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Nova técnica acelera
e barateia produção de biodiesel
14-08-2009
Pesquisadores da USP desenvolveram uma técnica
para transformar em biodiesel óleos vegetais
já danificados pelo processo de fritura e a borra
de soja, um resíduo da indústria de óleo
alimentício. A técnica reduz o tempo da
reação química de 24 horas para
30 minutos e barateia o processo. O segredo foi usar
um catalisador diferente na reação, feito
com os metais Cobre e Vanádio.
Para produzir biodiesel é necessário
que haja a reação do óleo vegetal
puro com álcool. "Mas a reação
só acontece se houver um catalisador no recipiente.
Essa substância é o cupido que junta o
óleo com álcool e transforma-o em biodiesel
e glicerina”, compara Miguel Dabdoub, químico
e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) em cujo laboratório
a técnica foi desenvolvida. “Depois da
reação, é possível recuperar
o catalisador”
Contudo, o catalisador utilizado comumente no Brasil
é a soda cáustica, que não funciona
muito bem para transformar óleos de fritura,
óleos não-refinados em biodiesel. Esses
tipos de óleo contém diferentes percentuais
de ácidos graxos, que reagem com a soda e viram
sabão. A outra porcentagem vira biodiesel. A
borra de soja é o ácido graxo extraído
de óleos vegetais e por isso também não
pode ser trasformada em biodiesel. A reação
comum demora um dia inteiro para acontecer.
“Sabão não se utiliza em ônibus
e caminhões”, destaca Dabdoub."Imagine
uma fábrica média, que produza cerca de
100 milhões de litros de biodiesel por ano, com
óleo residual de cozinha com 7% de ácidos
graxos. Há uma perda de cerca de 7 milhões
de litros, que viram sabão. Como o governo paga
cerca de R$ 2,30 por litro de biodiesel atualmente,
essa empresa teria R$ 16 milhões jogados fora
todo ano. Esse dinheiro é suficiente para pagar
a mudança de tecnologia".
Os pesquisadores do Laboratório de Tecnologias
Limpas (LADETEL), chefiados por Dabdoub, passaram dois
anos tentando descobrir uma maneira de tornar esse processo
mais barato, eficiente e rápido. Eles fizeram
dezenas de reações no laboratório
para descobrir os catalisadores, pressão, temperatura,
proporções dos reagentes e concentração
de álcool ideais para que a reação
acontecesse.
A conclusão veio no início de 2008: a
melhor maneira de produzir biodiesel a partir de óleo
jogado fora é com um catalisador feito com os
metais Vanádio e Cobre. “Ele não
se dissolve no óleo e por isso pode ser recuperado
facilmente no final da reação”,
explica Márcia Rampim, uma das pesquisadoras
envolvidas no projeto . A nova reação
também é muito eficiente. “Com 1
litro de óleo de cozinha, produzimos 1 litro
de biodiesel e 100 ml de glicerina”.
Limpo e barato
"No Brasil consome-se cerca de 19 litros per capita
de óleo por ano, segundo a Associação
Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal
(ABIOVE)", calcula Dabdoub. “Se considerarmos
que 12 litros desse óleo não sejam absorvidos
pelos alimentos, que é uma estimativa muito conservadora,
são cerca de 7 litros de óleo por pessoa
sendo jogados pela pia, indo pelo esgoto, impermeabilizando
leitos de rios e contaminando lençóis
freáticos e fontes de água, todo ano.
Esse óleo e os resíduos da indústria
de soja poderiam ser coletados e transformados em biodiesel.
Muitas indústrias de alto porte poderiam ser
movimentadas no Brasil somente com base no óleo
residual. Diminuiríamos o uso de combustíveis
derivados de petróleo e carvão mineral,
que causam o efeito estufa”.
Também ficaria mais barato produzir biodiesel,
por que as industrias economizariam na matéria-prima.
“Em vez de pagar cerca de R$ 2.080 por tonelada
de óleo vegetal refinado, que é o preço
dado pelas comercializadoras, poderei pagar cerca de
R$ 550,00 por tonelada de óleo residual, que
é o custo da coleta", garante o professor.
“E as indústrias ainda poderiam economizar
com os custos de remoção da borra de soja.
Em 2007, segundo a ABIOVE, a indústria produziu
300 milhões de litros de borra de soja. Uma parte
mínima é aproveitada.” (Agência
USP de Notícias)
Mais informações: (16) 3602-3734/4375,
email marcia@biodieselbrasil.com.br,
site http://www.biodieselbrasil.com.br/ladetel.asp
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