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Bambu é adotado
como material de construção sustentável
16-05-2012
Por Alicia Nascimento Aguiar, da Assessoria de
Comunicação da Esalq, email alicia.esalq@usp.br
Rústico e de uso permanente sob a ótica
do manejo sustentável, o bambu é pesquisado
na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq)
da USP, em Piracicaba, para ser utilizado como matéria-prima
estrutural, com aplicação social. A ideia
é agregar valor à planta, fabricando produtos
sustentáveis de alta qualidade e de baixo custo,
que possam ser usados ou produzidos por comunidades
carentes e rurais.
De acordo com a doutoranda Claudia de Lima Nogueira,
do Programa de Pós-graduação (PPG)
em Recursos Florestais, o bambu precisa ser processado
para que possa ser empregado da mesma maneira que se
utiliza a madeira em estruturas. “Há necessidade
de colocar a ciência na prática, o que
significa transferir tecnologias desenvolvidas nas universidades
para as comunidades e para o setor produtivo.”
O estudo relata que a falta de informações
sobre o bambu, seu alto teor de sílica e o fato
dele ser oco, induzem a escolha de outros materiais,
mesmo os não amigáveis ao ambiente, para
usos generalizados, porém o bambu é um
material oportuno e adequado. O Laboratório de
Engenharia da Madeira, do Departamento de Ciências
Florestais (LCF) da Esalq, onde foi realizado grande
parte do estudo, possui duas linhas de trabalho com
bambu – a primeira baseada no uso de colmos, e
a segunda, baseada no uso do bambu industrializado na
forma de laminado colado.
O projeto é baseado, fundamentalmente, nas análises
de amostras retiradas da matéria-prima e dos
produtos obtidos em diferentes fases de transformações
físicas ou mecânicas, utilizando ensaios
mecânicos estruturados, microscopia eletrônica
de varredura, microscopia óptica, micro análise
de Raios-X a baixos ângulos e espectroscopia.
A proposta inicial, de fabricar e testar a resistência
de vigas estruturais à base de bambu laminado
colado, estendeu-se para o estudo da microestrutura
da matéria prima e do produto resultante. Dessa
forma, atualmente, a pesquisa busca na microestrutura
explicações para a elevada variabilidade
encontrada nos resultados dos ensaios mecânicos
realizados nas amostras, a fim de identificar variáveis
da matéria prima e do processo de fabricação
que influenciam diretamente na qualidade do painel,
principalmente na adesão entre as lâminas.
Varredura
A utilização do microscópio eletrônico
de varredura possibilitou o entendimento da anatomia
do colmo e, principalmente, ajudou na compreensão
da ancoragem dos adesivos no tecido lenhoso do bambu.
Assim, está se tornando mais claro o fenômeno
da adesão que motiva ensaios exploratórios
e práticos generalizados para culminar no aumento
da resistência e da rigidez de peças laminadas
coladas de grandes dimensões.
“Os resultados estão sendo observados
para explicar a alta variabilidade das propriedades
mecânicas oriundas dos colmos, das ripas, das
lâminas e das vigas com intenção
de diferenciar a variabilidade natural do material,
daquela introduzida pelo processo de industrialização”,
explica a pesquisadora. “O aprimoramento das técnicas
de processamento mecânico do material, com ênfase
na qualidade das superfícies a serem coladas,
tem sido tratado como um tema básico para unir
peças a baixa pressão”, explica
a pesquisadora.
Cláudia destaca, ainda, que a produção
de painéis e vigas de bambu deve ser otimizada
em função do grande risco que existe de
se perder energia demasiada no processo de fabricação.
Ela explica que o desperdício de energia redunda
em uma imensa dificuldade de se usar o bambu laminado
colado em ambientes carentes. “Quando isso acontece,
a solução remendada é o uso do
colmo como peça estrutural. O uso eficaz e seguro
de colmos em estruturas não convencionais será
o assunto do meu programa de pós-doutorado dentro
de parcerias do Laboratório de Engenharia da
Madeira com instituições internacionais”,
conclui a doutoranda.
Além de ser matriculada no Programa de Pós-Graduação
(PPG) em Recursos Florestais, a pesquisadora, que é
orientada pelo professor José Nivaldo Garcia,
do LCF, também está envolvida na co-orientação
de alunos de graduação da Esalq e de outras
escolas em pesquisas de iniciação científica.
No XXIII Congresso da Sociedade Brasileira de Microscopia
e Microanálise, Cláudia foi classificada
em segundo lugar com a micrografia “Micro-visão
do bambu laminado colado”, e terceiro com “Visão
além da viga”. “Hoje, muitos laboratórios
de renome estão seguindo a idéia e a metodologia
por ela adotada”, finaliza o orientador.
Além do Laboratório de Engenharia da
Madeira, o projeto teve como parceiros outros laboratórios
especializados: Laboratório de Histopatologia
e Biologia Estrutural de Plantas do Centro de Energia
Nuclear na Agricultura, Laboratório de Microscopia
Eletrônica de Varredura, do Núcleo de Pesquisa
em Geoquímica e Geofísica da Litosfera
(NUPEGEL) da Esalq, Núcleo de Apoio à
Pesquisa em Microscopia Eletrônica Aplicada à
Agricultura (NAP/MEPA) da Esalq e Laboratório
de Cristalografia do Instituto de Física de São
Carlos (IFSC) da USP. (Agência USP de Notícias)
Mais informações: (19) 9662-6637, email
claudian@esalq.usp.br,
com Cláudia Nogueira
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