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Mais de 2 mil empresas
deixaram comércio exterior em janeiro
16-03-2009
Mais de 2 mil empresas exportadoras e importadoras
deixaram o comércio exterior brasileiro no mês
de janeiro. A informação é da Associação
de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que chegou
a esse número com base nos dados da balança
comercial divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior.
O número chamou a atenção da associação.
No caso das exportadoras, a quantidade de empresas que
atuam no setor caiu de 9.332, em janeiro de 2008, para
8.223 no primeiro mês deste ano, uma diferença
de 1.109. O número é superior ao total
de empresas que deixaram o mercado de exportação
em todo o ano passado, 481.
No caso das empresas importadoras, a redução
na comparação entre janeiro deste ano
e o mesmo mês de 2008 foi de 1.041. Em todo ano
passado, houve um aumento de 4.214 empresas importadoras.
“É um cenário completamente diferente
neste ano”, afirmou o vice-presidente da AEB,
José Augusto de Castro.
Segundo Castro, a situação é um
reflexo da crise financeira internacional, que tem levado
à redução do crescimento econômico
no mundo. Segundo ele, o primeiro setor a sentir os
efeitos da crise no Brasil foi o exportador, que enfrenta
redução da demanda pelos seus produtos.
“Se não tem comprador, ou a empresa entra
em falência ou reduz a produção”.
Para o vice-presidente da associação,
as medidas do Banco Central para financiar as exportações
ajudaram, mas não resolvem o problema da redução
da demanda. “Ajudou o que já está
fechado [de vendas]. Mas se a empresa não consegue
vender, o crédito não adianta”.
De acordo com Castro, o setor exportador é o
que mais está demitindo por conta da crise e
não há perspectiva de melhora por enquanto.
No caso da redução das importações,
o motivo é o aumento da cotação
do dólar, o que deixa os produtos mais caros
para o consumidor final. “O custo está
mais elevado e ainda há redução
na demanda no mercado interno, em um momento de risco
de desemprego”, acrescentou Castro. O vice-presidente
acrescentou que o menor crescimento econômico
do país também deve reduzir a importação
de produtos.
Em janeiro deste ano, a balança comercial (exportações
e importações) registrou déficit
de US$ 524 milhões, o primeiro resultado mensal
negativo desde março de 2001. Mas, em fevereiro,
houve recuperação com um saldo positivo
de US$ 1,767 bilhão.
No acumulado do ano, até a segunda semana de
março, o superávit comercial é
de US$ 1,665 bilhão, 22,2% menor do que o registrado
no mesmo período de 2008. (Agência Brasil)
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