Fecomercio-SP diz que medidas do governo são insuficientes

12-12-2008

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) avalia que as medidas anunciadas pelo governo para amenizar os impactos da crise financeira e incentivar o consumo, apesar de positivas não são suficientes para conter o problema que poderá se instalar no Brasil em 2009. Entre as medidas anunciadas estão: a isenção das alíquotas do Imposto de Renda (IR), a redução do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

“É louvável e alentador que medidas de desoneração, redução de alíquotas de IR e estímulo ao crédito, como forma de estimular o consumo das famílias. Mas ações pontuais são efêmeras, de eficácia reduzida e podem se mostrar conflitantes entre si. Um caminho mais coerente seria realizar um corte efetivo dos gastos de custeio para direcioná-los em investimentos públicos, estimulando também o investimento privado por meio de um corte incisivo na taxa de juros, já que é pouco provável qualquer pressão inflacionária no curto e médio prazos”, diz em nota Abram Szajman, presidente da Fecomercio.

Na visão da Fecomercio, a isenção do IR é uma medida de impacto localizado e bastante reduzido sobre o nível de consumo doméstico global. O varejo deve movimentar em 2009, valor acima de R$ 700 bilhões, ou seja, os R$ 4,9 bilhões de redução, mesmo que totalmente carreados para o consumo, o que é improvável, representariam apenas 0,7% desse valor. É importante ressaltar que se a tabela fosse devidamente corrigida na última década, o valor disponível para os assalariados seria muito superior ao benefício concedido neste momento, sem nenhuma alteração de alíquotas.

Em relação ao IOF, a medida visa baratear o custo dos empréstimos para pessoas físicas, mas fará com que o governo deixe de arrecadar R$ 2,5 bilhões em 2009. Para a entidade, a iniciativa pode servir como estímulo à oferta de crédito, mas não à demanda. Na prática, tem impacto macro para os bancos que podem se interessar pela renúncia fiscal, enquanto para o consumidor o efeito é virtualmente zero nas prestações.

A redução temporária do Imposto sobre IPI incidente sobre automóveis equivale a uma perda de R$ 1 bilhão na arrecadação e estima-se que o benefício gere uma redução de preços entre 3,5% e 5% para veículos de até 2 mil cilindradas. A Fecomercio atenta para o fato de que o grande problema nesse mercado está no comércio de veículos usados, que está em queda livre em função do aperto muito mais severo de crédito do que o ocorrido com os carros novos.

Na visão da Fecomercio, o momento é para eliminar a crise de confiança que inegavelmente se acentua. Com a confiança retomada, por meio de uma política econômica bem estruturada, certamente o Brasil enfrentará qualquer ameaça de crise de forma muito mais fortalecida e confortável.

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