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Copa e greve afetaram atacado de químicos em junho

As vendas em dólares do setor de distribuição de produtos químicos e petroquímicos apresentaram em junho redução de 5,9% na comparação com o mês anterior, invertendo a tendência crescente de maio, quando se registrou acréscimo mensal significativo de 17,3% em relação ao mês de abril. A tendência de queda foi confirmada pela maioria (83%) dos informantes do Relatório Tendências, elaborado pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim).

De acordo com Rubens Medrano, presidente da Associquim/Sincoquim, “os principais motivos apontados pelos informantes do Relatório foram as paralisações ocorridas nos dias de jogos da Copa do Mundo, reduzindo o número de dias úteis e criando, além disso, uma predisposição de interrupção do trabalho, desfavorável às vendas do setor”.

Além deste fato, complementa Medrano, foi lembrada a greve ocorrida com os auditores da Receita, atrasando o recebimento de mercadorias durante o mês e provocando faltas importantes que influenciaram negativamente as vendas. Aqueles que declararam ter ocorrido aumento nas vendas comparativamente ao mês anterior, justificaram o fato pela existência de novos negócios e em função da regularização da oferta de linhas de produtos nos estoques. O faturamento em reais no mês de junho apresentou a mesma tendência de queda na comparação das vendas em dólares, embora em menor magnitude, com redução de 3,5%.

Apesar dos fatores sazonais que influenciaram as vendas, verifica-se que a produção industrial do país continua a apresentar resultados positivos em relação a idênticos períodos do ano passado, em conseqüência da conjugação de diversos fatores. Dentre eles, destaca-se o aumento de renda observado nos últimos meses que, aliado à estabilidade dos preços de itens componentes dos índices de preços têm favorecido a venda de bens essenciais às camadas de menor renda e também de bens financiáveis, uma vez que a oferta e as facilidades de crédito continuam abundantes.

O último resultado divulgado pelo IBGE relativo ao Estado de São Paulo mostra crescimento de 4% na produção industrial até o mês de maio e de 3% no acumulado dos 12 meses anteriores, fator que explica o comportamento positivo das vendas do setor distribuidor de matérias primas e insumos utilizados por diversos tipos de indústria. Com o resultado do mês de junho as vendas do semestre continuam superiores às alcançadas em igual período do ano passado, com vantagem representativa, mostrada no gráfico abaixo.

A previsão de curtíssimo prazo referente ao mês de julho aponta para crescimento de 3,2% nas vendas em dólares, em comparação com o mês de junho. Em relação aos próximos meses existem perspectivas de manutenção de crescimento dos principais indicadores da economia, com variações positivas na produção industrial e nas vendas do comércio varejista.

As variáveis que têm influenciado a atividade econômica, ao que tudo indica, não deverão mostrar arrefecimento, uma vez que a oferta de crédito deve permanecer no mesmo patamar, fortalecida também pelas facilidades postas à disposição dos consumidores pelas empresas do comércio varejista, que através de cartões próprios têm ampliado os prazos de pagamento, conseguindo aumentar suas vendas.

Observa-se que em todos os meses as vendas do ano em curso se posicionam acima das realizadas em igual período do ano passado, confirmando o desempenho favorável da indústria, obtido também em função das exportações que conseguem manter positivo o saldo da balança comercial.

Outra forma de leitura dos resultados positivos, pode ser efetuada através do gráfico apresentado abaixo, que mostra as variações percentuais das vendas acumuladas nos meses já decorridos, em relação a iguais períodos do ano passado. As variações representadas foram obtidas a partir da divisão dos índices de vendas dos meses de 2006, pelo índice do mesmo mês de 2005.

Nota-se que a maior vantagem ocorreu nos meses de janeiro e março, com 17,9% e 14,2% respectivamente, enquanto no final do primeiro semestre a diferença das vendas acumuladas reduziu-se para 10,4% em relação a igual período de 2005.

A comparação dos índices das vendas em dólares dos diversos meses de junho, a partir de 2002, permite observar a situação de junho do ano em curso, relativamente a iguais meses de anos passados.

A evolução apresentada confirma o péssimo ano de 2003, com o pior comportamento de vendas dos meses do período analisado, fruto de uma política econômica restritiva, com juros elevados, controle monetário forte e metas rígidas de superávit primário, fatos que provocaram crescimento ínfimo do PIB, que segundo as contas nacionais cresceu 0,3%.

As operações efetuadas no mercado não apresentam modificações sensíveis, quando os principais indicadores da atividade mantêm estabilidade, como no momento atual. Em conseqüência, as empresas não alteram sua forma de operar, a não ser que algum fato excepcional ligado à concorrência assim determine. Os principais parâmetros de atuação foram mantidos, com estoques operados em níveis bastante prudentes, equivalendo em média a 41 dias de vendas. O valor apurado mostra-se um pouco maior do que o alcançado no mês anterior, em virtude da frustração de vendas observada em junho, que forçou para cima, os 36 dias de vendas observados em maio.

Com referência aos preços dos itens comercializados as oscilações foram pequenas, com crescimento de 0,4% nos itens nacionais e de 0,3% nos de origem externa. Questão relacionada com a comparação entre preços do setor e a apurada pelo IBGE através do IPCA, recebeu grande incidência de respostas que dão conta do fato que os preços de insumos e matérias primas, guardam pequena relação com os índices de preços ao consumidor, apresentando peculiaridades relacionadas com o nível de oferta, com a demanda de momento e outros fatores internacionais que determinam níveis diferenciados de preços para os diversos itens do setor.

As médias dos prazos praticados nas operações de compras e vendas foram respectivamente de 37 dias e de 32 dias, nas quais foram adicionados 2,5% ao mês como custos financeiros.


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