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Cooperativas ainda acham
possível repetir exportações de
2008
18-08-2009
Um estudo elaborado pela Gerência de Mercados
da Organização das Cooperativas Brasileiras
(OCB) mostra que o setor registrou, no primeiro semestre
de 2009, queda de 5,95% nos valores exportados frente
ao mesmo período de 2008. A queda foi em percentual
menos que o total das exportações brasileiras,
que contabilizaram redução de 22,83%.
A análise, baseada em dados da Secretaria de
Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC),
indica que as cooperativas exportaram US$ 1,75 bilhão
de janeiro a junho deste ano, contra US$ 1,86 bilhão
em 2008. Embora tenha sido observada retração
nos valores obtidos em dólares com as exportações,
devido aos efeitos da crise, os patamares observados
estão bem acima dos intervalos anteriores a 2008.
Segundo a OCBV, as barreiras não-tarifárias,
as oscilações nas cotações
das commodities e da taxa de câmbio tendem a impactar
o resultado das relações comerciais das
cooperativas ao longo de 2009. Mas o setor revê
a perspectiva traçada no início do ano,
quando se falava na redução de 10% no
fechamento das exportações das cooperativas
brasileiras. Os resultados alcançados no primeiro
semestre do ano vislumbram a possibilidade de se chegar
aos mesmos indicadores registrados em 2008, US$ 4 bilhões.
O cenário indica que o complexo soja e o setor
sucroalcooleiro permaneçam entre os principais
produtos exportados pelas cooperativas brasileiras.
Espera-se ainda uma recuperação do setor
de carnes.
Já em relação às quantidades
comercializadas, no 1º semestre, observou-se um
crescimento de 8,32% frente ao primeiro semestre de
2008, chegando a 3,77 milhões de toneladas. Em
conseqüência da taxa de câmbio, o valor
recebido em reais pelos embarques do setor ao exterior
atingiu R$ 3,84 bilhões, também com aumento
de 21,66%.
Vale destacar, diz a entidade, os percentuais observados
na corrente do comércio (somatória das
exportações com as importações)
do Brasil, agronegócio e setor cooperativista
nos seis primeiros meses deste ano. Novamente, as cooperativas
se destacam frente aos números totais. Elas contabilizaram
queda na corrente de comércio, de 11,5%, porém
em menor percentual que o País, que fechou com
decréscimo de 25,9%. Já o agronegócio
brasileiro registrou queda de 7,3%. Até o primeiro
semestre de 2008, os indicadores englobados (exportações,
importações, saldo das transações
e corrente do comércio) mostraram crescimento
contínuo.
O complexo soja, que engloba grão, óleo
e farelo, continua liderando as vendas diretas das cooperativas
brasileiras, com 37,90% das exportações
totais. Na seqüência figuram o setor sucroalcooleiro
(26,70%), que corresponde aos açúcares
e ao álcool etílico, e as carnes (16,30%).
O café, cereais (milho, trigo, arroz e cevada),
algodão e leite e laticínios aparecem
na seqüência, com representações
de 9,30%, 3,30%, 2,20% e 0,80%, respectivamente.
Carro-chefe das exportações do setor,
o complexo soja somou um total de US$ 662,25 milhões
entre janeiro e junho de 2009, crescimento de 2,09%
em relação ao primeiro semestre de 2008,
quando foram embarcados US$ 648,68 milhões. Os
grãos apresentaram liderança no setor,
representando 49,44% do total (US$ 327,40 milhões)
e 60,08% no mesmo período de 2008 (US$ 389,75
milhões). O farelo representou uma parcela de
37,74%% (US$ 249,92 milhões) e o óleo,
de 12,83% (US$ 84,93 milhões).
O setor sucroalcooleiro, por sua vez, respondeu por
US$ 466,34 milhões, com crescimento de 13,55%
comparando-se o primeiro semestre de 2009 com o mesmo
período de 2008. Os açúcares são
destaque nesse segmento, com participação
de 84,17% este ano (US$ 392,53 milhões), frente
a 45,08% em 2008 (US$ 185,15 milhões). A elevação
das exportações de açúcares,
de 112%, compensou a retração de 62,27%
nas vendas externas de álcool.
A China aparece em primeiro lugar entre os mercados
de destino dos produtos cooperativistas no primeiro
semestre de 2009, com US$ 213,99 milhões, frente
a US$ 228,25 milhões em 2008, registrando uma
retração de 6,25%. A soja em grão
foi o principal produto da pauta, com US$ 188,07 milhões.
No mesmo período, a Alemanha também se
destacou nas importações de produtos comercializados
pelas cooperativas brasileiras, com US$ 169,62 milhões,
queda de 17,64% em relação ao primeiro
semestre de 2008. A soja em grão, o farelo de
soja, o café verde e as carnes foram os principais
produtos adquiridos.
Os Países Baixos responderam por US$ 140 milhões
em produtos comercializados pelas cooperativas brasileiras,
com queda de 19,15% frente a 2008. No período,
foram adquiridos, principalmente, soja em grão,
o farelo de soja, o álcool etílico, o
café verde e carnes.
Na quarta posição aparece a Arábia
Saudita, com elevação de 139,48% nos valores
comercializados entre janeiro e junho de 2009, repetindo
o percentual do ano anterior, com US$ 131,04 milhões.
Os açúcares foram os produtos absolutos
na pauta, representando US$ 87,37 milhões. Os
Emirados Árabes Unidos aparecem na quinta colocação,
apresentando evolução de 671,99% nas compras
dos produtos das cooperativas brasileiras e total de
US$ 97,08 milhões. Mais uma vez os açúcares
aparecerem como os principais produtos, com US$ 8,37
milhões.
Liderando as exportações das cooperativas
brasileiras no primeiro semestre de 2009 aparece o Paraná,
com uma parcela de 41,98% do total, um valor absoluto
de US$ 734,11 milhões de toneladas. Este desempenho
levou a um crescimento de 7,87% nos valores comercializados
e de 22,90% nas quantidades embarcadas ao exterior em
relação ao mesmo período de 2008.
São Paulo é o segundo maior exportador
de produtos cooperativistas, respondendo por US$ 460,99
milhões, com crescimento de 18,74% nos valores
e de 52,05% nas quantidades embarcadas ante o mesmo
período em 2008. Desta forma, as cooperativas
paulistas foram responsáveis por 26,36% das vendas
externas totais do setor.
Em seguida aparecem Minas Gerais, com US$ 173,75 milhões
e 9,94%, e retração de 2,87%, e Rio Grande
do Sul, com US$ 132,55 milhões e retração
de 44,93%.
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