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Crise atrasa entrada
em funcionamento de usinas de cana em SP
15-05-2009
Apenas 20 das 35 usinas sucroalcooleiras que deveriam
entrar em atividade neste ano em São Paulo vão
efetivamente começar a operar. Segundo o diretor
executivo da União da Indústria da Cana-de-Açúcar
(Unica), Eduardo Leão de Sousa, o adiamento reflete
os efeitos da crise econômica mundial no setor.
Embora tenha sido um dos que mais investiram em produção
no país – foram mais de US$ 20 bilhões
nos últimos três anos – o setor sucroalcooleiro
sofreu os impactos da crise, principalmente por depender
de capital de giro para manutenção das
lavouras de cana e da indústria e para o carregamento
de estoques no ano todo. “Ela [indústria
da cana] produz em seis e sete meses e vende em 12.
É ela que carrega esse estoque, e isso tem um
custo financeiro”, afirmou Sousa.
Ele disse que, como o setor estava enfrentando uma
época de preços baixos - puxada principalmente
pelo etanol - e investindo pesado na expansão
da atividade e em novos investimentos, a falta de crédito
decorrente da crise acabou afetando muito o setor. “Nossa
atividade foi uma das que mais sentiram o problema da
falta de liquidez no país”, ressaltou.
Apesar da “situação de asfixia
de crédito”, que foi, em parte, contornada
com um programa lançado pelo governo, que previa
a estocagem de álcool combustível com
o empréstimo de valores abaixo custo pelo Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) e pelo Banco do Brasil, Sousa afirmou que “os
fundamentos de mercado ainda continuam positivos para
o setor”.
Isso porque há previsão de crescimento
para as usinas, principalmente em função
do aumento da demanda de etanol tanto no mercado interno,
com o aumento da venda e fabricação de
veículos flex, quanto no internacional, com a
necessidade dos países de reduzir a emissão
de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.
“Seguramente nós vamos crescer, porque
esses países precisam reduzir a emissão
de CO2, e os biocombustíveis vão ser um
importante aliado nesse processo. E eles não
têm condições de suprir tudo o que
precisam com a produção local. Eles vão
ter que importar”, afirmou.
Outras razões estão ligadas à
geração de energia de bagaço da
cana, que vem sendo usada em larga escala pelas próprias
usinas e também comercializada, e ao açúcar,
que poderá ser beneficiado com a queda da produção
da cana na Índia e com a redução
de sua produção nos países europeus.
“Nós vamos cobrir esse déficit.
E isso vai gerar uma receita, do ponto de vista do açúcar,
muito maior do que no ano passado”. (Agência
Brasil)
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