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Exportação de software pode render US$ 2 bilhões por ano até 2008

Até 2008, o setor de software do Brasil deve bater a marca de US$ 2 bilhões anuais em exportação, deixando para trás os US$ 100 milhões por ano que são atingidos atualmente. Este crescimento tão significativo faz parte das metas do governo federal, estabelecidas pela nova política industrial, que está sendo discutida pelos ministérios envolvidos na definição das novas diretrizes. O trabalho vai apontar como estratégicos quatro setores: fármacos, bens de capital (máquinas e equipamentos) e microeletrônica, além do software. O Ministério de Ciência e Tecnologia poderá incluir a biotecnologia como uma das prioridades. O documento completo com todas as diretrizes estará pronto até 31 de março.

É justamente nestas novas diretrizes que o Next (Núcleo de Exportação de Tecnologia), se apóia para o seu desenvolvimento. O Núcleo foi formado recentemente por 15 empresas brasileiras de produtos, desenvolvimento e terceirização de serviços de software, que juntas vão fundar uma companhia nos EUA para vender diretamente para este mercado. No último dia 13 de fevereiro, alguns representantes do Next foram recebidos, em Brasília, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.

Na ocasião ficou acertado que o ministério irá convocar, em breve, uma reunião para articular as agências envolvidas com a exportação de software para que o modelo do NEXT seja agilmente posto em prática com apoio do BNDES, Finep, Apex. Durante o encontro ficou claro que o NEXT está inserido no contexto das novas Diretrizes de Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior que serão finalizadas pelo governo federal até o dia 31 de março.

O principal alvo do Grupo Next é o segmento financeiro, composto por bancos, seguradoras, administradoras de cartão de crédito e corretoras de títulos, que se constitui em um dos maiores mercados consumidores de TI do mundo. A nova companhia pretende alcançar o faturamento de US$ 200 milhões até 2008. As diretrizes, que determinam as linhas gerais da política industrial a ser adotada pelo governo, também apontam algumas razões que explicam o baixo volume de exportações atuais. Uma delas, é a falta de uma estratégia nacional e empresarial voltada para explorar a demanda internacional, formada por grandes compradores de serviços e tecnologia, como corporações financeiras internacionais, indústrias e de serviços. “Este, por exemplo, é o nosso alvo principal alvo, o segmento financeiro americano”, afirma Neissan Monadjem, coordenador do comitê executivo do Next.

Por outro lado, as diretrizes que estão sendo definidas pelo governo federal também vão apresentar soluções, que se implementadas, poderão garantir o sucesso do software brasileiro no exterior. Uma destas medidas será fortalecer a empresa nacional e incentivar e apoiar a internacionalização das companhias nacionais, inclusive possibilitando a abertura de unidades no exterior.

Outra vez, o governo cita uma iniciativa já adotada pelo Next. “No primeiro semestre de 2004 vamos abrir uma companhia nos EUA para vender diretamente para este mercado. Vamos oferecer serviços de maior valor agregado, mostrando que o Brasil tem know-how, criatividade, competitividade em custos de mão-de-obra e que somos líderes em alguns segmentos, tais como neste que escolhemos como nosso objetivo maior: o mercado financeiro, com ênfase nas aplicações on-line em bancos”, afirma Monadjem.

Para o executivo, a experiência brasileira em enfrentar seguidas mudanças de regras no mercado financeiro (cinco planos econômicos com necessidades de grandes ajustes sistêmicos em curto espaço de tempo nos últimos anos) faz diferença neste tipo de empreitada. “Nossa iniciativa se transformará, em breve, na maior joint-venture do setor brasileiro”.

O Next é formado por 15 empresas, baseadas em três diferentes regiões do País. São companhias nacionais de serviços e produtos de software para as áreas financeiras, bancárias, de seguros e e-commerce e que juntas têm 11 mil colaboradores e registraram um faturamento superior a R$1,19 bilhão no ano de 2002.

As empresas que fazem parte do NEXT

Apyon - Soluções de produtividade para automação do processo de construção de sistemas aplicativos

Cimcorp - Soluções para redução de custos, proteção da informação e aumento do relacionamento com o cliente

CINGO - Desenvolvimento de softwares e terceirização

CPM Tecnologia - Sistemas de tecnologia da informação que proporcionam ganhos de eficiência e produtividade.

Disoft - Soluções para gerenciamento de crédito

E-Safetransfer - Soluções para smart card e certificação digital

Extol - Soluções para Internet Banking

Impactools - Soluções para o mercado de seguros

Linkware - Integradora de soluções de tecnologia da informação

Open Concept - Transações com cartão de crédito e comércio eletrônico

Paradigma - Portais de compra e leilão reverso

Politec - Soluções para gestão de negócios

Software Design - Soluções para saúde e finanças

Stefanini - Integradora de tecnologia da informação

W3Pro - Integração de departamento

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