Previdência privada registra
crescimento na captação mensal
Levantamento produzido pela Anapp (Associação
Nacional da Previdência Privada) revela que o volume de novas
contribuições no sistema de previdência complementar
voltou a crescer em março, alcançando a marca de R$
1,372 bilhão, patamar 30% superior ao R$ 1,055 bilhão
verificado em fevereiro. No conjunto do trimestre, entretanto, os
novos depósitos somaram R$ 3,9 bilhões, consolidando
retração de 11,1% na comparação com
os R$ 4,4 bilhões arrecadados no mesmo período do
ano anterior.
“O crescimento registrado em março sinaliza a tendência
de retomada, que deve ganhar impulso nos próximos meses”,
diz Osvaldo do Nascimento, presidente da Anapp e diretor da Itaú
Vida e Previdência. Segundo o executivo, o resultado do trimestre
teve relação direta com o período de adaptação
pelo qual passou o investidor de previdência quanto às
mudanças na legislação tributária.
Segundo Nascimento, as mudanças começaram a ser absorvidas
pelo público, mas ainda é necessário um tempo
maior para que as seguradoras consigam comunicar de forma eficiente
todas as alterações. “A Anapp vem pleiteando
uma dilatação do prazo de opção do investidor
ao regime progressivo ou regressivo, o que conferirá um tempo
hábil às seguradoras consolidarem as mudanças
na tributação, assim como melhorar o tratamento tributário
no pagamento de aposentadorias, especialmente no que se refere às
rendas vitalícias”.
No primeiro trimestre, o VGBL apresentou retração
de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior
passando de R$ 2,331 bilhões para R$ 1,933 bilhão.
Já o PGBL registrou variação negativa de 13%
saltando de R$ 1,156 bilhão para R$ 1,001 bilhão.
No período, os planos tradicionais apresentaram alta de 6%:
de R$ 930,51 milhões para R$ 994,41 milhões.
Em março, o VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres)
– categoria indicada para quem não faz a declaração
completa de imposto de renda – registrou um volume de captação
da ordem de R$ 759,8 milhões, apresentando uma ligeira queda
de 3,4% em relação ao mesmo período de 2004,
quando captou R$ 786,2 milhões.
No período analisado, o PGBL – produto ideal para
quem declara imposto de renda, uma vez que permite deduzir até
12% do montante a ser pago à Receita Federal – teve
uma captação de R$ 331,8 milhões contra R$
342,5 milhões, o que resultou em retração de
3,1% em relação ao mesmo período de 2004. Em
março, os planos tradicionais captaram R$ 277,8 milhões
contra R$ 292,9 milhões verificados no mesmo período
do ano anterior (retração de 5,2%).
O destaque do período ficou por conta dos planos empresariais.
De acordo com o levantamento da Anapp, até março de
2005 havia 124.805 planos empresariais no país, contra 73.869
planos registrados até março de 2004, uma alta de
69%. A captação desses planos cresceu 12,27% no período,
passando de R$ 215,9 milhões para R$ 242,4 milhões.
Já os planos para menores registraram crescimento de 3,26%
no primeiro trimestre do ano R$ 63,3 milhões contra R$ 61,3
milhões registrados no ano passado.
Enquanto isso, os planos individuais apresentaram retração
de 7% pois no primeiro trimestre de 2004 registraram captação
de R$ 1,14 bilhão contra os atuais R$ 1,06 bilhão.
s planos individuais ainda mantêm a maior fatia de participação
na captação de recursos de previdência com 73%
do total, seguido pelos planos empresariais que representam 23%.
Os planos destinados a menores de idade perfizeram 4% do total registrado
no primeiro trimestre do ano.
A Bradesco Vida e Previdência lidera o ranking de captação
no trimestre, com 35% do total, seguida pelo Itaú Vida e
Previdência (16%), BrasilPrev (12%), Unibanco Aig (10%), Caixa
Vida e Previdência (7%), HSBC (5%), Santander (4%), Real Vida
e Previdência (3%), Icatu-Hartford (2%) e Capemi (1%). As
demais empresas somam 5% do total.
Os dados da Anapp computaram 242.176 beneficiários do sistema
de previdência privada nos três primeiros meses de 2005,
o que representou uma ligeira queda de 0,4% em relação
ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados
243.230 beneficiários.
No primeiro trimestre do ano, o nível de reservas –
saldo dos recursos dos planos – chegou a R$ 64,1 bilhões,
um crescimento de 32,0% na comparação com o mesmo
período de 2004, quando o indicador somou R$ 48,5 bilhões.
Segundo a análise da Anapp, do total de recursos depositados
em previdência complementar aberta no país, 41% são
para os planos tradicionais; 31% para o tipo VGBL; 27% para o PGBL
e, por fim, 1% para os Fapis.
Em relação à carteira de investimentos –
que inclui as reservas técnicas, as reservas livres, o capital
de seguradoras e outros valores – o mercado de previdência
complementar cresceu 30,1% no primeiro trimestre do ano na comparação
com o mesmo período do ano anterior. Com isso, a carteira
do setor acumulou R$ 67,6 bilhões, enquanto no primeiro trimestre
de 2004, o valor verificado era de R$ 51,9 bilhões.
No período, a carteira de investimentos do setor ficou dividida
da seguinte forma: planos tradicionais, R$ 30 bilhões; VGBL,
R$ 19,8 bilhões; PGBL, R$ 17,2 bilhões; e, Fapi, R$
446,3 milhões.
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