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Embrapa pesquisa novos
fertilizantes
29-12-2008
Em parceria com empresas do setor privado, a Embrapa
Solos está desenvolvendo fertilizantes orgânicos
à base de resíduos industriais. Com isso,
o Brasil poderá reduzir a importação
de nutrientes, que representa atualmente 75% do total
de 30 milhões de toneladas consumidas por ano.
Quanto ao potássio, o país importa anualmente
92% do volume consumido. “E a tendência
é aumentar”, disse o pesquisador José
Carlos Polidoro, um dos coordenadores do projeto.
A Roda d’Água, de Minas Gerais, foi a
primeira empresa privada que procurou a Embrapa interessada
em criar produtos inéditos no mercado de agricultura
orgânica, desenvolvendo fertilizantes próprios
para a agricultura tropical, para maior aproveitamento
dos nutrientes. Polidoro disse que o objetivo da Embrapa
Solos é estimula empresas nacionais que já
produzem fertilizantes orgânicos por processos
não-tecnológicos, baseados na simples
compostagem de resíduos orgânicos, oferecendo
apoio tecnológico para que seus produtos tenham
garantias técnicas mínimas que substituam
o produto importado.
Inicialmente, a Embrapa Solos aproveitará resíduos
usados pelo grupo Roda d’Água como matéria-prima,
entre eles resíduos de cervejaria, como bagaço
da cevada, fornecidos pela Ambev, e do restaurante industrial
da montadora de automóveis Fiat, para transformar
em fertilizante orgânico. “O que queremos
agora é aprimorar esse fertilizante.”
De acordo com Polidoro, o produto atende as exigências
para registro no Ministério da Agricultura. “Só
que não compete com o fertilizante mineral importado,
porque tem teor muito baixo de nutrientes.” Com
esse serviço, a Embrapa busca usar sua tecnologia
para colocar no mercado um fertilizante em condições
de competir com o importado.
Outro aspecto positivo é a proteção
do meio ambiente por intermédio do reaproveitamento
de resíduos na produção do fertilizante.
Para Polidoro, o uso de fertilizantes adequados é
um dos fatores necessários para a agricultura
orgânica brasileira alcançar alta produtividade
com baixo impacto ambiental. "Aí, torna-se
uma atividade profissional, que sempre se deve procurar
na agricultura.”
Oito pesquisadores trabalham no projeto de fertilizantes
orgânicos, que usa também resíduos
como aparas de grama, carvão, biofortificação
e dejetos de cavalos. “Além de ser uma
alternativa viável para diminuir a dependência
externa de insumos, evita-se o impacto ambiental desses
resíduos todos”, afirmou Polidoro.
Ele ressaltou que mesmo os produtos importados têm
de ser bem aproveitados na agricultura: “Não
podemos jogar fertilizante fora, nem deixar que resíduos
como potássio sejam destinados a lixões
e aterros sanitários, ou que fiquem acumulados
em pátios de indústrias. Isso tem de se
tornar fertilizante.” Para ele, as empresas precisam
começar a produzir fertilizante orgânico
competitivo a partir de resíduos industriais,
com adição de tecnologia. Para a agricultura
brasileira trata-se de uma questão de “segurança
nacional”, uma vez que o país precisa do
agronegócio para manter a balança comercial
positiva, disse o pesquisador.
"É um perigo depender tanto de uma importação
dessa, porque são poucos os países que
exportam nutrientes”. Os principais exportadores
de potássio são Rússia, Canadá,
China e Estados Unidos. Polidoro informou que o único
nutriente para fertilizantes produzido atualmente no
Brasil é o fosfato, que equivale a 50% do consumo.
Em 1993, o país produzia 100% de fosfato. “Tinha
até excedente, que exportávamos para a
América Latina. Hoje, importamos metade do fosfato”.
Com elevada reserva de fosfato, o Marrocos é
o principal fornecedor desse mineral ao Brasil. (Agência
Brasil)
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