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Vale deve investir US$
2,8 bilhões em Moçambique
27-03-2009
Maputo (Moçambique) - A Companhia Vale do Rio
Doce (Vale) pode investir US$ 2,8 bilhões na
construção de uma usina térmica
a carvão em Moçambique, com capacidade
de geração de até 2 mil megawatts
(MW). O objetivo é atender à sua própria
demanda, além de mercados da África, principalmente
a África do Sul.
A construção da usina está atrelada
ao projeto Carvão Moatize, um empreendimento
de US$ 1,3 bilhão cuja pedra fundamental será
lançada hoje (27) na Província de Tete
para exportar carvão aos mercados do Brasil,
Ásia, Europa e Oriente Médio.
A informação foi dada por dois ministros
moçambicanos (de Energia e de Recursos Minerais)
e pelo diretor do Centro de Promoção de
Investimentos (CPI), Rafique Jusob. A Vale - por meio
de sua assessoria de imprensa – confirmou a existência
do projeto, mas negou que já exista uma definição
quanto aos números do empreendimento.
“Existe um projeto para a construção
de uma térmica em Moçambique que está
ainda em fase de avaliação. Portanto,
nenhum número relativo ao cronograma ou a investimentos
está definido. O projeto será encaminhado
à apreciação do Conselho de Administração”,
informou a empresa.
Os ministros Salvador Namburete, da Energia, e Esperança
Bias, de Recursos Minerais, além de dar detalhes
sobre a obra, anunciaram projetos que triplicam a capacidade
energética do país.
Segundo Namburete, além do projeto da Vale,
existem três a serem implantados em Moçambique
que têm como contrapartida a construção,
por parte das empresas envolvidas, de um linhão
de 1,5 mil quilômetros de extensão e investimentos
de US$ 1,6 bilhão destinados à integração
energética do país.
Uma das usinas será a Mphanda-Nkuwa, a ser construída
pela Camargo Corrêa, com capacidade para 1,5 mil
MW (podendo chegar a 2,4 mil MW), envolvendo investimentos
de US$ 2 bilhões.
Namburete anunciou ainda a construção
de uma usina termelétrica a gás natural
pelo grupo australiano BHP, envolvendo recursos de US$
1,5 bilhão e capacidade de geração
de 2 mil MW. Há também, segundo o ministro,
um projeto para a construção da Usina
de Caborabaça Norte, movida a carvão,
com investimentos de US$ 1,6 bilhão e capacidade
de geração de 1,5 mil MW.
“O atrelamento dos projetos dessas usinas à
contrapartida da construção do linhão
está ligado à autonomia do país,
que precisa ter capacidade de escoar a própria
energia – e os projetos integrarão a Região
Central, ao Norte”, esclareceu Namburete.
Atualmente, a capacidade de geração de
energia de Moçambique é de 2,3 mil MW
proveniente de uma única fonte: a Hidrelétrica
de Caborabaça.
No país, com 20,5 milhões de habitantes,
apenas 14% da população têm luz
elétrica. A usina, construída e explorada
pelos portugueses, está hoje sob domínio
do estado, que detém 85% de participação
– 15% continuam com Portugal.
Do total da capacidade da usina, cerca de 1,4 mil MW
é exportado para a África do Sul - destino
de boa parcela da energia gerada pelos novos empreendimentos
-, 400 MW ficam no país, mas uma pequena quantidade
é exportada para países da África,
como Zimbábue e Namíbia, o que gera receita
anual de US$ 300 milhões.
A usina em Moatize terá capacidade nominal de
produção de 11 milhões de toneladas
por ano de produtos de carvão (metalúrgico
e térmico). Com início de produção
previsto para 2010, o projeto leva para Moçambique
mais de 20 empresas brasileiras que já foram
contratadas para atender à Vale na região,
oferecendo serviços de engenharia, infra-estrutura,
consultoria e gerenciamento. (Agência Brasil)
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