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Varejo na Grande SP cresceu 4,7% em agosto

Sustentadas pelo crédito, as vendas do comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo cresceram 4,7%, em comparação a igual mês do ano passado, elevando a taxa acumulada em 2006 para 3,5%. O resultado positivo decorre do bom desempenho verificado nos grupos de vestuário, material de construção e farmácias. Quedas nos segmentos de supermercados e autopeças impediram um crescimento mais expressivo do índice mensal. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).

De acordo com o presidente da entidade, Abram Szajman, o crédito e a recuperação da renda do trabalhador colaboraram, positivamente, para a expansão das vendas. Em agosto, as concessões de financiamentos para pessoas físicas atingiram R$ 43 bilhões, acumulando cerca de R$ 328 bilhões no ano. Por outro lado, o endividamento, pressionado pelas altas taxas de juros às pessoas físicas, atuou como freio à meta de se alcançar um ciclo expressivo de vendas no varejo.

Dados do Banco Central mostram que o juro nominal médio mensal acumulado até agosto deste ano foi de 3,83%, enquanto o IPCA do período fechou em 3,84%. Para o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman, como os consumidores costumam optar por financiamentos de 12 meses, a quitação dos débitos acompanha a seguinte lógica: "no primeiro mês, eles pagam a inflação do ano. No segundo, liquidam o custo real do empréstimo que contraíram e, nos outros dez meses, colaboram para garantir o lucro dos bancos e os impostos do governo". Veja abaixo as avaliações setoriais:

Vestuário, Tecidos e Calçados

O faturamento real aumentou 15,5% em agosto, na comparação com igual período de 2005. A atividade registrou crescimento em quase todos os meses de 2006. Como resultado, acumula alta de 11,4% no ano. A expectativa para o próximo quadrimestre é a de que as vendas permaneçam aquecidas, porém em menores proporções.

Material de Construção

Desde 2004, o setor não obtinha um desempenho tão favorável. Em agosto, o faturamento real cresceu 12,3%, contra o mesmo período de 2005, acumulando, no ano, aumento de 3,4%. A tendência é de alta nos próximos meses.

Farmácias e Perfumarias

Em agosto, o setor registrou a maior alta, deste dezembro de 2004: 13,9%, ante igual período de 2005. No acumulado no ano, o aumento é de 8,6%. A Fecomercio atribui o resultado à disseminação e ao aumento do consumo de medicamentos genéricos. Outro fator que influenciou positivamente foi a popularização dos cartões de lojas nas grandes redes, proporcionando condições mais acessíveis de pagamento ao consumidor.

Lojas de Departamentos

O segmento acusou a segunda melhor reação dentre os pesquisados na PCCV. A alta de 6,4% em agosto colaborou para reduzir as perdas no acumulado no ano, a -0,6%. Em janeiro deste ano, a queda no faturamento real foi de 9,8%.

Lojas de Móveis e Decoração

Apesar da melhora no desempenho, a alta de 3,1% em agosto não foi suficiente para reverter a queda de 6,2% do faturamento real acumulado em 2006. A Fecomercio avalia que o aumento da produção industrial de móveis, aliado à expansão do setor imobiliário, pode ter contribuído para o resultado.

Lojas de Eletrodomésticos

O indicador de vendas se manteve estável em agosto, com oscilação negativa de 0,1% em relação ao mesmo período de 2005. O resultado encerra uma seqüência incisiva de quedas, iniciada em janeiro deste ano. Em oito meses, o faturamento real acumula perdas de 12,4%.

Concessionárias de Veículos

O faturamento real oscilou negativamente (0,3%) em agosto e fechou em -0,4% no acumulado no ano. O resultado é expressivo, uma vez que o segmento reverteu, nos últimos dois meses, uma queda acumulada de 3,6% no primeiro semestre. A oferta de crédito para a atividade, que nos últimos 12 meses cresceu cerca de 32%, sustenta este cenário

Lojas de Autopeças e Acessórios

Após um ciclo de sistemático de crescimento, o segmento registrou uma queda expressiva de vendas em agosto: 19,9%, em relação ao mesmo mês de 2005. A taxa acumulada no ano, que até junho era positiva, passou a -3,3%. O desempenho é reflexo da crescente oferta de produtos importados, principalmente da China, que são mais baratos e reduzem o volume monetário das vendas.

Supermercados

O faturamento real caiu 4,8% em agosto, frente a igual mês do ano passado. Este é o pior desempenho verificado no setor nos últimos quatro anos. Pode-se atribuir a queda, em parte, à deflação nos preços. No acumulado no ano, apesar de registrar crescimento de 4,1%, a venda real continua em franca desaceleração.


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