|
Estratégias consolidam
empresa paulista no mercado de carne ovina
27-07-2009
Pesquisadores do Departamento de Nutrição
e Produção Animal da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, no campus
de Pirassununga, avaliaram em estudo as estratégias
que tornaram uma empresa paulista um modelo na produção
e comercialização de carne ovina. De acordo
com o professor Augusto Hauber Gameiro, coordenador
da pesquisa, a empresa conseguiu se estabelecer no setor
por meio de uma série de estratégias,
entre elas a certificação, a padronização
de procedimentos e produtos e a força da marca
da carne, que a associou a um produto de qualidade,
voltado a um público diferenciado. Atualmente,
a empresa é responsável por fornecer 70%
da carne ovina consumida na região metropolitana
de São Paulo, o maior centro de consumo do produto
no Brasil.
O consumo de carne ovina no Brasil ainda não
é consolidado e continua restrito a um mercado
de elite. Os produtores precisam concorrer com a carne
suína, de boi e de frango, de forma competitiva,
oferecendo um produto de qualidade além de vencerem
o mercado informal, cujos preços chegam a ser
três vezes menores. “A carne de ovinos,
ao contrário da de boi, por exemplo, não
tem liquidez. O consumo no Brasil é restrito
a alguns nichos de mercado e há poucos frigoríficos
que trabalham com o produto. Além disso, no mercado
informal, um produtor consegue vender a carcaça
de carneiro a um preço médio de R$ 12,00
o quilo (Kg), enquanto que no mercado formal o preço
é de cerca de R$ 4,00”, destaca Gameiro.
Mesmo diante desse quadro, a empresa analisada na pesquisa
dos pós-graduandos consegue se manter no mercado,
fornecendo carne ovina para uma clientela elitizada,
principalmente restaurantes e churrascarias e também
para butiques de carnes e hotéis. “Há
também um consumo ligado à culinária
italiana e do oriente médio”, lembra o
professor.
Estratégias
De acordo com Gameiro, a empresa possui duas fazendas,
uma na região de Mococa e outra em Jaguariúna,
ambas no interior do estado. Além da criação
própria, eles trabalham com outros ovinocultores
fornecendo, inclusive, melhoramento genético
aos rebanhos e assessoria técnica. “Isso
garante que os animais tenham uma genética semelhante,
fazendo o produto ter um mesmo padrão de qualidade”,
explica. Os animais são abatidos jovens (cordeiros),
por volta dos 4 meses de idade, com peso médio
de 18 quilos, que geram 48% de rendimento de carcaça
e conferem maciez e suculência à carne.
Como a maioria dos frigoríficos trabalha com
abate bovino, os equipamentos precisam ser adaptados
para uso em ovinos. A solução encontrada
pela empresa foi o arrendamento de frigoríficos
durante alguns dias para o abate específico dos
cordeiros. Os animais são abatidos e as carcaças
são encaminhadas inteiras à sede da empresa,
em Pirassununga.
“Tanto durante o abate como no beneficiamento
há um fiscal do Sistema de Inspeção
Federal [SIF, ligado ao Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento] que acompanha o processo,
levando certificação ao produto, e garantindo
a qualidade”, comenta o professor. A carne é
rigorosamente selecionada. Os cortes, as embalagens
e a etiquetagem seguem uma padronização
que reforçam a marca da empresa, que também
é a responsável pela distribuição
da carne aos clientes. “Se houver falta de produto,
eles importam carne ovina do Uruguai e da Argentina,
a fim de garantir a demanda dos consumidores”,
conta Gameiro.
Para o professor, estas estratégias fizeram
com que a empresa desse certo e se consolidasse no setor.
“Existem outras neste mesmo ramo, porém
trata-se de um mercado complexo. É difícil
competir com a informalidade, principalmente em estados
do nordeste e no Rio Grande do Sul. Vale lembrar que
a maior parte da carne de ovinos no Brasil está
no mercado informal”, aponta.
Consumo irrisório
Segundo dados da Organização das Nações
Unidas para a Agricultura e Alimentação
(FAO), a média de consumo nacional de carne ovina
em 2004 foi de aproximadamente 700 gramas por habitante.
O consumo per capita nos países desenvolvidos
está em torno de 20 Kg por ano.
A pesquisa foi apresentada durante a 46ª Reunião
Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, que ocorreu
em Maringá, Paraná, entre os dias 14 e
17 de julho. O projeto foi elaborado pelos alunos Eugenio
Yokoya, Juliana de Vazzi Pinheiro, Julianne de Rezende
Naves e Michele Ribeiro da Silva, mestrandos do Programa
de Pós-Graduação em Nutrição
e Produção Animal da FMVZ, em Pirassununga.
Os pesquisadores entrevistaram os administradores da
empresa, além de terem visitado e acompanhado
as várias etapas de produção na
fazenda e no frigorífico. (Agência USP
de Notícias - Valéria Dias)
Mais informações: (19) 3565-4224 ou e-mail
gameiro@usp.br,
com o professor Augusto Hauber Gameiro
Links úteis aos usuários
Clique
aqui e compare preços de produtos e serviços
de agronegócio
Clique
aqui e compare preços de centenas de produtos
Matérias relacionadas
Piora
a estimativa para as exportações brasileiras
em 2009
Paraná
respondeu por 25% dos embarques de frango no 1º
semestre
Exportações
aos países árabes cresceram 4% no 1º
semestre
Leia Também:
Esgoto
doméstico pode ser útil na irrigação
de cana-de-açucar
Embraer
prevê retomada do mercado de aviação
executiva a partir de 2011
Produção
de alumínio caiu 6% no 1º semestre
Festival
mundial da cachaça tem garrafa a R$ 700
Odebrecht
descobre petróleo em Angola
GM
anuncia aporte de R$ 2 bilhões no país
e deve gerar 1 mil empregos
BNDES
facilita aquisição de caminhões
novos e usados
Micro
e pequenas empresas estão recebendo mais recursos
do BNDES
Números
do BNDES em 12 meses até junho batem recordes
Setor
de capitalização cresceu 8% até
maio
HDI
estuda desembarcar no Oriente Médio
Clique
Aqui e Veja Mais Notícias de Empresas
Leia
as Últimas Notícias
|