Executivos estão menos otimistas e mais preocupados com inflação

14-06-2013

Índice de Otimismo no Brasil permanece estável. Mesmo assim os CFOs do Brasil e da América Latina continuam otimistas sobre as perspectivas econômicas para os próximos 12 meses. CFOs também apontam crescimento robusto das receitas (14.9%) e os lucros (20%). Previsão de crescimento do emprego vem diminuindo constantemente ao longo do ultimo anos. A projeção é de que cresça 2,7% nos próximos 12 meses. No geral, os CFOs da América Latina são os mais otimistas do mundo sobre as perspectivas econômicas para 2013

As principais preocupações internas das empresas brasileiras continuam sendo a manutenção de margens e a contratação e manutenção de funcionários qualificados. As principais preocupações quanto à economia são referentes à demanda, código tributário e inflação.

Estes são alguns dos resultados da recente pesquisa trimestral intitulada Panorama Global dos Negócios (CFO Survey – Global Business Outlook), conduzida pela Duke University, Fundação Getulio Vargas e CFO Magazine com o apoio da BMFBovespa e do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF).

A pesquisa foi concluída no dia 31 de maio de 2013 e teve a participação de 1112 CFOs (responsável pelas decisões financeiras das empresas) de todo o mundo, sendo 280 da América Latina dos quais 46 eram brasileiros. A pesquisa versa sobre as expectativas dos altos executivos para as suas empresas e para a economia. (Consulte o final deste comunicado para maiores informações sobre a metodologia da pesquisa).

- CFOs do Brasil e da América Latina continuam sendo os mais otimistas do mundo com relação às economias de seus países. No entanto existe uma tendência à redução no otimismo: 46% dos CFOs estão menos otimistas do que estavam no trimestre anterior – enquanto que somente 20% estão mais otimistas. Resultado semelhante se observa para a América Latina como um todo: 46% mais pessimistas e 24% mais otimistas.

- Empresas Brasileiras diminuem a expectativa de aumento de empregados em tempo integral. Espera-se um aumento médio de 2,7% para os próximos 12 meses (nos trimestre anterior as projeções eram de um aumento de 3,9 e 3,3%). Como vinha ocorrendo nos trimestres anteriores, as empresas reportam dificuldade em contratar funcionários com a qualificação desejada.

- Consolida-se a tendência de crescimento do emprego temporário e terceirizado. O emprego temporário deve aumentar em 2,1% nos próximos 12 meses e o emprego terceirizado 1,7%.

- Em média, CFOs projetam um crescimento nos salários de 8% para os próximos 12 meses. Nos trimestres anteriores as projeções eram de 5,9 e 7,1%

- Aprofunda-se a tendência para redução nos investimentos de capital. A taxa de crescimento que vinha sendo na casa dos 7% há dois trimestres caiu primeiro 3,4% e agora para 1,9%. Em compensação aumentam as projeções para o crescimento nos gastos com propaganda e marketing de 5,8% para 21%.

- Entre as principais preocupações dos CFOs brasileiros estão a inflação e código tributário.

- Corrupção tem um efeito significante sobre a economia: 57% dos CFOs brasileiros apontam que a corrupção prejudica seus negócios. Esse padrão é alto mesmo para a América Latina onde a média geral é 33% (Colômbia 53%, México 38%, Peru 32% e Chile 6%). O cenário é bem diferente nos Estados Unidos e Europa onde corrupção é apontada como um problema para 6% e 16% dos CFOs respectivamente.

Otimismo

O otimismo econômico no Brasil e na América Latina tem sido estável com uma pequena tendência de baixa. Em uma escala de 0 a 100, os CFOs do Brasil atribuem a nota 61,4 para o seu otimismo com relação à economia brasileira (esse número é levemente inferior aos 63,5 do trimestre anterior). Já os CFOs da América Latina em geral atribuem 66 para o seu otimismo com relação as economias de seus países, contra 69 no último trimestre. Na América Latina, o México continua sendo o mais otimista com 70,7 seguido de Chile (69,3), Colômbia (68,8) e Peru (66,8). Os CFOs argentinos continuam sendo os menos otimistas: 37,5. Este mesmo índice é de cerca de 60,8 nos Estados Unidos; 53,2 na Europa e 60,8 na Ásia. É importante ressaltar que o otimismo nos Estados Unidos vem crescendo de modo consistente 60,8 neste semestre contra 55,3 e 50,7 nos trimestres anteriores

