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CEB investirá R$ 400 milhões em álcool e açúcar

A CEB – Clean Energy Brazil PLC, empresa de investimentos criada com o propósito de oferecer aos investidores a opção de entrar no mercado de álcool e açúcar no Brasil, acaba de captar cerca de R$ 400 milhões no AIM (Alternative Investment Market), da London Stock Exchange. O IPO foi realizado na bolsa de valores de Londres no dia 18 de dezembro, gerando uma captação de 100 milhões de libras.

As energias renováveis, como o etanol, são uma tendência mundial, tanto por conta de fatores econômicos como ambientais. Tendo em vista o alto potencial da agricultura de cana no Brasil a produção de álcool e açúcar no país é um nicho excelente para os investidores. Por enquanto, só existe uma única usina com capital aberto e embora essa seja uma tendência (outras quatro companhias já anunciaram o IPO), para o investidor que está longe do negócio e quer diluir o risco, uma empresa especializada na área pode ser uma boa opção.

Essa é a premissa que deu origem à CEB. Para completar a fórmula, a empresa terá como “advisor” a Temple Capital Partners, consultoria criada exclusivamente para essa finalidade e que conta com a participação da Czarnikow (líder mundial de serviços para o mercado de açúcar) da Agropecuária Orlando Prado Diniz Junqueira – AGROP (empresa de consultoria e serviços na especializada área agrícola) e Numis Corporation (banco de investimentos com forte atuação na área de estruturação financeira).

“Um dos diferenciais é que o know-how combinado na composição da Temple Capital Partners, que será a gestora executiva da CEB, além de garantir uma seleção de alto nível, apoiará as empresas que receberão os recursos de forma a otimizar os resultados”, explica Antonio Monteiro de Castro, presidente do conselho da CEB. A equipe de consultores contará, no Brasil, com 40 especialistas que compõem os quadros funcionais das empresas envolvidas.

A Czarnikow, fundada em 1861, é hoje a líder mundial de serviços para o mercado de açúcar, com 11 escritórios que prestam serviços para agricultores, usinas e compradores. No Brasil presta serviços de consultoria, fusões e aquisições, pesquisa de mercado e gerenciamento de risco, além de facilitação comercial para exportação e financiamento.

A AGROP, de propriedade de Marcelo Schunn Diniz Junqueira (empresário tradicional no setor sucroalcooleiro e reconhecido expert em análise e comercialização de créditos de carbono), presta serviços de consultoria em agronomia e serviços de operação agrícola e industrial. A Numis Corporation é um banco de investimentos independente, com sede em Londres, que dispõe de um setor específico voltado ao desenvolvimento de oportunidades de negócios nas áreas de energias renováveis e redução de emissão de gases (créditos de carbono).

No Conselho da própria CEB seis diretores não-executivos fazem parte, presidido por Antonio Monteiro de Castro, que acumula funções de COO (Chief Operation Officer) na British American Tobacco e é diretor da Fundação Getúlio Vargas. Os demais diretores são: Michael Aldwyn (diretor da Merrill Lynch Latin American Investment Trust), Richard Jewson, Marcelo Junqueira, Tim Walker, Philip Scales, todos com ampla experiência no mercado corporativo e de capitais.

Com o recurso do IPO a Clean Energy Brazil pretende investir em pelo menos quatro negócios, sendo que um deles já está com contrato de intenções assinado e outros dois projetos estão em fase de “due dilligence” (análise). A meta é que, em 2012, a capacidade de produção das empresas da CEB somadas totalize o esmagamento de 30 milhões de toneladas de cana por ano.

Para se ter uma idéia, cada usina considerada eficiente tem capacidade individual entre 1 milhão e 3 milhões de toneladas, já que quantidades inferiores a 1 milhão não trazem retorno financeiro e superiores a 3 milhões comprometem o resultado por conta do custo com o transporte da cana, que passa a ser muito alto.

O Brasil é hoje o país com o custo de produção de açúcar e álcool mais baixo em todo mundo. A prova irrefutável é que esse ano o mercado de exportação de açúcar gira cerca de 40 milhões de toneladas, segundo a área de pesquisas da Czarnikow, sendo que 50% são oriundas do Brasil.

No mercado de álcool, embora os estudos sejam menos precisos, estima-se uma participação brasileira de quase 70% nas exportações, que seriam de 5 bilhões de litros. Levando-se em consideração também o mercado interno, o Brasil gira esse ano quase US$ 20 bilhões de receitas, somando-se álcool e açúcar.

Para melhorar o cenário, o País tem um enorme potencial de expansão de área no cultivo da cana-de-açúcar. Segundo a Czarnikow, existem 6 milhões de hectares com cana-de-açúcar no Brasil, contra 260 milhões de hectares de área livre e inexplorada para cultivo e outros 54 milhões com outros tipos de cultura.


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