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Eletros diz que real forte afeta exportações e investimentos

A queda acentuada do dólar já está causando fortes prejuízos à indústria de linha branca (refrigeradores, lavadoras de roupa, fogões, etc.) com a perda de contratos de exportação, cancelamento de investimentos em linhas de produção dedicadas ao mercado externo e demissão de pessoal.

Levantamento inicial realizado pela Eletros - Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, junto aos fabricantes do segmento, indica que o setor pode deixar de exportar cerca de 1 milhão produtos até o final do ano, em função da perda de competitividade provocada pela queda do dólar. Em termos de valores, isto deve se situar em torno de US$ 150 milhões.

“O atual nível de depreciação do dólar colocou os fabricantes de linha branca em uma situação insustentável, na qual o setor está sendo obrigado a reajustar seus preços de exportação, para não ter prejuízo, mas, em contrapartida, está perdendo fortemente vendas no mercado externo”, alerta Paulo Saab, presidente da ELETROS, ao ressaltar que o setor está sofrendo duplamente com essa situação: em perda de receita e de volumes.

Em função disso, linhas de produção estão sendo desativadas, com conseqüente demissão de pessoal. Estima-se que 300 a 350 pessoas poderão perder seus empregos no setor até o final do ano - uma parte inclusive já foi dispensada.

O cancelamento de exportações afeta embarques para diversas regiões do mundo, como América Latina, Ásia, Oriente Médio, Europa e América do Norte, ressaltando-se que, no caso do mercado norte-americano, ele é tipicamente difícil de conquistar, e a falta de continuidade nas exportações gera uma grande dificuldade para recuperar essa participação. “Mais uma vez o Brasil pode ser visto como fonte pouco confiável dada a exagerada volatilidade e instabilidade nas condições competitivas”, alerta Saab.

Além da perda de exportações, a queda do dólar traz outro prejuízo irreversível: o cancelamento de projetos de investimento. Estimativa da ELETROS é que o País já perdeu, nos últimos dois meses, cerca de US$ 35 milhões em investimentos em linhas de produção que seriam dedicadas exclusivamente ao mercado externo.

“Isto é só o começo de um ciclo de perdas, pois falta ao governo entender que, em um mundo globalizado, concorremos pela atração de capital junto com outros países emergentes, que oferecem estabilidade nas regras e nos fundamentos da economia”, lembra Saab.

Ele explica que, quando a matriz de uma empresa multinacional aqui instalada decide direcionar o investimento para outro país, mais confiável do ponto de vista da estabilidade, o País perde a oportunidade de elevar o valor agregado das exportações e de gerar empregos por pelo menos cinco anos - tempo mínimo de retorno sobre os investimentos feitos nos países que recebem as novas linhas.

"A confiança na indústria brasileira, no sentido de que ela conseguirá honrar seus compromissos, fica abalada e também se amplia a percepção de desconfiança em relação ao País”, diz Saab. O que está ocorrendo, segundo ele, é apenas o início de perdas ainda maiores que deverão acontecer no longo prazo, pois o impacto no volume de exportação será sentido com mais força a partir de 2006 e 2007, se persistir essa depreciação do dólar.

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