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Brasil bate gigantes
e puxa fila da produtividade em agropecuária
30-09-2009
O Brasil está no topo do ranking da produtividade
quando o assunto é a cadeia do agronegócio.
De 1960 a 2005, a produtividade agropecuária
do país cresceu há uma taxa média
anual de 2%. Os brasileiros deixaram para trás
países como China (1,8%), Índia (1,5%),
Argentina (1,5%), Canadá (0,8%) e Estados Unidos
(0,8%). Os dados são do estudo “Brasil
Sustentável – Perspectivas do Brasil na
Agroindústria”, elaborado em conjunto pela
consultoria Ernst e Young Brasil e FGV Projetos, e apresentado
ontem (29), em São Paulo. O trabalho considerou
os dados econômicos de 100 países, que
representam 97% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial.
De acordo com Fernando Garcia, coordenador técnico
do projeto, a chegada do país no topo da produtividade
é resultado do empenho da iniciativa privada
e também da política do governo para o
setor. Quatro são os pilares de sustentação
do crescimento: a mecanização, o capital
para investimento, a formação dos grandes
complexos industriais e a liderança tecnológica.
“Diante da crise mundial, por exemplo, o BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social) agiu rápido: liberou crédito para
aquisição de maquinário, reduziu
o IPI para compra de tratores, financiou a importação.
A política brasileira não ficou centrada
somente em crédito para custeio”, diz.
Outro ponto importante é a política de
preços agrícolas do país. “Aqui
temos uma política liberal, o que é importante
para estimular os investimentos e, conseqüentemente,
a produtividade do setor”, diz. Segundo Garcia,
a Argentina, adotou um sistema de controlar os preços
na pecuária que teve um resultado catastrófico.
O setor foi desestimulado e a carne argentina perdeu
mercado.
Na iniciativa privada, alguns setores merecem destaque,
como celulose, sucroalcooleiro e pecuária de
corte. “São segmentos capitalizados, que
conseguem financiar avanços tecnológicos,
por exemplo”, diz Garcia. As empresas de celulose,
por exemplo, estão entre as mais que mais inovaram
de 2003 a 2005 - 52% delas promoveram mudanças
organizacionais e 14% investiram na inovação
de produtos e processos. Quando o assunto é investimento
em pesquisa e desenvolvimento, as companhias de celulose
também largaram na frente. O estudo mostra que,
em 2005, elas gastaram 5,1% do seu faturamento em pesquisa
e desenvolvimento.
Crescimento contínuo
Mas para garantir o crescimento nos próximos
anos, o Brasil ainda precisa avançar na política
tecnológica. “Temos a Embrapa, que faz
um excelente trabalho, mas precisamos de mais técnicos
lá”, diz Garcia. Segundo ele, há
setores que não conseguem ‘se financiar’
da mesma forma que o de celulose, por exemplo. “Esses
segmentos precisam de uma política tecnológica
adequada”, afirma. No quadro comparativo com outros
países, por exemplo, os gastos da indústria
da transformação brasileira (que engloba
alimentos, bebidas, papel, celulose, etc.) com pesquisa
e desenvolvimento, em relação ao faturamento,
ficam bem abaixo da Europa e dos Estados Unidos. No
Brasil, são de apenas 0,6%, contra 3,6% das empresas
americanas e 5,1% dos europeus. “Esse é
um dos gargalos, que se soma à questão
da infra-estrutura”, afirma Garcia.
Segundo Garcia, é importante que o país
resolva essas questões, pois será pressionado
a produzir mais - e de forma sustentável nos
próximos anos. “O país é
um dos únicos com boas terras não ocupadas,
diferentemente de Estados Unidos, Canadá e até
mesmo Argentina”, recorda. Os alimentos do Brasil
serão importantes no abastecimento da gigante
China que, segundo o estudo, em 2030 será o segundo
maior mercado importador da agroindústria brasileira
- hoje o país é o sétimo no ranking.
Ficará atrás apenas dos EUA. As importações
chinesas (a preços de 2007) serão de US$
2,15 bilhões. Será uma garantia do crescimento
das exportações brasileiras do setor,
que têm crescido, de 1995 a 2005, a uma média
de 10,2% ao ano.
Outro ponto que justifica o aumento da demanda por
alimentos é o “novo crescimento”
mundial. Desta vez são os países em desenvolvimento
que estão crescendo. “Acontece mobilidade
social e o primeiro setor que cresce é o de alimentos”,
diz Garcia. Mais pessoas vão ter acesso a comida
e a produtos alimentícios mais sofisticados.
Nos países desenvolvidos, quando acontecia o
crescimento, a pressão era sobre bens como imóveis,
eletrodomésticos, carros etc. As perspectivas
para 2030 são de crescimento de renda familiar
de 2,5% (Brasil), 6,2% (China), por exemplo, contra
1,1%, no Japão.
O estudo sobre a agroindústria é o quinto
de uma série desenvolvida pela Ernst e Young
e FGV Projetos. O trabalho analisa os horizontes da
economia brasileira para as próximas duas décadas
considerando setores estratégicos para o desenvolvimento
do país. Até agora a série tratou
dos seguintes assuntos: potencialidades do mercado habitacional,
crescimento econômico e potencial de consumo,
competitividade industrial e energia. (Claudia M. Abreu
- Agência de Notícias Brasil-Árabe
- www.anba.com.br)
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