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Supermercados suspendem
compra de carne de frigoríficos acusados de desmatamento
15-06-2009
Três redes de supermercados de âmbito nacional
- Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart
- decidiram suspender, desde a semana passada, a compra
de carne de onze frigoríficos localizados em
áreas apontadas como de desmatamento na região
amazônica. Segundo nota conjunta, os três
grupos repudiam atos contrários à lei
e que causem danos ao meio ambiente.
“Como medida adicional, as três redes solicitarão,
ainda, um plano de auditoria independente e de reconhecimento
internacional que assegure que os produtos que comercializam
não são procedentes de áreas de
devastação da Amazônia”, informa
o comunicado conjunto das três redes.
As três empresas informam que não "adquirem
mercadorias que não foram inspecionadas e liberadas
pelo Serviço de Inspeção Federal
[S.I.F.], órgão do Ministério da
Agricultura, e que não estejam acompanhadas da
respectiva Guia de Trânsito Animal [G.T.A.] de
validade e arquivada nas Indústrias Fornecedoras
de Carne Bovina”, informa a nota.
Os três varejistas, além de outras 68
empresas revendedoras de derivados do boi e fabricantes
que utilizam o boi como matéria-prima para seus
produtos, foram notificados pelo Ministério Público
Federal (MPF) no Pará e alertados a evitarem
a venda de produtos que tenham origem nas áreas
apontadas pelo Greenpeace em seu estudo A Farra do Boi
na Amazônia, divulgado há duas semanas.
Segundo a assessoria de imprensa do MPF, as notificações
fazem parte das ações realizadas para
“desmanchar a cadeia produtiva que lucra com a
devastação ambiental”. O MPF informou
ainda que foram propostas 21 ações que
pedem o pagamento de R$ 2,1 bilhões em indenizações
por danos ambientais à sociedade brasileira.
Ao mesmo tempo a International Finance Corporation
(IFC), ligada ao Banco Mundial, anunciou que cortou
o financiamento de R$ 90 milhões ao grupo Bertin,
o maior frigorífico do país e apontado
como um dos responsáveis por ações
que contribuem para a devastação na Amazônia.
Entretanto, segundo informações da porta-voz
da IFC no Brasil, Karina Manasseh, o acordo para suspender
a parceria foi firmado na primeira semana de maio, sem
nenhuma influência do relatório do Greenpeace.
A divulgação só aconteceu na semana
passada porque foi nesse período que a diretoria
da IFC foi comunicada sobre o fim da parceria.
“A IFC está comprometida com a sustentabilidade
no setor de carne na região e vai continuar atuando
junto a um grupo diverso de partes interessadas a fim
de desenvolver incentivos de mercado visando a melhoria
de padrões sociais e ambientais e o auxílio
de soluções baseadas em mercado para responder
aos desafios do setor. A IFC continua comprometida em
promover a sustentabilidade no setor de carne bovina
do Brasil e continuará a trabalhar com o Grupo
de Trabalho da Pecuária”, afirmou Karina
Manasseh. (Agência Brasil)
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