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Poupança teve
forte captação em junho, apesar das mudanças
na remuneração
05-07-2012
Os depósitos em poupança superaram os
saques em R$ 5,115 bilhões, em junho, segundo
informou hoje (5) o Banco Central (BC). Esse foi o segundo
melhor resultado para os meses de junho da série
do BC iniciada em 1995. A captação líquida
(mais depósitos que retiradas) só é
inferior a de junho de 2002, quando ficou em R$ 5,293
bilhões.
O desempenho ocorre apesar das mudanças nas
regras de remuneração do investimento,
que causaram redução de rendimento desde
o dia 31 do mês passado. Em 4 de maio deste ano,
o governo editou a Medida Provisória (MP) 567,
que estabeleceu nova regra para a remuneração
de poupança, sempre que a taxa básica
de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano.
Nesse caso, a forma de remuneração passa
a ser 70% da taxa Selic mais a Taxa Referencial (TR),
calculada todos os dias pelo BC.
No dia 30 de maio, o Comitê de Política
Monetária (Copom) do BC reduziu a taxa Selic
em 0,5 ponto percentual, para 8,5% ao ano. Assim, a
regra de remuneração, que era TR mais
0,5% ao mês, mudou para os novos depósitos.
A expectativa de analistas do mercado financeiro, conforme
sondagem do Banco Central divulgada na segunda-feira
(2), é que a taxa Selic caia ainda mais e encerre
2012 em 7,5% ao ano.
Apesar dessa expectativa, os depósitos somaram
, em junho, R$ 98,845 bilhões, e as retiradas
R$ 93,729 bilhões. Os rendimentos creditados
somaram R$ 2,203 bilhões e o saldo total ficou
em R$ 449,040 bilhões. Em maio deste ano, a captação
líquida foi de R$ 6,262 bilhões. Essa,
por sua vez, foi a maior captação líquida
positiva registrada pelo BC em meses de maio.
O relatório do BC se baseia em dados do Sistema
Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE)
– que destina 65% dos recursos para o financiamento
imobiliário – e da poupança rural.
No caso do SBPE, houve captação líquida
de R$ 4,095 bilhões em junho. A poupança
rural registrou R$ 1,020 bilhão.
Ontem, a Câmara aprovou a MP 567. Durante o dia,
os partidos de oposição obstruíram
a votação, em protesto pela forma diferenciada
de liberação de recursos das emendas parlamentares
ao Orçamento da União. Na votação
das emendas ao texto apresentado pelo relator da MP,
deputado Henrique Fontana (PT-RS), o plenário
aprovou uma que manteve no texto o dia 4 de maio como
prazo final para que os depósitos sejam remunerados
pelas regras antigas da poupança.
Ao definir a nova regra de remuneração,
o objetivo do governo foi evitar a migração
de investidores dos fundos de renda fixa para a poupança.
Esses fundos são formados por títulos
públicos utilizados pelo governo na rolagem da
dívida.
Com a queda da Selic, um fundo de investimento pode
pagar menos que a poupança, dependendo da taxa
de administração cobrada pela instituição
financeira. Para que o BC tivesse mais espaço
para cortar a Selic, sem afetar a demanda por títulos
públicos, foi necessário fazer mudanças
na remuneração da poupança. A poupança
não cobra Imposto de Renda, nem taxa de administração,
diferentemente dos fundos de investimento. (Agência
Brasil)
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