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Balança
do setor têxtil fechou semestre no vermelho
A Associação Brasileira
da Indústria Têxtil e de Confecção
(ABIT) divulgou o balanço do setor no primeiro
semestre de 2006. De acordo com o levantamento
da entidade, o saldo comercial têxtil e
de confecção apresentou inversão
em comparação com o mesmo período
do ano passado: o saldo positivo de US$ 213 milhões
foi substituído por um déficit de
US$ 1,7 milhão.
“Este resultado reflete
um cenário desfavorável para a indústria
têxtil e de confecção nacional
que enfrenta problemas com o câmbio valorizado,
falta de acordos internacionais, importações
asiáticas ilegais e a alta carga tributária”,
diz o diretor-superintendente da ABIT, Fernando
Pimentel.
De janeiro a junho deste ano,
as importações do setor têxtil
e de confecção alcançaram
US$ 987,8 milhões, um aumento de 34,35%
em comparação com o mesmo período
do ano passado, quando o total importado foi de
US$ US$ 735,3 milhões. Em volume, o aumento
foi de 27,36%, com 362,5 mil toneladas, contra
284,6 mil toneladas no primeiro semestre do ano
passado.
As exportações cresceram
somente 3,98% alcançando US$ 986,1 milhões
neste semestre contra US$ 948,4 milhões
nos primeiros seis meses de 2005. Em volume, a
alta foi de 16,5%, passando de 284,1 mil toneladas
para 331,2 mil toneladas. O aumento se deve, principalmente,
à exportação de fibras de
algodão que nesse período registrou
crescimento de mais de 70%. Excluídas as
exportações dessa matéria-prima,
que representaram 35,49% do volume total exportado,
as vendas externas do setor tiveram queda de 1,23%
em relação ao primeiro semestre
de 2005.
O setor de confecções,
no qual estão os produtos de maior valor
agregado da cadeia produtiva, apresentou queda
tanto no volume como no valor exportado no primeiro
semestre, o que indica que o Brasil está
deixando de ser um fornecedor de bens manufaturados
para ser um vendedor de matéria-prima.
Foram exportados US$ 319,8 milhões contra
US$ 374,9 milhões no mesmo período
de 2005.
Os produtos de vestuário
foram os que apresentaram as maiores quedas. Em
média, a redução foi de 30,5%
no volume exportado. As importações
neste segmento, no entanto, cresceram 45,6% saltando
de US$ 129,2 milhões para US$ 188,2 milhões.
O aumento da venda de matéria-prima
e a diminuição da exportação
de produtos de maior valor agregado preocupa os
empresários nacionais pois indica que o
setor está criando empregos em outros países
e destruindo empregos na cadeia produtiva brasileira.
Em volume, a China foi responsável
por 59,4% das importações brasileiras
de vestuário nos primeiros seis meses do
ano. Do total das importações (US$
987,8 milhões) no período, US$ 274
milhões vieram daquele país asiático
representando um aumento de 68% em comparação
com o primeiro semestre do ano passado.
O volume de mercadorias têxteis
e de confecções importadas da China
poderia ter sido maior neste primeiro semestre
não fosse a entrada em vigor, em março,
do Acordo de Restrições Voluntárias
assinado entre o Brasil e a China. No entanto,
apesar do Acordo, o maior problema do setor é
entrada de produtos de forma ilegal. “É
preciso um controle intensivo da Receita Federal
em todos os portos, aeroportos e portos seco.
Uma fiscalização cada vez maior
para impedir a importação ilegal”,
afirma Pimentel.
De acordo com levantamento da
ABIT, do valor total de US$ 987,7 milhões
importado no semestre, US$ 358 milhões
entraram pelo porto de Santos, US$ 161,4 milhões
pelo porto de Vitória e US$ 99,1 milhões
por Itajaí.
Os principais países para
os quais o Brasil exportou foram Argentina, Estados
Unidos, China e Indonésia, esses dois últimos
mercados não tradicionais, o que é
explicado pelos embarques de matérias-primas,
como as fibras de algodão e sisal.
Mercado
interno
O aumento das importações
de têxteis e confecções refletiu
negativamente no mercado interno. Embora ainda
não fechadas para o semestre, as últimas
pesquisas divulgadas pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) registraram
redução na produção
e queda no emprego. As vendas no varejo, no entanto,
apresentaram alta, o que demonstra que os produtos
importados estão substituindo os fabricados
no Brasil.
De acordo com dados do IBGE, no
acumulado de janeiro a maio deste ano, o setor
têxtil diminuiu seu pessoal ocupado em 2,73%,
em comparação com igual período
do ano passado. No vestuário, a baixa foi
ainda maior: 4,38%, ampliando sua trajetória
de queda, que perdura por mais de 24 meses.
Cerca de 260 mil empregos foram
eliminados no setor de vestuário nos últimos
5 anos, segundo levantamento da ABIT. As demissões
foram acentuadas a partir da valorização
do Real frente ao dólar, que diminuiu a
competitividade dos produtos brasileiros no mercado
externo, ao mesmo tempo em que as importações
brasileiras de produtos chineses aumentaram, principalmente
a ilegal.
A moeda brasileira valorizou 60%
no período de janeiro de 2003 a junho de
2006, enquanto o yuan apenas 4%, com isso os produtos
brasileiros ficaram 60% mais caros no mercado
externo, enquanto o chinês 60% mais baratos
no Brasil. Além do câmbio, os empresários
brasileiros concorrem com o mercado chinês
em condições desiguais. Os juros,
carga tributária e custo de mão-de-obra
são muito altos no Brasil, ao contrário
do ocorre na China.
Embora a indústria de transformação
brasileira tenha registrado alta de 2,97% na produção
nos cinco primeiros meses deste ano até
maio, o mesmo não foi verificado no setor
têxtil e de confecção. Conforme
o IBGE, nesse período, a queda no setor
têxtil foi de 2,64%. No segmento vestuário
a produção encolheu 6,1% em comparação
ao mesmo período do ano passado.
Já as vendas no comércio
varejista vêm registrando alta. Até
abril o aumento no setor têxtil era de 2,63%,
o que comprova que o mercado interno vem sendo
abastecido por produtos internacionais.
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