Setor atacadista teve receita 6% maior em 2007

20-05-2008

O setor atacadista distribuidor atingiu um faturamento de R$ 105,8 bilhões, com crescimento real de 6,5% e nominal de 10,3%, na comparação com o ano de 2006. O montante significa 53,3% do mercado de consumo do varejo alimentar, que somou R$ 198,5 bilhões em 2007, contra uma participação de 53,1% em 2006, em um mercado de R$ 180,5 bilhões, de acordo com levantamento da Nielsen. Isso significa que, de cada R$ 100 reais comercializados pelo varejo mercearil, o atacado foi responsável pela venda de R$ 53,3. Atualmente mais de 970 mil pontos de venda são atendidos pelos atacadistas distribuidores no país.

Os dados foram divulgados pela ABAD – Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores e compõem o 13º Ranking ABAD/Nielsen 2008, com o desempenho das maiores empresas de atacado. Conforme avaliação da ABAD, o direcionamento à prestação de serviço para o pequeno e médio varejo foi fator determinante para o ganho no faturamento. Segundo a Nielsen, 95% dos supermercados pequenos (de um a quatro ckeckouts) e 67% dos supermercados médios (de cinco a 19 checkouts) são abastecidos por empresas atacadistas distribuidoras.

“As redes ampliaram o mix, conquistaram novos mercados e investiram em um atendimento especializado por canal de venda, região ou categoria. No ano 2000, se iniciou um forte movimento que gerou importantes investimentos na prestação de serviços pelo setor atacadista distribuidor, ao pequeno e médio varejo. Esse foco em serviços fortalecerá ainda mais o nosso setor”, diz Geraldo Eduardo da Silva Caixeta, presidente da ABAD.

Nesta edição, o Ranking ABAD/Nielsen contou com o total de 337 empresas, um aumento de 2,7% no número de empresas participantes, na comparação com o levantamento anterior quando eram 328 empresas. A mostra representa 29% do total de faturamento do setor. Todas as empresas listadas alcançaram a soma de R$ 32,3 bilhões em 2007, contra uma receita de R$ 27,9 bilhões em 2006, uma variação real de 11,8%.

Das empresas listadas no Ranking, as do setor mercearil apresentaram um incremento de 10,6% e uma receita bruta de R$ 25,9 bilhões em 2007, ante R$ 22,6 bilhões no ano anterior. Os atacadistas distribuidores do setor farma, com 20,2% de incremento, foram os que apresentaram o maior crescimento percentual de um ano para o outro, passando de uma receita de R$ 3 bilhões, para R$ 3,8 bilhões. Os distribuidores de material de construção cresceram 11,3% com faturamento de R$ 1,8 bilhão, contra R$ 1,6 bilhão em 2006.

O resultado demonstra que as empresas participantes do Ranking continuam dando maior ênfase à venda de produtos mercearis, que responde por 63,5% das vendas, contra 36,5% de produtos não-mercearis. Ainda assim, a categoria teve redução de 6,3% pontos percentuais, passando de 69,8% em 2006 para 63,5% em 2007. Essa redução pode indicar uma possível busca das empresas por aumento na diversidade de produtos comercializados. O crescimento das vendas de produtos das categorias de bebidas alcoólicas e de cosméticos confirma essa tendência.

Modalidades

As empresas que detém operação de distribuição e entrega passaram de 74,8% de participação no faturamento do setor em 2006, para 75,3% de participação em 2007. O auto-serviço apresentou uma pequena queda e de 22% em 2006, foi para 21% no ano passado. As atividades de balcão foram a grande surpresa do levantamento e passaram de 2,5% da receita atacadista em 2006, para 2,9% em 2007. Os operadores logísticos e de vendas ficaram em 0,5 no ano passado, mesma participação do ano anterior.

Das empresas listadas, os atacadistas distribuidores e de entrega apresentaram um incremento de 12,9% e 12,6%, respectivamente. O atacado de auto-serviço (cash & carry) com 8,7% de incremento, foi a modalidade que menos cresceu em faturamento no ano passado. Os atacadistas de balcão tiveram um crescimento de 13,6%, enquanto os operadores logísticos e de vendas foram os que apresentaram o maior crescimento no faturamento por modalidade, com 15,6% de variação de um ano para o outro. O crescimento médio das modalidades das empresas listadas no Ranking ABAD/Nielsen 2008 foi de 11,8% de um ano para o outro.

