| TV
e DVD são destaques de venda no ano
O desempenho da economia brasileira aquém
do esperado não vai impedir a projeção
de crescimento da indústria eletroeletrônica
de consumo. Puxado principalmente pelas vendas
de televisores e aparelhos de DVD, o setor deve
crescer 15% este ano, segundo estimativa preliminar
da ELETROS – Associação Nacional
de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos.
Na linha de imagem e som, o crescimento deve se
situar em 34% em 2005, comparado a 2004.
“A queda do dólar favoreceu especialmente
os produtos eletrônicos que utilizam componentes
importados, como televisores e DVDs”, afirma
Paulo Saab, presidente da ELETROS. O crescimento
de 34% da linha de imagem e som, segundo ele,
é bastante expressivo, considerando-se
que 2004 já foi um ano no qual houve um
forte movimento de renovação do
parque instalado - as vendas em 2004 foram 42%
maiores do que em 2003.
Favorecidos pelos preços em queda, pela
melhora do poder aquisitivo dos consumidores e
pelo espaço que ainda têm a ocupar
no mercado brasileiro, os televisores convencionais
deverão encerrar o ano com vendas em torno
de 8,6 milhões de televisores. O volume
vendido, contudo, pode chegar até 9,1 milhões,
o que significará uma melhora na projeção
de crescimento de 14,5% para 22%.
Os televisores de tela plana, com cinescópio
convencional, deverão responder este ano
por 25% das vendas de TVs, o que representa uma
mudança no patamar de 13% registrado no
ano passado. “A mudança no perfil
de vendas de produtos de imagem e som está
se acelerando muito rápido”, observa
Saab, em cuja estimativa, no próximo ano,
os aparelhos de tela plana poderão alcançar
até 35% de participação nas
vendas totais de televisores.
As tevês de plasma e cristal líquido
(LCD) também estão sendo favorecidas
pela redução de preços. Ainda
com participação pequena no mercado,
estas novas tecnologias deverão representar
cerca de 3% do mercado brasileiro até 2008,
enquanto no mercado mundial poderão atingir
70% em 2012.
A chegada ao mercado de novas tecnologias e a
obsolescência dos produtos – que estimula
a troca dos aparelhos - são fatores que
têm influência direta sobre a linha
de imagem e som, principalmente à medida
que os preços dos novos produtos caem.
O DVD é um importante exemplo. Responsável
em grande parte pelo crescimento do segmento de
imagem e som, os aparelhos de DVD registraram
forte queda de preços, acelerando o processo
de substituição do videocassete.
O crescimento de vendas este ano é estimado
entre 70% a 90% em relação aos 3,7
milhões de unidades comercializadas em
2004.
No segmento de som, a estimativa é de
vendas 17% acima de 2004, a despeito da concorrência
crescente dos produtos contrabandeados.
Lavadoras automáticas, fornos de microondas
e condicionadores de ar são os destaques
de vendas da linha branca em 2005. Crescimento
mais modesto, contudo, será registrado
em fogões e geladeiras.
Segundo estimativa da ELETROS, após a renovação
da base instalada de linha branca verificada em
2004 - quando o setor cresceu 30% -, as vendas
do segmento deverão aumentar em torno de
3,5% este ano. “Sem uma forte distribuição
de renda, não é possível
repetir por dois anos consecutivos um crescimento
dessa magnitude”, explica o presidente da
ELETROS.
Saab lembra que grande parte da linha branca
é vendida a prazo, e, embora haja um aumento
na oferta de crédito, parte dos consumidores
já esgotou ou está prestes a esgotar
sua capacidade de endividamento. “Não
tem havido espaço no orçamento do
consumidor para assumir novas dívidas”,
diz ele.
Mesmo assim, alguns produtos estão driblando
as dificuldades de mercado e crescendo. Condicionadores
de ar, por exemplo, devem fechar o ano com vendas
15% maiores do que em 2004. As lavadoras automáticas
também estão conquistando mais espaço
na linha branca, e a expectativa é de incremento
em torno de 6% - acima dos fogões e refrigeradores,
que, mesmo concentrando maior volume de vendas,
deverão crescer, respectivamente, 3,5%
e 2% este ano.
Os fornos de microondas, que já foram vítimas
do “apagão”, registram uma
reação de mercado. As vendas do
produto, que se situavam no patamar de 1,1 milhão
de unidades ao ano, entre 1994 e 2000, caíram
47% a partir de 2001. Mas já voltaram a
crescer, estimuladas pela forte redução
de preços e maior oferta de marcas e fabricantes.
Em 2004, as vendas de microondas cresceram 56%
sobre 2003, e, em 2005, a projeção
é crescer mais 35%.
Nem todos os produtos afetados pelo “apagão”,
contudo, estão conseguindo reagir na mesma
proporção. É o caso dos freezers
verticais e horizontais.
Até o ano 2000, os freezers verticais contabilizavam
vendas em torno de 500 mil unidades ao ano. Com
o racionamento de energia, e a estabilização
da inflação – que praticamente
eliminou o hábito de estocar produtos -
as vendas caíram para um patamar equivalente
a um quarto desse volume, e se mantêm nesse
nível até hoje. A estimativa para
2005 é de crescimento de 0,5% em relação
a 2004.
O mesmo fenômeno ocorreu com os freezers
horizontais, cujas vendas caíram para menos
da metade do patamar de 600 mil unidades ano verificado
até 2000. A previsão para 2005 é
crescimento de 1% em relação a 2004.
A estimativa da ELETROS é que o setor de
portáteis, assim como a linha branca, não
deverá repetir o crescimento observado
em 2004, que foi de 19,21%. O volume de vendas
de eletroportáteis deverá se situar
3% acima do ano passado.
O maior volume de vendas deve ficar com aspiradores
de pó e ferros de passar roupa. Mas lançamentos
na linha de produtos de beleza pessoal, como secadores
de cabelo, também tendem a atrair os consumidores.
“Em geral, a linha de portáteis e
a de linha branca são de produtos utilitários,
necessários para o funcionamento do dia
a dia de uma casa, e que facilitam muito a vida
dos consumidores. Os produtos que estão
direcionados ao lazer ou aos cuidados pessoais,
como mostram as pesquisas, costumam atrair mais
o consumidor”, explica Saab.
Mesmo com o crescimento menor nas linhas branca
e de portáteis, o setor eletroeletrônico
de consumo deverá, em 2005, registrar um
maior volume de vendas e superar finalmente o
patamar de 1996, que foi de 41,4 milhões.
A estimativa é de comercialização
de 44,8 milhões de unidades em 2005.
“É um resultado positivo, ainda que
atrasado quase 10 anos, principalmente considerando
que este foi um ano bastante conturbado sob o
aspecto político”, diz Saab, cuja
expectativa é a de que o ano de 2006 também
seja positivo em vendas.
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