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Setor de fertilizantes
receberá aportes de US$ 6,5 bi em cinco anos
24-09-2009
Nos próximos cinco anos, o setor de fertilizantes
deverá receber investimentos de US$ 6,5 bilhões,
que serão destinados à construção
de fábricas. Quando estiverem em funcionamento,
as empresas irão aumentar significativamente
a produção brasileira desses insumos agrícolas,
reduzindo a dependência do país do mercado
internacional.
Entre 2010 e 2015, os investimentos em fertilizantes
deverão chegar a US$ 3,42 bilhões. Desse
total, 54% serão financiados pelo Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
e o restante US$ 1,56 bilhões virão de
recursos próprios das empresas.
Além disso, para este ano, encontra-se em análise
no BNDES pedidos de financiamentos de US$ 485 milhões
referentes a investimentos totais de US$ 740 milhões.
A maioria para a construção de novas fábricas.
(Clique no quadro abaixo para ampliar a imagem)
Em
abril desse ano, o diretor de Abastecimento da Petrobras,
Paulo Roberto Costa, disse que a estatal iria investir
US$ 2 bilhões na construção de
uma fábrica de fertilizantes nitrogenados (uréia
e amônia), com capacidade para produzir um milhão
de toneladas por ano, o que praticamente irá
dobrar a atual produção nacional. Ontem
(23), a gerência de Imprensa da estatal informou
à ANBA que o projeto está dentro do plano
de negócios da companhia e em fase de estudo
conceitual. A construção deverá
acontecer entre 2010 e 2011. A localização,
no entanto, ainda não foi definida.
A Petrobras também vai investir na produção
de ácido nítrico na Bahia. Estão
previstas 120 mil toneladas/ano do produto, que será
destinado ao Polo Petroquímico de Camaçari.
Os investimentos são da ordem de US$ 260 milhões.
De acordo com a gerência de Imprensa da Petrobras,
o plano de negócios, para o segmento de fertilizantes,
é aumentar a produção para atender
ao mercado brasileiro nos próximos cinco anos.
Exploração
Na opinião do ministro interino da Secretaria
de Assuntos Estratégicos (SAE), Daniel Vargas,
a busca da autossuficiência na produção
de fertilizantes é essencial para o crescimento
da produção agrícola do país,
que tem condições de se tornar o maior
produtor e exportador mundial de alimentos nos próximos
anos. "Entendo que, na questão dos fertilizantes,
existe um desafio central que é o de elaborar
uma política de exploração mineral
para a produção de fertilizantes”,
afirmou o ministro em entrevista exclusiva à
ANBA (ler matéria abaixo)
O diretor-executivo do Consórcio Nacional Cooperativo
Agropecuário (Coonagro), Daniel Dias, concorda
com o ministro. Em seu entender, investimentos na construção
de novas unidades industriais para a produção
de fertilizantes, apesar de bem-vindos, sozinhos não
tornarão o país autossuficiente na produção
desse insumo agrícola: “Não queremos
apenas ensacadores de adubos importados. Precisamos
de grupos com expertise na extração de
minerais e dispostos a investir seus recursos nessa
área”, argumenta o diretor-executivo do
Coonagro.
Segundo Dias, as áreas de pesquisa e produção
de fosfatado e cloreto de potássio carecem de
novos empreendedores, que produzam arejamento desse
setor e ainda promovam uma competição
interna real, barateando os preços dos fertilizantes
para agricultura. A intenção é
diminuir a força do oligopólio de fertilizantes
que domina o mercado nacional.
Custo e oligopólio
Hoje, o Brasil importa 60% do fertilizante que consome
e gasta algo em torno de US$ 7 bilhões com a
importação desses insumos agrícolas.
Além disso, mais de 75% do mercado nacional é
controlado por três empresas. Um oligopólio
que, no entender do superintendente da Organização
das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa,
impõe seus preços ao mercado e prejudica
os agricultores brasileiros.
De fato, segundo Ali Saab, coordenador de gestão
estratégica do Ministério da Agricultura
Pecuária e Abastecimento (MAPA), os fertilizantes
representam 36% no custo de produção do
agricultor brasileiro. Para Saab, incentivar os investimentos
no setor é uma das estratégias do governo
para reduzir a dependência e até em um
espaço de 15 a 20 anos chegar à autossuficiência.
Investidores
De acordo com Daniel Dias, é com esse objetivo
que o MAPA, em parceria com cooperativas agrícolas
e o Coonagro, tem apoiado iniciativas que conduzam a
uma maior competição interna e que promovam,
basicamente, a independência brasileira na produção
mineral de fertilizantes. Segundo pesquisas, o Brasil
tem recursos minerais suficientes para ter uma produção
local em cinco anos nos fosfatados e em dez anos no
potássio.
O Brasil consome, anualmente, algo em torno de 23 milhões
de toneladas de fertilizantes. Este mercado movimenta
cerca de US$ 15 bilhões. As projeções
do Ministério da Agricultura mostram que em 2018
o país estará consumindo 34 milhões
de toneladas. “Portanto cabe a nós informar
a comunidade internacional do nosso potencial mineral
aliado ao nosso potencial de consumo, e procurar investidores
que tenham conhecimento em extração e
produção das matérias primas fertilizantes,
que o nosso mercado tanto precisa”, explica o
diretor do Coonagro.
Dias disse ainda que essa estratégia já
começa a produzir resultados concretos. É
que, segundo ele, várias empresas multinacionais
com capacidade tecnológica na área de
fertilizantes estão despertando para o imenso
potencial do mercado brasileiro de fertilizantes e dispostas
a investir no setor, inclusive na exploração
mineral para a produção desses insumos.
Um exemplo disso é a Falcon Metais Ltda, uma
empresa brasileira constituída em parceria com
investidores nacionais e estrangeiros. A companhia pretende
se tornar uma dos maiores produtoras de potássio
do Brasil, caso suas explorações geológicas
e geofísicas na bacia do Amazonas apresentem
os resultados esperados. (Joel dos Santos Guimarães
- Agência de Notícias Brasil-Árabe
- www.anba.com.br)
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