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Festival mundial da cachaça
tem garrafa a R$ 700
17-07-2009
Os especialistas dizem que pelo sabor se escolhe uma
boa pinga. Mas reforçam que a origem da bebida
também conta. Da cidade de Salinas, no Vale do
Jequitinhonha, no interior de Minas Gerais, vêm
as cachaças artesanais mais vendidas e mais caras
do país, segundo distribuidores do próprio
estado e do Rio de Janeiro.
Famoso no sertão mineiro, o produto atrai todos
os anos distribuidores de vários estados para
o Festival Mundial da Cachaça, com a oitava edição
marcada para este final de semana. O sucesso da feira
aumenta a cada ano e é atribuído à
qualidade das pingas salinenses. Este ano, o evento
deve movimentar até R$ 3 milhões.
Muitos atribuem o sabor da pinga de Salinas ao solo
fértil (que não precisaria de adubo),
à fermentação e ao processo de
envelhecimento. De acordo com a Associação
de Produtores de Cachaça de Salinas (Apacs),
vários fatores fazem da cidade líder no
segmento.
“Pesquisas mostram que algumas leveduras [fungos
responsáveis pela fermentação]
diferenciam nosso produto. Também tem a questão
do Sol, devido à altitude das nossas terras,
onde estão os canaviais, e até mesmo a
composição do solo”, avalia o presidente
da Apacs, Nivaldo Gonçalves.
Dono de umas das marcas mais tradicionais da região,
a Havana, Oswaldo Santiago diz que o produto não
tem segredo. Desde a década de 40 a cachaça
é produzida com as mesmas técnicas e é
uma das mais caras do Brasil (custa entre R$ 300 e R$
700). Para Santiago, o mistério está mesmo
na terra.
“O nosso segredo é asseio, asseio, asseio.
Cuidado com os depósitos, com o canavial, com
o envasamento e o armazenamento, de mais de dez anos.
Mas a qualidade do solo influi, da cana influi. Na verdade,
tudo aqui influi”, disse o proprietário
da Havana, declarada patrimônio imaterial de Salinas
em 2006.
Representante de um dos maiores fabricantes individuais
de pinga artesanal do país, Renata Rodrigues,
da Seleta, confirma que a qualidade da bebida salinense
está ligada ao cuidado com a produção
e às condições do clima e do solo.
A Seleta custa entre R$ 10 e R$ 30 e está entre
as pingas mais vendidas.
“Acho que [o segredo] está na localização
geográfica. Existe até um estudo sobre
isso. Querem ver, por exemplo, por que no norte a cachaça
sai de um jeito e, no sul, num raio de 40 quilômetros
de diferença, a cachaça sai de outro”,
comentou Renata.
Para pesquisar o assunto, a cidade criou o primeiro
curso de nível superior em tecnologia da cachaça,
oferecido temporariamente pelo Instituto Federal de
Educação Tecnológica (Ifet). A
primeira turma se forma no final de 2009.
Para divulgar informações sobre a origem
da bebida, que se confunde com a própria história
do município, está sendo construído
o Museu da Cachaça, uma iniciativa da prefeitura
em parceria com o governo estadual. O prédio
e o acervo devem ser entregues em 2010. (Agência
Brasil)
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