Falta imóvel para alugar em SP, diz Creci

Os resultados da pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (CRECI-SP) com 467 imobiliárias da Capital em fevereiro mostram uma tendência no mercado de locação. Segundo 78,81% (368) das empresas consultadas, faltam imóveis residenciais para alugar na cidade de São Paulo e apenas 21,19% dos entrevistados disseram não haver escassez de apartamentos ou casas para locação.

A maioria das imobiliárias - 53,99% - apontou as propriedades de 2 dormitórios como as menos disponíveis no estoque de ofertas para locação. Na seqüência estão as de 1 dormitório (29,38%), 3 dormitórios (11,62%), quarto-e-cozinha (4,56%) e 4 dormitórios (0,46%). Além disso, por faixa de valor, a escassez é maior para os imóveis entre R$ 400,00 e R$ 600,00, segundo 37,16% das imobiliárias consultadas pelo CRECI-SP.

Casas e apartamentos com aluguel entre R$ 200,00 e R$ 400,00 vêm a seguir, citados por 22,68% das imobiliárias como os que menos se encontram disponíveis no mercado para locação. A faixa entre R$ 600,00 e R$ 800,00 foi mencionada por 18,85% das empresas; e 10,38% citaram valores entre R$ 800,00 e R$ 1.000,00. Das empresas que responderam a pesquisa, apenas 6,01% afirmaram que os imóveis mais escassos são os de valor de locação até R$ 200,00 e 4,92% acreditam que a maior dificuldade encontra-se na faixa de mais de R$ 1.000,00 de aluguel.

"Os resultados da pesquisa CRECI-SP revelam um problema e uma oportunidade no mercado de locação", avaliou o presidente do Conselho, José Augusto Viana Neto. "O problema é não haver imóveis disponíveis exatamente na faixa em que mais se aluga e a oportunidade surge para os proprietários, neste momento, de alugar rapidamente o imóvel que tenham disponível nesta faixa de valor e porte procurados."

A pesquisa CRECI-SP de fevereiro endossa a afirmação do presidente do CRECI-SP. Os imóveis mais alugados pelas 462 imobiliárias consultadas foram os situados na faixa de valor entre R$ 401,00 e R$ 600,00, com 30% do total. "É um comportamento que se repete mês após mês e que indica, portanto, ser necessário concentrar nessa faixa de mercado os investimentos e os programas sociais de construção para ampliar a oferta de habitações necessárias ao atendimento dessa demanda reprimida", argumentou José Augusto Viana Neto.

Em fevereiro, a pesquisa CRECI-SP constatou um aumento de 2,21% no número de novos contratos de aluguel. O índice de locação da Capital evoluiu de 2,1453 para 2,1927 no período, quando foram alugados 1.024 imóveis. As casas foram as preferidas, com 52,54% do total.

As 467 imobiliárias pesquisadas pelo CRECI-SP registraram a devolução de 410 imóveis em fevereiro, número 15,21% inferior ao de janeiro. A inadimplência aumentou 5,57% no período, atingindo 5,95% dos contratos em vigor nas imobiliárias.

Segundo a pesquisa CRECI-SP, houve maior número de altas (25) do que de baixas (16) nos valores médios dos aluguéis em fevereiro na comparação com janeiro. O aluguel que mais aumentou - 4,67% - foi o de casas de 3 dormitórios situadas na Zona B, onde estão bairros como Aclimação e Ibirapuera. A locação passou de R$ 1.326,92 em janeiro para R$ 1.388,89 em fevereiro. Já o aluguel que mais baixou - 7,07% - foi também o de casas de 3 dormitórios, mas localizadas na Zona C - região de bairros como Aeroporto e Lapa. O valor médio caiu de R$ 1.085,00 para R$ 1.008,33.

Levantamento nos Fóruns da Capital revelou um aumento de 18,07% em Fevereiro no número de ações judiciais. Consideradas individualmente, as ações apresentaram o seguinte resultado em fevereiro:

Consignação: + 27,27% (de 11 para 14)

Falta de pagamento: + 18,32% (de 1.348 para 1.595)

Ordinárias: + 15,22% (de 92 para 106)

Renovatórias: + 13,95% (de 43 para 49).

O número de imóveis usados vendidos na Capital paulista em fevereiro foi 1,73% inferior às negociações realizadas em janeiro, segundo pesquisa feita pelo CRECI-SP com 467 imobiliárias. O índice de vendas da cidade recuou de 0,4837 para 0,4754. As imobiliárias venderam 222 imóveis no período, sendo 56,31% apartamentos e 43,69% casas. A maioria das vendas foi feita à vista, 61,26% do total. Os imóveis mais vendidos - 59,71% - foram os situados na faixa de valor de até R$ 100 mil.

No segmento de apartamentos, a pesquisa CRECI-SP constatou 10 ocorrências de alta e 5 de baixa. O preço que mais aumentou, 7,68%, foi o de apartamentos de padrão standard construídos entre 8 e 14 anos e situados na Zona D, onde estão agrupados bairros como Água Rasa e Jardim Miriam. O preço médio do metro quadrado evoluiu de R$ 809,87 em janeiro para R$ 872,04 em fevereiro. A maior baixa - 5,06% - também foi registrada na Zona D, com imóveis de padrão médio, construídos entre 8 e 14 anos. O valor do metro quadrado recuou de R$ 1.275,33 para R$ 1.210,80.

No mercado de casas, a pesquisa CRECI-SP registrou 10 ocorrências de aumento de preços e 9 de redução. Aumentou mais o preço dos imóveis situados na Zona D, de padrão médio, com até 7 anos de construção - 7,03%, com o valor médio do metro quadrado evoluindo de R$ 1.641,00 em janeiro para R$ 1.756,43 em fevereiro. O preço que mais baixou - 6,89% - foi o de casas de padrão standard localizadas na Zona C, de bairros como Ipiranga e Moóca: o valor médio do metro quadrado era R$ 855,00 e baixou para R$ 796,11 no período.


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