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Cresce a concentração
no setor de café no Brasil
15-10-2008
Estudo realizado pela ABIC - Associação
Brasileira da Indústria Cafeeira
constatou que a concentração do setor
vem se acentuando: as 10 maiores empresas concentram
71,01% da produção total das associadas
da ABIC, contra 70,29% na pesquisa anterior. Na mão
inversa, as 315 menores empresas tiveram sua participação
reduzida de 7,88% para 7,32% da produção
total das associadas.
"Analisadas por grupos e portes, as empresas mostraram
um desempenho muito distinto, com as maiores crescendo
acentuadamente e as menores estáveis ou decrescendo",
avalia Natal Martins, da área de Pesquisa e Informações
da ABIC.
Os dados internos mostram que as 15 maiores empresas
declararam um crescimento médio de 7,59%; as
50 maiores cresceram 6,80%, enquanto as 100 menores
somente ampliaram sua produção em 0,19%.
O resultado consolidado das associadas reduziu-se, portanto,
para 5,55%.. Já as empresas do Grupo Piloto,
que são consideradas para o balizamento de tendências,
indicam um vigoroso crescimento de 6,98% (diferença
das Medias Moveis entre Abril/08 e Abril/07 -Tabela
5).
"Em função destes dados e de suas
grandes diferenças, nesta apuração,
decidimos assumir uma nova hipótese, bastante
conservadora e que reduziu o resultado final do trabalho.
A hipótese assumida é a de que as empresas
não-associadas e o consumo não cadastrado
(informal e nas fazendas) não cresceram, contribuindo
com 0% na média final, ou seja, que o grupo das
maiores empresas assumiu parte do mercado das menores",
conclui Natal Martins.
Dessa forma, e considerando informações
de mercado de que o café solúvel teria
ampliado em 1% suas vendas no período, a pesquisa
da ABIC chega ao resultado final assumido de 3,43%,
o que remete ao consumo anual de 17,45 milhões
de sacas no período considerado. A nova apuração
do Consumo Interno será feita com os dados acumulados
no período Novembro/2007 a Outubro/2008 e divulgada
no final do ano.
Consumo
Ainda segundo o estudo, no período compreendido
entre maio de 2007 e abril/2008, considerado como intermediário
e indicativo de eventuais tendências para o ano,
registrou o consumo de 17,45 milhões de sacas
de café, isto representando um acréscimo
de 3,43% em relação ao período
anterior correspondente (maio/06 a abr/07), que havia
sido de 16,87 milhões de sacas. "Isto significa
que o país ampliou seu consumo interno de café
em 570 mil sacas nos 12 meses considerados", diz
Natal . A meta da ABIC é a de chegar ao final
de 2008 com um consumo interno de 18,1 milhões
de sacas, representando um crescimento de 5,8% em relação
a 2007 (17,1 milhões de sacas), poderá
ser atingida.
Já o consumo per capita foi de 5,64 kg de café
em grão cru ou 4,51 kg de café torrado,
quase 74 litros para cada brasileiro por ano, registrando
uma evolução de 2,1% em relação
ao período intermediário anterior, o que
confirma a constatação da pesquisa InterScience
(http://www.abic.com.br/estat_pesquisas.html), de que
as pessoas estão consumindo mais xícaras
de café por dia. Esta pesquisa mostra que 9 em
cada 10 brasileiros acima de 15 anos consome café
diariamente, o que faz do café a segunda bebida
com maior penetração na população,
atrás apenas da água e à frente
dos refrigerantes e do leite.
Este resultado iguala o consumo por habitante/ano do
Brasil (5,64 kg/hab/ano) ao da Itália (5,63 kg/hab/ano),
supera o da França (5,07 kg/hab/ano) ficando
pouco abaixo da Alemanha (5,86 kg/hab.ano). Os campeões
de consumo, entretanto, ainda são os paises nórdicos,
com a Finlândia alcançando 12 kg por habitante/ano.
"Por outro lado, considerando o café já
torrado e moído, o consumo per capita de 4,51
kg/hab/ano aproxima-se do consumo histórico de
1965, que foi de 4,72 kg/hab/ano", comemora o presidente
da ABIC, Almir José da Silva Filho. A importância
disto está no fato de que a ABIC, ao lançar
o Programa do Selo de Pureza, em 1989, anunciou que
pretendia reverter a queda no consumo de café
que havia à época por meio da oferta de
melhor qualidade ao consumidor, com o objetivo de retomar
o grande consumo interno registrado pelo extinto IBC
em 1965. "Parece que a hora está chegando!
Os consumidores brasileiros já reconhecem a melhora
da qualidade do café que lhes tem sido oferecido
e comemoram tomando mais xícaras a cada dia!",
analisa o presidente.
A ABIC continuará perseguindo a meta de atingir
21 milhões de sacas no ano 2010. Nos próximos
anos, a entidade pretende incrementar e consolidar o
mercado de cafés Superiores, Gourmet e Especiais.
Para tanto, em 2007 ampliou o leque de seus programas
de qualidade e certificação, que já
contam com o Selo de Pureza ao lado do PQC – Programa
de Qualidade do Café e tem agora o novo PCS –
Programa Cafés Sustentáveis do Brasil,
que assegura produção sustentável
desde a fazenda ate a xícara. A entidade lançou
também um inédito programa de qualificação
de cafeterias, o CCQ – Circulo do Café
de Qualidade, que já conta com 35 cafeterias,
algumas das melhores do Brasil.
Consumo retraído
De acordo com Natal Martins, a pesquisa mostra que os
primeiros meses de 2008 foram marcados por uma redução
na velocidade do crescimento do consumo de café.
"A expectativa da ABIC era para a manutenção
de uma média de 4,5% ao ano, enquanto esta apuração
intermediária indicou em resultado pouco menor
(3,43%)", diz. As causas podem estar ligadas à
temporária redução também
registrada pelo varejo supermercadista em outros gêneros
alimentícios, que foram afetados pela explosão
do consumo de bens duráveis no início
do ano, na esteira do aumento do poder aquisitivo da
população, do crediário e da migração
das classes D e E para a classe C.
"Em virtude deste fato, a ABIC continuou monitorando
o consumo, incluindo nesta apuração um
outro estudo denominado Sondagem Conjuntural da Indústria
de Café, que é uma medida do crescimento
das vendas do setor através de um Grupo Piloto
de 30 empresas, que participa da pesquisa desde Junho
de 2003", explica Martins. Este grupo indica a
tendência para as empresas com perfil das associadas
da ABIC, não contemplando os dados das empresas
não associadas ou do consumo não cadastrado.
Os dados deste Grupo Piloto mostram que o consumo vem
se recuperando e ampliando acentuadamente desde Maio/2008,
o que preserva a expectativa da ABIC de que 2008 seja
encerrado com um consumo interno de 18,1 milhões
de sacas (representando 5,8% em relação
a 2007)
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