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Energia do bagaço
de cana é atrativa para as usinas
13-08-2009
A produção de energia elétrica
através do bagaço de cana-de-açúcar
é plenamente viável do ponto de vista
econômico e atrativa para as usinas. A afirmação
é do contador Paulo Lucas Dantas Filho, que defendeu
recentemente uma dissertação de mestrado
no Programa de Pós-Graduação em
Energia ligado ao Instituto de Eletrotécnica
e Energia (IEE) da USP. Para ele, além das vantagens
ambientais, cria-se também uma terceira fonte
de renda bastante significativa para os produtores de
açúcar e álcool.
A pesquisa foi feita a partir de um estudo de caso
onde foram analisadas quatro usinas de cana-de-açúcar
na região de Catanduva, no interior de São
Paulo. Segundo o pesquisador, o critério adotado
foi que as usinas deviam ser auto-sustentáveis,
ou seja, toda energia consumida por ela devia ser produzida
a partir do bagaço de cana. Além disso,
o excedente energético produzido deveria estar
sendo vendido para a concessionária responsável
pela distribuição de energia na região.
O processo de produção de energia elétrica
a partir do bagaço de cana-de-açúcar
é, atualmente, totalmente automatizado e inserido
dentro da linha de produção das usinas.
Após a planta ser colhida e levada até
a usina, ela passa por três moendas, o produto
da primeira moagem vai para a produção
de açúcar, na chamada “moagem de
1ª linha”, já na segunda e na terceira
moagem o que é produzido é o álcool
combustível. O que resta da cana é o bagaço,
que é levado por uma esteira até a caldeira
que realiza a queima. Depois de passar pelas turbinas
e geradores, o vapor produzido na queima gera a energia
elétrica.
Com relação ao possível dano ambiental
causado pela fumaça produzida na queima do bagaço
Dantas afirma que filtros recolhem a fuligem produzida.
“Não sobra nada da cana, eles aproveitam
tudo. A própria fuligem acaba se tornando adubo
para plantios futuros”, completa.
Rentabilidade e custos
Segundo Dantas, a produção de energia
elétrica a partir do bagaço de cana possui
diversas vantagens econômicas. Para ele a principal
vantagem é que esse processo se torna uma terceira
fonte de receita das usinas que a utilizam, podendo
gerar até uma quarta fonte renda, a emissão
de créditos de carbono sob as regras do Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo (MDL), créditos estes
comercializáveis em bolsas de valores.
“É um processo natural. Ao gerarem a energia
limpa, automaticamente eles estão habilitados
para requerem os projetos para certificação
de emissão de créditos de carbono. É
um caminho natural até”, destaca o pesquisador.
Como ele mesmo ressalta, porém, não se
trata se um processo simples, uma vez que os créditos
são emitidos diretamente pela Organização
das Nações Unidas (ONU), o que torna a
ação algo caro e relativamente demorado,
na ordem de 2 a 3 anos.
Por outro lado, ele compreende que o investimento inicial
para a produção de energia é bastante
alto. Segundo suas pesquisas, giram em torno de R$ 1,4
milhão por Megawatt (MW) produzido. As usinas
por ele analisadas, por exemplo, produzem entre 40 e
50 MW.
Dantas esclarece que mesmo assim trata-se de um investimento
bastante viável uma vez que o tempo de retorno
do capital aplicado está entre 5 e 7 anos. “Os
investimentos industriais, por exemplo, são da
ordem de 12 a 13 anos para retorno de negócio”,
comenta o contador. Outra vantagem na implantação
deste sistema de produção de energia é
a venda do excedente para as concessionárias.
Dantas aponta que se tratam de contratos longos, da
ordem de 20 anos, que garante uma fonte de renda muito
menos vinculada às oscilações de
mercado.
Poucas perdas
Dantas explica que há poucas perdas de energia,
se comparado com a eletrecidade produzida nas grandes
usinas. "Como a energia produzida vai para as centrais
de distribuição de cidades próximas,
há muito menos perda", garante. Além
disso, o período de safra da cana, de março
a novembro, coincide com as épocas em que a oferta
hidrelétrica é normalmente menor, por
causa da diminuição das chuvas.
Para o pesquisador, o principal diferencial do aproveitamento
do bagaço da cana é a importância
ser uma energia renovável que pode contribuir
com a redução na emissão de gases
que provocam o efeito estufa. Ele acredita ainda que
o potencial de produção de energia deve
aumentar nos próximos anos por dois motivos.
O primeiro está ligado a evolução
tecnológica. Mesmo com um possível aumento
de custos o aumento da produtividade compensaria os
gastos com investimento.
O segundo está na redução das
queimadas no momento do corte da cana. No caso de São
Paulo, por exemplo, uma resolução estadual
obriga que, até 2017, as queimadas sejam extintas,
o que possibilitaria o aproveitamento da palha e da
ponta da cana-de-açúcar, perdidas nesse
modelo de colheita. “A matéria-prima (bagaço)
somada à ponta e à palha tende a aumentar
em 30% a capacidade de produção de energia”,
completa Dantas. (Agência USP de Notícias)
Mais informações: dantas@iee.usp.br
com o pesquisador Paulo Lucas Dantas FIlho. Dissertação
orientada pela professora Virginia Parente do IEE.
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