Este ano, o faturamento das empresas está listado separadamente no ranking, por modalidades de operações. Assim, os faturamentos de cada modalidade atacadista em distribuição/entrega, auto-serviço, balcão e operador de logística e de vendas, podem não corresponder ao faturamento total das empresas, que podem aparecer em mais de uma modalidade. Para se obter o faturamento total é preciso visualizar a tabela com a separação das empresas por estados.

Líderes

Em distribuição e entrega, o Martins (MG) continua na liderança com R$ 3,37 bilhões de faturamento em 2007, seguido pela Profarma (RJ) com R$ 2,6 bilhões e pela Tambasa (MG), com R$ 800 milhões.

No auto-serviço, o Makro (SP) é a maior empresa do País, com uma receita bruta de R$ 4,5 bilhões. No segundo lugar aparece o Assai (SP), novidade no Ranking desse ano e que somente nessa modalidade teve um faturamento de R$ 1,184 bilhão em 2007. Na terceira posição figura o Villefort (MG), com R$ 281 milhões.

O Carvalho Atacado (PI) é o líder na modalidade balcão, com um faturamento de R$ 157 milhões em 2007. O Rio Vermelho (GO) aparece na seqüência, com R$ 76 milhões em vendas. Logo depois em terceiro está o Zenilda Rebouças (BA), com R$ 74 milhões.

O Martins aparece mais uma vez como o líder, agora, na modalidade operação logística, com R$ 34 milhões faturados, seguida pela Distribuidora Muller (SC), com R$ 12,8 milhões e pela WDA Distribuidora (SP), com R$ 5,5 milhões.

Na operação de vendas, a Johncenter (RJ) teve uma receita de R$ 28,9 milhões e foi a primeira, seguida pela B&A (PB), com R$ 26,8 milhões. O Tozzo e Cia (SC), com R$ 20,7 milhões, foi o terceiro.

Regiões

O Nordeste continua sendo a região com o maior número de empresas atacadistas distribuidoras no Ranking. A região contou com 131 companhias no ano passado, contra 116 em 2006. Enquanto isso, o Sudeste, que tinha 70 empresas listadas no levantamento anterior, aparece com 68 empresas no estudo atual. Apesar disso, 73,7% do faturamento do setor advêm das empresas sediadas na região. A liderança continua com o estado de Minas Gerais, com 30,4% de participação na receita do setor, seguido por São Paulo e Rio de Janeiro, com 28% e 14,3%, respectivamente. As empresas dos estados de Goiás e do Rio Grande do Sul aparecem na seqüência e empatados, com 6,7% de participação na receita do setor.

Expectativas

Confiantes no cenário econômico brasileiro, 79% dos 337 maiores empresários do setor afirmam que aumentarão os investimentos em suas empresas este ano. Para 86% deles haverá aumento na base de clientes em 2008. A ampliação do mix continua na lista de prioridades do setor para este ano. Com otimismo elevado, 96% dos empresários do atacado distribuidor espera obter um crescimento no faturamento em 2008 e, para isso, aposta na parceria com novos fornecedores e na comercialização de novas categorias.

No ano passado, o setor investiu, em relação ao período anterior, na ampliação de sua infra-estrutura física, dos quadros de funcionários e das frotas. As empresas de atacado de auto-serviço ampliaram em 11,2% a sua área de vendas. Em todas as modalidades do atacado distribuidor, houve um aumento do quadro de funcionários. O destaque ficou para os vendedores contratados sob o regime CLT (vendedores diretos), que apresentaram um aumento de 14,4%. Entre os representantes de vendas (RCA), houve um aumento de 4,8% no quadro. Nas áreas administrativas, o número de funcionários do setor aumentou em 5,2%. Houve também um crescimento médio de 5,9% no total de funcionários contratados.

O atacado distribuidor também investiu na renovação da frota. O maior crescimento ocorreu entre a frota terceirizada, 21,8%. Por sua vez, a frota própria apresentou um aumento de 5,1%. Ao analisar as áreas de venda e armazenagem (seca e frigorificada), constata-se que o setor, graças aos seus investimentos, aumentou em 26,1% sua área de operação.

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