Pampa gaúcho quer produzir mais vinho

08-07-2009

A tradição vitivinícola do Rio Grande do Sul não está apenas na Serra Gaúcha. O estado com a maior produção de uvas e vinhos do Brasil tem em sua metade sul uma especialidade: 15% dos vinhos finos brasileiros são elaborados a partir de uvas dessa região. A partir do próximo ano, o segmento poderá se desenvolver ainda mais na localidade por meio do projeto Vinhos do Pampa Gaúcho, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RS).

A apresentação da iniciativa será durante o 1º Encontro de Vitivinicultura da Campanha e Fronteira Oeste, que será realizado no dia 10 de julho, em Santana do Livramento, a 497 quilômetros de Porto Alegre. Cerca de 60 produtores de uva e vinho, técnicos e representantes de entidades do setor estarão reunidos para debater as tendências do consumo e estratégias visando ao aumento da qualidade e comercialização nos mercado externo e interno.

A qualidade da fruta e também o volume crescente de colheita tem consolidado a região gaúcha como referência na produção voltada à fabricação de vinhos finos. Em 2009, os produtores colheram 1,5 mil toneladas de uvas, cerca de 15% mais do que o produzido em 2008. Muitos deles já são atendidos pelo Sebrae/RS, por meio do Projeto Polo de Fruticultura do Pampa Gaúcho, em andamento desde o ano passado, com cerca de 200 produtores de frutas e derivados.

Segundo o gestor do Sebrae/RS, Tauê Bozzetto Hamm, o grande diferencial em termos de competitividade é o clima seco no verão. Ele explica que esta característica climática possibilita a colheita de uvas mais maduras, gerando vinhos de alta qualidade e com custo de produção reduzido. Porém, revela que gargalos como a concorrência com os importados e alta tributação dificultam a expansão da atividade. “Cerca de 80% dos vinhos finos consumidos no Brasil vem de outros países e 52% do preço do produto nacional é composto por tributos”, afirma.

O diretor-executivo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Paviani destaca que, apesar de o consumo do vinho estar crescendo no país, este avanço se dá mais para os produtos importados. “Com os investimentos realizados já se produz frutas e vinhos de muita qualidade no País. O desafio é trabalhar para que os consumidores reconheçam e atribuam valor ao produto nacional”, explica.

Estimativas do Ibravin apontam que o Rio Grande do Sul colhe entre 500 e 600 milhões de quilos de uvas para processamento e cerca de 100 milhões de quilos para consumo direto por ano. Além disso, mais de 90% dos sucos e vinhos brasileiros partem de parreirais gaúchos. Já a região metade sul do Estado compõe uma região de campo com topografia ondulada. Segundo o Ibravin essa região, com aproximadamente 1,5 mil hectares, consolidou-se como produtora de vinhos finos na década de 1980.

No Brasil, a viticultura ocupa uma área de aproximadamente 100 mil hectares. A produção é da ordem de 1,2 milhão de toneladas/ano. Deste volume, cerca de 45% se destina ao processamento, para a elaboração de vinhos, sucos e outros derivados; e 55% são comercializados como uvas de mesa.

Grande parte da produção brasileira de uvas e derivados da uva e do vinho destina-se ao mercado interno. O principal produto de exportação, em volume, é o suco de uva e cerca de 15% do total vai para o mercado externo; apenas 5% da produção de uvas de mesa é destinada à exportação e menos de 1% dos vinhos produzidos é comercializado fora do País. Entre os principais destinos dos vinhos brasileiros hoje estão Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e República Tcheca. (Agência Sebrae)

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