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Aditivo reduz emissão
de fuligem em motor diesel
07-08-2009
O cério, metal abundante no Brasil, é
a base de um novo aditivo para reduzir emissões
de fuligem em motores movidos a diesel e biodiesel e
que foi desenvolvido em pesquisa da Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP)
da USP. O trabalho do químico Luciano Ferroni
Gomes mostra que o aditivo pode ser usado nos veículos
por meio de um sistema eletrônico, que dosaria
a aplicação conforme os níveis
de emissão.
De acordo com o químico, a idéia de elaborar
o produto surgiu com o aumento do interesse em ampliar
a participação do biodiesel na matriz
energética brasileira, a partir de 2004. “Motores
a compressão, como os que utilizam diesel e biodiesel,
emitem uma quantidade muito grande de material particulado”,
aponta. “O desenvolvimento do aditivo seria uma
forma de reduzir as emissões”.

Filtros colocados em escapamentos de motores com aditivo
(esq.) e sem aditivação (dir.)
O principal componente do aditivo é o cério,
metal com grande aplicação em processos
catalíticos. “O Brasil possui uma das cinco
maiores jazidas mundiais de cério”, ressalta
Gomes. Na pesquisa foi desenvolvida uma substância
com características similares às do diesel
que, ao se combinar ao cério, proporciona um
aumento da solubilidade do metal no combustível.
“A queima do aditivo na câmara de combustão
do motor produz óxido de cério, que é
o principal responsável pela redução
das emissões”.
O pesquisador desenvolveu um método analítico
para medir a emissão de material particulado.
Um filtro foi acoplado ao escapamento do motor de um
grupo gerador. “Após o motor ser colocado
em funcionamento, era medida a reflexão de luz
do filtro para indicar a quantidade de fuligem acumulada”,
conta o químico. No teste dinâmico, foram
testadas misturas de combustível com 100% de
diesel comum e 2,5%, 15% e 30% de biodiesel. A concentração
de aditivo variou entre 2 e 6 miligramas por litro.
“A reflexão foi maior nas misturas aditivadas,
apontando a queda nas emissões”.
Velocidade
Além da caracterização físico-química
do aditivo, também foi realizado um teste estático
com a adição de um material carbonáceo
conhecido como “negro de fumo”. “A
mistura passou por uma análise térmica
para verificar a velocidade da queima da fuligem”,
diz o pesquisador. “A temperatura de queima baixou
de 650 para 500 graus com a aditivação,
comprovando seu efeito na aceleração do
processo”.
Para o aditivo chegar ao mercado, Gomes afirma que
será necessário manter uma planta piloto
para sua produção, além da realização
de parcerias para fazer testes veiculares. “Os
experimentos são necessários para verificar
sua eficiência nos veículos a diesel e
biodiesel, além de permitirem descobrir se existem
efeitos não-esperados em sua utilização”,
explica.
Segundo o químico, a principal vantagem do aditivo
é a sua solubilidade ao combustível. “Ao
mesmo tempo, seus ganhos podem ser aumentados se ele
for combinado com a tecnologia já existente para
controle de emissões, a de colméias cerâmicas
acopladas aos canos de escapamentos”, destaca.
O pesquisador aponta que a aplicação do
aditivo seria feita por um dispositivo eletrônico
acoplado a um reservatório no veículo.
“Esse sistema mediria as emissões de fuligem
e a partir dessas informações, dosaria
a aplicação”, planeja. “O
aditivo seria aplicado em quatro pontos: no tanque de
combustível, na câmara de combustão,
antes da colméia cerâmica e após
a colméia”. A pesquisa de Gomes faz parte
de tese de Doutorado apresentada na FFCLRP, orientada
pelo professor Osvaldo Antonio Serra, do Departamento
de Química. (Agência USP de Notícias)
(Imagens cedidas pelo pesquisador)
Mais informações: (16) 3234-1577
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