“Esse aumento consistente do otimismo nos Estados Unidos é muito importante porque sugere que o país está no ruma da retomada do crescimento – deve crescer pelo segundo ano consecutivo depois de vários anos de estagnação. Talvez por essa razão os seus parceiros econômicos da Américal Latina estejam tão otimistas,” disse John Graham, professor de Finanças da Duke University e Coordenador da pesquisa Global Business Outlook. “Esse otimismo é ainda mais justificável uma vez que a Ásia tem mantido o crescimento e os EUA devem crescer pelo segundo ano consecutivo.”

Um importante elemento para justificar tamanho otimismo é a previsão feita pelos CFOs brasileiros de 15% para o crescimento das receitas durante os próximos 12 meses e de 20% para os lucros.

Emprego

CFOs indicam uma redução na taxa de crescimento das contratações de empregados efetivos pelas empresas: 2,7% neste trimestre contra 3,9 e 3,3% nos trimestres anteriores. Em compensação cresce a tendência para o aumento no uso de mão de obra temporária e terceirizada. Até dois trimestres atrás a tendência era de queda no uso de temporários e terceirizados. Nestes dois últimos trimestres observamos uma tendência de aumento de temporários (2,7 e 3,9%) e de terceirizados (1,7 e 3%)

“O emprego em tempo integral vem crescendo há vários trimestres. E ao longo deste período a projeção de uso de emprego temporário e terceirizado vinha decrescendo. Simultaneamente observamos que as empresas estão reduzindo a previsão de investimentos. Assim, em um cenário de incerteza quando ao crescimento, parece que as empresas estão sendo cautelosas e preferindo substituir emprego em tempo integral por emprego temporário e terceirizado.” Comenta Gledson Carvalho, professor de Finanças da FGV e co-diretor da pesquisa Global Business Outlook.

A projeção é de que os salários passem a crescer a uma taxa maior (8% neste trimestre contra 5,9 e 7,1% nos trimestres anteriores). Esse aumento na projeção dos salários possivelmente reflete um aumento na taxa de inflação.

Inflação e tributos

As principais preocupações dos CFOs brasileiros são demanda para seus produtos, inflação, código tributário e políticas governamentais. A preocupação com demanda não é exclusividade do Brasil, pois é apontada por empresas em todas as regiões do planeta. O que é bastante específico no caso brasileiro é a constante preocupação das empresas com o código tributário (aparece como uma das principais preocupações em todos os trimestres em que a pesquisa foi realizada), sendo que tal preocupação não aflige firmas em outras regiões do planeta.

Neste trimestre também captamos o surgimento de preocupação com a inflação e as políticas governamentais que não foram manifestadas anteriormente.

“A economia brasileira parece estar em um momento de inflexão. A inflação que durante muito tempo não foi fonte de preocupação reapareceu. Com isso, aumenta o interesse pelas políticas governamentais.” Comenta Klenio Barbosa, professor de Economia da FGV e co-diretor da pesquisa Global Business Outlook.

“O código tributário brasileiro é um entrave muito grande ao desenvolvimento do país. Essa é uma preocupação constante das empresas brasileiras que tem que competir com empresas de países onde isso não é um entrave.“ Afirma Gledson Carvalho.

Corrupção

Corrupção é umas das principais preocupações no Brasil onde 57% dos CFOs dizem que corrupção tem impacto significativo sobre seus negócios. A maioria dos diz que a corrupção leva a um crescimento mais lento dos negócios, preços mais elevados e menor concorrência. Tais números são mais expressivos quando comparados aos da Ásia, onde somente 36% dos executivos afirmam que a corrupção é um problema importante. Por outro lado, nos EUA e Europa apenas 6% e 16% dos executivos financeiros dizem que corrupção afeta os seus negócios.

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