.
Nota baixa
O segmento de cartões de crédito conquistou
uma nota de 7,14 (em uma escala de 1 a 10), entre 33
setores da economia pesquisados pela CVA, nota um pouco
inferior ao estudo de 2011, quando foi de 7,17. A posição
ainda é melhor do que a dos Bancos, Telefonia
Celular e Planos de Saúde, mas pior do que Supermercados,
Seguro de Automóveis e Hotéis. O Valor
Percebido para os setores pesquisados pela CVA se baseia
na nota de custo-benefício percebido, e tem como
melhor segmento o de Eletrodomésticos, com nota
9,28 e o pior o de Planos de Saúde, com 6,54.
Entrevistados e seus cartões
As entrevistas com as 7.000 pessoas foram realizadas
em todo o Brasil, com pessoas com pelo menos um cartão
de crédito (média de 2,2 cartões
de crédito por pessoa). Os usuários responderam
as questões com base em seu cartão principal,
ou seja, aquele que costumam usar com maior frequência.
A coleta de dados foi realizada em fevereiro de 2012,
mas a pesquisa foi finalizada em março.
O Estudo da CVA analisou respostas de consumidores
que possuíam os cartões com bandeiras
Visa, Mastercard, American Express, Hipercard, Diners,
Elo e Aura. Cartões dos emissores financeiros
Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, Caixa
Econômica Federal, HSBC, Citibank, Amex, Diners,
Credicard, Porto Seguro, Banrisul e Panamericano. E
dos emissores de varejo Hipercard, Casas Bahia, C&A,
Carrefour, Extra, Pão de Açúcar,
Lojas Americanas, Magazine Luiza, Ponto Frio, Submarino
e Saraiva.
Brasileiro é bom pagador
Entre os entrevistados 86% vêm conseguindo quitar
integralmente a fatura de seu cartão de crédito
e 12% estão pagando parcialmente, sendo que 2%
não sabem. Essa porcentagem de “bons pagadores”
subiu nos últimos anos. No Estudo CVA de 2010
81% pagavam integralmente e em 2011 85%.
Análise Comparativa em três anos: 2010,
2011 e 2012
Uma análise comparativa dos estudos dos últimos
três anos reforça ainda mais a tendência
de crescimento dos cartões de varejo. Eles aumentaram
sua participação no mercado (market share)
passando de 10,9% em 2010 para 15,2% em 2012. Enquanto
isso os cartões de emissores financeiros reduziram
sua participação de 89,1% para 84,8%.
Os destaques em crescimento de market share ficaram
para o Credicard (de 5,9% em 2010 para 7,6% em 2012),
Porto Seguro (0,4% para 1,4%) e Magazine Luiza (de 1,8%
para 8,7%). Já entre as bandeiras, a Mastercard
teve seu market share ampliado de 37,2% em 2010 para
40% em 2012.
Em Valor Percebido, o emissor financeiro que mais cresceu
foi o Santander, passando de 1,02 para 1,06, sendo que
Porto Seguro (de 0,92 para 1,03) e Credicard (de 0,95
para 1,00) também se destacaram. Em varejo, na
percepção dos entrevistados os que mais
cresceram foram Magazine Luiza (0,98 para 1,05), Submarino
(1,04 para 1,08) e Lojas Americanas (de 0,94 para 1,05).
Entre as bandeiras o Valor Percebido permaneceu estável,
com destaque para Amex, Hipercard e Diners.
E em Força da Marca, entre os emissores, o Itaucard
cresceu (de 12,4% para 15,9%) e ultrapassou a liderança
do Ourocard (que foi de 14,1% para 14,7%), apesar de
registrar uma pequena queda entre 2011 e 2012. Também
se destacaram o Hipercard (de 1,7% para 1,9%) e o Submarino
(de -0,2% para 0,1%). Entre as bandeiras, as marcas
que mais apresentaram crescimento de força da
marca foram a Mastercard (de 24,1% para 27,4%) e Amex
(de -0,6% para 2,9%).
Market Share
Entre os emissores financeiros o Itaú tem maior
participação no segmento de cartões
com 26,6% do mercado, seguido por Banco do Brasil com
20,6% e Santander com 15,3%. Entre os emissores de varejo
o Hipercard tem a maior participação com
26,5%, seguido por C&A com 9,7% e Submarino com
9,0%.
Entre as bandeiras, no segmento varejo, o destaque
é a Mastercard, já que apresentou o maior
market share (44,9%). Já o Visa apresenta o maior
market share entre os cartões financeiros, com
56,5%.
