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Venda de asfalto no Brasil
surpreende e caminha para recorde em 2009
23-06-2009
Ao contrário do que costuma ocorrer, a comercialização
de asfalto se mantém em alta mesmo este não
sendo um ano eleitoral. Em projeção apresentada
na segunda-feira (22) na Fiesp, foi dito que a demanda
por asfalto no Brasil está atingindo cerca de
2,2 milhões de toneladas; volume superior ao
consumo recorde do ano passado, que foi de 2,17 milhões
de toneladas.
A constatação consta do estudo Cadeia
Produtiva do Asfalto: diagnóstico de problemas
e proposições de aprimoramento da cadeia
produtiva do asfalto. "O momento é crucial.
A demanda se mostra em expansão, mas faltam investimentos
na área. Precisamos urgentemente de uma coordenação
adequada do setor", disse o diretor do Departamento
da Indústria da Construção (Deconcic)
da Fiesp, Manoel Rossito.
Devido à expansão da demanda promovida
por novos empreendimentos em aeroportos, portos, e em
especial, rodovias, a demanda por asfalto vem crescendo
de maneira expressiva no Brasil e exigindo a coordenação
em vários aspectos do material asfáltico.
"Nessa análise, o estudo diagnosticou três
principais gargalos que impedem seu desenvolvimento,
como problemas na qualidade, fornecimento e preço",
explicou Rossito.
Segundo o estudo, no fator preço, a baixa previsibilidade
eleva os riscos e eventuais desequilíbrios econômico/financeiros
de contratos. Além disso, a cobrança do
IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) ao longo
da cadeia e a incidência de ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços)
sempre que o asfalto é deslocado (dentro ou fora
de um estado) implicam no preço elevado para
o consumidor final.
Em relação à qualidade, o estudo
aponta a necessidade de maior fiscalização
do asfalto ao longo da cadeia produtiva, e, quanto ao
fornecimento, o trabalho demonstra que é necessária
a harmonização de especificações
entre os países da América Latina. O estudo
também sugere maior equilíbrio das especificações
do cimento asfáltico de petróleo (CAP)
que possibilite o comércio internacional desses
produtos.
A falta de parques de estocagem nas distribuidoras
também representa um problema em tempos de pico
da demanda, porque coloca em risco a competitividade
do produto elevando seu preço e, em determinados
momentos, promove sua escassez.
Segundo Rossito, a demanda por asfalto no Brasil é
influenciada pelo período de chuvas e pelo calendário
eleitoral. "O Brasil demorou dez anos para atingir
o consumo de asfalto registrado em 1998 (1,97 milhões
de toneladas)", comentou.
Entretanto, o estudo mostra que mesmo com o crescimento
da demanda, o setor encontra-se estagnado. Entre 2003
e 2007 trechos de rodovias em estado bom/ótimo
caíram, enquanto as em estado deficiente e péssimo
aumentaram.
Atualmente no Brasil, a Petrobrás é a
única fornecedora de asfalto. Por conta disso,
a coerência no estabelecimento do preço
é bastante discutida. "Somente a concorrência
regula o preço do produto, e nesse caso precisaríamos
instigar isso", expicou.
O Sudeste é o maior produtor e maior consumidor
de asfalto. Aproximadamente 61% do total de asfalto
no Brasil são produzidos na região.
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