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Firma de Dubai e Odebrecht
compram fatia de porto em Santos
01-09-2009
A Dubai Ports World, dos Emirados Árabes Unidos,
será a operadora do maior terminal multimodal
privado do Brasil, a ser construído no Porto
de Santos, litoral de São Paulo. A empresa anunciou
no domingo (30) a aquisição, junto com
a Odebrecht, de participação majoritária
na Empresa Brasileira de Terminais Portuários
(Embraport), responsável pelo projeto, que até
agora era controlada pelo Grupo Coimex, que inclui a
trading de mesmo nome.
“Queremos que seja não só o maior,
mas o melhor e mais competitivo terminal do país”,
disse ontem à ANBA o vice-presidente da Coimex,
Orlando Machado Júnior. Com o acordo, a DP World
e a Odebrecht passam a ter 51,4% do negócio,
a Coimex fica com 15,3% e o restante permanece com o
Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), da Caixa Econômica
Federal, que adquiriu a participação em
outubro do ano passado.
De acordo com Machado, o projeto, idealizado em 1998,
obteve todos os licenciamentos necessários, o
que levou oito anos, mas as obras ainda não foram
iniciadas. A Embraport aguarda a liberação
de financiamentos pedidos ao Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) e ao Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID).
Ele espera que isso ocorra até o final do ano
para que a construção comece, no mais
tardar, no início de 2010. “O primeiro
quadrimestre deste ano foi muito ruim, os financiamentos
estavam difíceis e algumas instituições
financeiras deixaram de existir”, declarou o executivo,
referindo-se à crise financeira internacional.
“Agora a situação vem mudando, o
mercado está melhorando e a instituições
financeiras voltando [a oferecer crédito]”,
acrescentou.
O valor do projeto é de R$ 1,1 bilhão,
sendo que 70% deve vir dos financiamentos e 30% de capital
próprio da Embraport. Segundo Machado, a busca
por novos sócios não teve o objetivo de
facilitar a obtenção dos créditos,
mas ele reconhece que a chegada dos dois pesos pesados
dá mais força ao empreendimento.
“Já tínhamos tomado a decisão
de buscar um sócio operador e a Odebrecht veio
junto, o que foi uma boa surpresa. O financiamento não
dependia disso, mas é óbvio que o ingresso
de duas companhias desse porte é uma enorme contribuição
ao projeto sob todos os pontos de vista”, disse
o executivo.
Segundo ele, a DP World vai agregar ao negócio
o know-how de quem administra 49 terminais portuários
ao redor do mundo, inclusive na América do Sul.
Já a Odebrecht tem longa experiência em
obras de infraestrutura. A empreiteira, mesmo antes
de se tornar sócia, já liderava o consórcio
responsável pela construção do
empreendimento em Santos. O processo de seleção
dos novos sócios começou no início
de 2009 por meio do banco Credite Suisse.
Machado acrescentou que o terminal foi idealizado para
ampliar a capacidade do Porto de Santos, que é
o maior e mais movimentado do país, especialmente
na movimentação de contêineres e
etanol. “Ele vai cumprir um papel indutor de desenvolvimento,
pois hoje essas duas áreas têm gargalos
importantes”, afirmou.
Além de atender a demanda do comércio
exterior em geral, a Embraport servirá aos negócios
da Odebrecht e da Coimex. A primeira pretende utilizar
o terminal para o escoamento dos produtos de subsidiárias
como a Braskem, de petroquímicos, e a ETH, de
açúcar e álcool. Já a trading
Coimex deve utilizá-lo para o transporte de commodities
agrícolas.
O começo das operações está
previsto para 2012, com capacidade para movimentar um
milhão de contêineres de 20 pés
(TEUs) por ano. Quando o projeto for concluído,
em 2014, a capacidade anual deverá chegar a 1,5
milhão de contêineres e cerca de 2 bilhões
de litros de etanol. O local terá acesso ferroviário
e rodoviário e capacidade de receber navios de
330 metros.
Este não é o primeiro projeto em que
a DP World e a Odebrecht atuam em parceria. A empreiteira
brasileira já construiu um terminal para a companhia
árabe no Djibuti, na Costa Leste da África,
e está construindo outro em Callao, no Peru.
“Essa é uma oportunidade sem paralelos
de entrar no maior mercado da América Latina
e estabelecer uma forte presença na Costa Leste
[do continente], ampliando a rede que nós já
temos na região para ampliar a oferta aos nossos
clientes”, disse Mohammed Sharaf, CEO da DP World,
segundo nota da empresa. (Alexandre Rocha - Agência
de Notícias Brasil-Árabe - www.anba.com.br)
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