Perfil de Renda e Gastos
O estudo CVA 2011 dividiu os usuários em três
faixas de renda individual
mensal: até R$ 2 mil, de R$ 2 mil a R$ 4 mil
e acima de R$ 4 mil. Na amostra estudada os cartões
com bandeiras Visa, Amex e Diners tem mais usuários
na faixa com renda superior a R$ 4 mil, enquanto Mastercard
e Hipercard tem mais usuários na faixa com renda
inferior a R$ 2 mil. Os cartões emitidos por
redes de varejo – como C&A, Hipercard, Carrefour
e Casas Bahia, por exemplo, tem mais usuários
na faixa com renda de até R$2 mil.
Também foi diagnosticado pela pesquisa que o
perfil de gastos do usuário é maior quando
o cartão é emitido por uma instituição
financeira. O gasto mensal dos cartões de crédito
de emissores financeiros é de R$1.236,00 e dos
emissores de varejo é de R$898,00.
Força da Marca
O emissor com maior Força de Marca (atração
menos rejeição perante clientes e não
clientes) é o Itaú (15,9%) que ultrapassou
o BB (14,7%), e é seguido pelo Santander (6,9%).
Entre as bandeiras destacaram-se a Visa (com 49,8%)
e Mastercard (com 27,4%). Já entre os emissores
de varejo o destaque ficou para o Hipercard com 1,9%
de Força da Marca.
Valor Percebido
O melhor Valor Percebido (custo-benefício percebido
pelos clientes) foi atribuído para os emissores
Amex (1,13), Santander (1,06) e Porto Seguro (1,03).
Entre os emissores de varejo, destacaram-se em Valor
Percebido a o Submarino (1,08), Hipercard (1,08) e as
Lojas americanas (1,05). Já entre as bandeiras,
as melhores avaliações foram atribuídas
para as bandeiras Amex e Hipercard. Visa e Mastercad
apresentaram um valor percebido na média do mercado.
Aceitação dos Cartões de Crédito
Apesar das novas regras no mercado que fazem com que
todas as diferentes bandeiras sejam aceitas nos terminais
dos estabelecimentos comerciais, a percepção
do consumidor é que somente as bandeiras Visa
e Mastercard são amplamente aceitas. Hipercard,
Amex, Diners, Elo e Aura são percebidos como
tendo menor aceitação nos estabelecimentos
comerciais.
Máquinas processadoras no PDV
Na percepção dos consumidores a melhor
máquina para capturar/processar a transação
nos pontos de venda é da Cielo (45%), seguida
por Redecard (14%), GetNet (1%) e 40% não sabem
ou são indiferentes.
Conclusões
Segundo Sandro Cimatti, o estudo mostra que os emissores
financeiros de cartões devem liberar ou reduzir
os pagamentos de anuidades, melhorar os programas de
recompensas, melhorar o atendimento e cuidar do limite
de crédito de seus usuários. Já
para os emissores de cartões de varejo a recomendação
para melhorar seu valor percebido e aumentar o uso de
seus cartões de crédito é implantar
programas de recompensas, melhorar o atendimento e aumentar
o limite de crédito.
“Não adianta distribuir cartões
de crédito e não oferecer vantagens para
estimular o seu uso. O cliente que prova a taxa de juros
ou que tem uma compra bloqueada por falta de limite
de crédito sempre faz uma avaliação
pior do cartão e da marca. O usuário que
recomenda o cartão e faz uma avaliação
muito positiva é aquele que não paga anuidade,
tem recompensas atraentes, tem bom limite de crédito
e sabe que seu cartão será aceito na maioria
dos estabelecimentos”, afirma Cimatti.
“Pensando em Força da marca, o banco deve
divulgar o cartão de crédito na mídia
e distribuí-lo para atrair e conquistar novos
clientes. Para melhorar o valor percebido de seus clientes
e fazê-los usar mais seu cartão, é
preciso oferecer vantagens, como programas de recompensas
e isenção de anuidade. Portanto, para
que o banco aumente seu market share e nível
de utilização ele tem que aumentar sua
Força de Marca e Valor Percebido. As duas coisas
têm que andar juntas resultando em crescimento
e rentabilidade”, explica o diretor da CVA Solutions,
executivo de marketing e vendas, engenheiro pela USP,
com MBA em Marketing na ESPM e MBA em Finanças
pelo IBMEC.
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