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Sebrae ajuda produtora
a exportar programa de TV
O seriado 'Sapo Xulé' já
está na lista das exportações
brasileiras. Criado pela produtora paulista Cinemas
Animadores, o personagem do sapo, baseado na velha
cantiga de roda infantil, despertou o interesse
da canadense FRV. Juntas, as duas produtoras estão
rodando o programa em 13 capítulos de 22
minutos cada um, para TVs do Canadá, da
França, da Inglaterra e da América
Latina, com lançamento previsto para o
segundo semestre de 2008.
A parceria não pára
aí. As produtoras também vão
lançar o 'Indiozinho sem Nome', um longa
metragem de 70 minutos, tendo como cenário
a Floresta Amazônica. Além de ser
divulgado em emissoras de TV, o filme também
será veiculado em salas de cinema naqueles
países. Cada projeto custa R$ 5 milhões,
envolvendo técnicas de animação
que unem o tradicional formato de 2D à
tecnologia de 3D, como nas produções
da Walt Disney.
O sucesso dos desenhos ilustra
bem os resultados de um convênio coordenado
pela Associação Brasileira dos Produtores
de TV (ABPI-TV). Feito em parceria com a Agência
de Promoção de Exportações
e Investimentos (Apex-Brasil), o Ministério
da Cultura (Minc) e o Sebrae, o projeto abrange
capacitação, participação
em feiras internacionais e estímulo à
exportação de programas de TV.
A previsão inicial de gerar
US$ 6 milhões com a exportação
foi surpreendentemente substituída por
novas negociações que ultrapassaram
US$ 24 milhões. Isso de 2004 para cá.
Sinal de que a televisão brasileira não
precisa mais ficar se escorando em recursos já
esgotados, como a novela Escrava Isaura, para
dar o seu recado lá fora. Ao contrário.
O movimento atual nada tem a ver com Rede Globo,
SBT ou Record, que não conseguem vender
mais do que telenovelas.
O fôlego é mesmo
das pequenas e médias produtoras de TV
independente, que realizam seriados, documentários,
filmes de animação e outros conteúdos
para serem exibidos em canais estrangeiros. Boa
parte dos programas pode ser visto no Brasil em
canais a cabo, como Discovery e National Geographic.
Cinemas
Animadores
Atualmente, o principal destino
das recentes negociações internacionais
tem sido o Canadá. É o que acontece
com a Cinemas Animadores. Associada da ABPI-TV
e há oito anos no mercado, a produtora
faz filmes publicitários, videoclips, curtas-metragens
e conteúdo para telefonia celular. O faturamento
anual é de R$ 1 milhão, em média.
"Neste momento estamos captando metade dos
recursos para os projetos do 'Sapo' e do 'Indiozinho'.
A outra parte será bancada pela FRV. Mas
vejo o quanto à nova etapa é reflexo
do que aprendi com a ABPI-TV, seja participando
de eventos internacionais, seja recebendo consultoria
internacional", afirma a diretora e sócia
da produtora, Silvia Prado, que criou seus personagens
tipo exportação junto com o animador
e roteirista Paulo José.
Silvia chama a atenção
para o sofisticado grau de exigência do
mercado externo, em relação à
forma como o produtor de animação
aproveita seu desenho em vários produtos,
a exemplo dos games e aparelhos de telefone celular.
É fundamental ter também um bom
plano arquitetado antes de oferecê-lo. E,
para isso, é necessária a ajuda
de um consultor especializado. Exportar, na verdade,
representa a sobrevivência de muitas produtoras.
Como as emissoras brasileiras produzem tudo o
que exibem e não dão chance às
independentes, é grande o número
de programas que mofam nos arquivos sem direito
à veiculação.
Segundo o diretor-executivo da
ABPI-TV, Luiz Alberto César, o Brasil é
o único país a cometer essa injustiça.
"Nos Estados Unidos, as emissoras de TV veiculam
40% do que produzem. O restante é preenchido
com outras produções. Já
na Colômbia, o percentual chega a 100%.
O mesmo acontece com o canal franco-germânico
Arté, que também transmite somente
produções de terceiros. No Brasil,
a TVE é a única a abrir a grade
para nossa produção, mesmo assim
com pouco espaço", compara.
Apesar de manter o tom crítico
com relação ao desinteresse das
emissoras abertas, o presidente da ABPI-TV, Fernando
Dias, sugere que as produtoras acompanhem o interesse
das TVs e vice-versa. Um caso feliz é o
concurso Documenta Brasil, fruto da parceira entre
ABPI-TV, Minc, Petrobras e SBT. Dos 267 projetos
de documentários inscritos até junho
passado, quatro terão produção
financiada em R$ 550 mil cada um. A partir de
2007, os quatro documentários serão
exibidos pelo SBT e em salas de cinema digital.
Infelizmente, isso não
passa de um caso isolado. Ainda é muito
difícil exibir no Brasil. Quem conhece
bem todo esse processo é a veterana Canal
Azul, produtora carioca de médio porte,
cujo grande produto diferencial são documentários
sobre a natureza e a natureza subaquática.
'O Continente Gelado', de Amyr Klink, e 'Tartarugas
Marinhas, Sobreviventes em Extinção',
veiculados pela National Geographic, são
exemplos de sucesso da produtora.
A mais nova empreitada é
o documentário 'Rebelião dos Tubarões',
filmado durante um ano no Recife, que estreou
na Discovery em agosto. E o próximo programa,
a ser executado em março de 2007, abordará
o boto da Amazônia, em co-produção
com a francesa Bonne Pioche. Para o sócio-diretor
da Canal Azul, Ricardo Aidar, não há
receitas para exportar, mas é fundamental
se preparar. "As produtoras mais novas agora
podem contar com as capacitações
e as missões da ABPI-TV, que estreitam
o relacionamento com emissoras internacionais".
(Agência Sebrae de Notícias)
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