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Calçado brasileiro
perde mercados e faturamento no exterior a cada ano
12-06-2009
O Brasil é o terceiro produtor mundial de calçados,
com 800 milhões de pares por ano, superado apenas
pela índia, com 900 milhões, e pela China,
com 9 bilhões, mas a crise econômica mundial
enfraquece o calçado brasileiro, que, ainda por
cima, sofre com a forte concorrência dos importados
chineses.
O resultado é uma redução nas
vendas externas brasileiras, que; no primeiro quadrimestre
do ano; caíram 26,5% na quantidade de pares vendidos,
embora o país se mantenha também como
o quinto maior exportador mundial, com 165 ,5 milhões
de pares comercializados no ano passado.
O Brasil só perde em volume de exportações
de pares de calçados para a Itália (200
milhões), Vietnã (500 milhões),
Hong Kong (700 milhões) e China (7 bilhões).
A queda nas exportações brasileiras tem
consequências sérias para o maior polo
calçadista do país, o do Vale do Rio dos
Sinos, no Rio Grande do Sul, que vem perdendo empresas,
postos de trabalho e faturamento.
O Vale dos Sinos, como é mais conhecido, fica
a apenas 50 quilômetros de Porto Alegre, capital
do estado, é é considerado o maior cluster
(polo produtor) de calçados do mundo. É
formado pelos municípios de Araricá, Campo
Bom, Canoas, Dois Irmãos, Estância Velha,
Esteio, Ivoti, Nova Hartz, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo,
Portão, Sapiranga, Sapucaia e São Leopoldo,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Mais dois polos calçadistas destacam-se no estado:
o Vale do Paranhana, vizinho ao do Rio dos Sinos e a
70 quilômetros de Porto Alegre; que abrange os
municípios de Igrejinha, Parobé, Riozinho,
Rolante, Taquara e Três Coroas; e o da Serra Gaúcha,
a 130 quilômetros da capital, cujos principais
municípios são: Bento Gonçalves,
Canela, Carlos Barbosa; Caxias do Sul, Farroupilha,
Flores da Cunha, Garibaldi, Gramado, Nova Petrópolis
e São Francisco de Paula.
Mas é no Vale dos Sinos que se concentra o maior
número de fábricas de sapatos do país,
desde as mais artesanais até as grandes indústrias,
que calçam milhões de brasileiros de Norte
a Sul. O calçado feminino é o forte dessa
indústria, principalmente em Novo Hamburgo, que
ainda hoje, apesar das perdas dos últimos anos,
se considera "capital nacional do calçado".
Na região estão instaladas 80% das fábricas
de máquinas para produção de calçados
e 60% das produtoras de componentes (fivelas, tiras
e outros).
A tradição calçadista de Novo
Hamburgo remonta a 1824, quando chegaram os primeiros
imigrantes alemães, que fabricavam arreios e
botas para montaria. As botas, por sinal, ainda hoje
são o calçado mais valorizado na região
e, nesta época do ano, de muito frio na região;
é grande a variedade de modelos usados pelas
mulheres de Novo Hamburgo,
A importância da produção de calçados
é enorme, não apenas para a região
do Vale dos Sinos, mas para a economia do Rio Grande
do Sul em particular: No ano passado, o estado exportou
51,5 milhões de pares, o equivalente a 31% do
que o Brasil vendeu no exterior, e arrecadou US$ 1.117,7
bilhões, ou 59,4% do total obtido pelo país
no mercado externo com as vendas de sapatos nacionais.
Em 2007, havia, no Estado, 2.755 empresas calçadistas
(35,2% do país), com 111.966 empregados (37%
do setor no Brasil)
Os números não podem, entretanto, ser
comemorados pelos que dependem do setor calçadista
da região, porque mostram a continuidade de um
declínio que vem ocorrendo a cada ano. Em 2007,
por exemplo, foram exportados pelo Rio Grande do Sul
69,8 milhões de pares (39,4% do total do país),
com um faturamento de US$ 1.215,2 bilhões (63,6%
do total brasileiro), um volume muito maior do que o
do ano passado, sob todos os aspectos.
O número de empresas também vem diminuindo
– e, consequentemente, o de postos de trabalho
– embora não haja números atualizados
quanto a isso. E os números divulgados pela Associação
Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados)
demonstram que, em 2009, o calçado do Brasil
continua perdendo mercado no exterior para os concorrente:
de janeiro a abril, a quantidade de pares exportados
caiu 26,5%, com 49,5 milhões de pares vendidos,
contra 67,4 milhões no mesmo período de
2008.
O faturamento também despencou: foram obtidos
pelos exportadores brasileiros US$ 469 milhões
contra US$ 646,5 milhões de janeiro a abril do
ano passado, uma redução de 27,4% nas
vendas externas de calçados. Por isso, o diretor
executivo da Abicalçados, Heitor Klein, não
esconde a o temor do setor com a situação:
"Estamos muito preocupados com o desempenho no
mercado externo, que não mostra sinais de reação
positiva".
Uma preocupação que se justifica, embora
seja do mercado interno, é que a indústria
de calçados brasileira obtenha seu maior volume
de vendas, com 70 % do que produz vendido no território
nacional. O problema é que a invasão chinesa
no setor de calçados está fazendo a indústria
brasileira perder mercado dentro do próprio país,
o que já virou caso de briga jurídica,
com um processo por dumping (concorrência desleal)
aberto pela Abicalçados no Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior. (Agência Brasil)
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