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Alteração
no transporte pode reduzir gás do efeito estufa
13-06-2012
Por Ana Carolina Miotto, da Assessoria de Comunicação
da Esalq - imprensa.esalq@usp.br
A utilização dos modais ferroviário
e hidroviário no transporte de açúcar
e etanol no Brasil pode levar, em três anos, à
emissão de menos 6,6 milhões de toneladas
de gás carbônico (CO2), um dos Gases do
Efeito Estufa (GEE). A estimativa faz parte de pesquisa
da economista Maria Andrade Pinheiro, da Escola Superior
de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.
Atualmente, a maioria dos trajetos utiliza o modal rodoviário,
segundo maior consumidor de energia e responsável
por 58% das cargas transportadas no país.
A pesquisadora estimou os benefícios da redução
das emissões de gases de efeito estufa a partir
da mudança da matriz de transporte nacional,
implicando assim uma utilização mais eficiente,
tanto em termos energéticos como em termos econômicos,
dos modais de transporte no setor sucroenergético
(produção de açúcar e etanol).
O estudo avaliou o sistema atual de transporte, identificando
os principais corredores rodoviários, ferroviários
e hidroviários utilizados para o transporte dos
produtos dos complexos sucroenergético e identificou
as configurações que reduzam as emissões
de gases de efeito estufa por tonelada transportada.
Segundo a pesquisa, orientada pelo professor José
Vicente Caixeta Filho, do Departamento de Economia,
Administração e Sociologia (LES), tanto
o açúcar como o etanol possuem uma enorme
demanda potencial, que necessitará de uma malha
de transporte mais equilibrada e limpa, pois a não
ampliação das vias de escoamento pode
gerar problemas não só financeiros como
também impactos perversos ao meio ambiente. O
trabalho foi apresentado no Programa de Pós-graduação
em Economia Aplicada da Esalq.
Maria afirma que a expansão da malha ferroviária
e hidroviária para o caso do açúcar
e da dutoviária no caso do etanol, propicia uma
redução das emissões de CO2 a cada
tonelada de carga transportada, bem como a diminuição
do custo de transporte envolvido no seu escoamento.
“Além disso, as obras de infraestrutura
poderão gerar benefícios econômicos
e ambientais para o setor, pois esses poderão
conquistar créditos de carbono e comercializá-los
no mercado de carbono, assim como novos mercados consumidores,
pois o produto terá uma marca sustentável
e, por fim, contribuir para que o Brasil cumpra suas
metas voluntárias de redução das
emissões de gases de efeito estufa”, explica.
Emissões
Os dados do trabalho mostram que, no período
de três anos, será possível reduzir
as emissões no transporte de açúcar
e etanol em 6,6 milhões de toneladas de CO2 e
R$ 3,3 bilhões. “Se considerarmos a redução
das emissões previstas pelo setor sucroenergético
para 2020 que é de 112 milhões de toneladas,
a mitigação anual de 2,2 milhões
de toneladas de CO2 obtida através da transferência
de modalidade para o escoamento de açúcar
e do etanol equivaleriam a quase 2% dessa meta”
afirma a economista.
“Em termos monetários esta seria uma economia
com a logística que teria como ponto direto uma
melhoria na competitividade dos produtos, sem levar
em consideração os benefícios que
um transporte mais sustentável traria para a
sociedade e para a imagem do setor”. Entretanto,
Maria ressalta que não basta, apenas, as obras
ficarem prontas. São necessários incentivos
ao embarcador para o uso de modais alternativos ao rodoviário.
“Além de a infraestrutura estar disponível
para ser utilizada é indispensável que
sejam adotadas medidas que tragam segurança para
que os embarcadores optem por esse tipo de transporte”,
observa. “É preciso ainda que sejam resolvidos
problemas mais estruturais como os de diferença
de bitola, falta de vagões para o embarque e
direito de passagem entre as concessionárias
das linhas férreas”.
Segundo a economista, não se pode desconsiderar
também que o valor do frete a ser praticado tenha
preços relativos competitivos entre os modais,
considerando as características especificas de
cada um deles e tenha consenso com a realidade do mercado
e que os produtores e compradores tenham segurança
de que a carga chegará ao seu destino sem extravios
e nos prazos estipulados. “Sem a melhoria desses
fatores não haverá ampliação
da malha intermodal que fará com que seu uso
torne-se mais intenso”, conclui. (Agência
USP de Notícias)
Mais informações: (19) 3429-4109
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