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Engenharia evolutiva
cresce rendimento na produção de etanol
15-06-2012
Por Mariana Melo - mariana.melo@usp.br
Modificações genéticas e experimentos
de evolução garantiram um aumento de 11%
no rendimento da fermentação de leveduras
utilizadas no processo de fabricação de
etanol proveniente da cana-de-açúcar.
A constatação é feita numa pesquisa
da USP, realizada em parceria com a Universidade Federal
da Santa Catarina (UFSC) e com a Delft University of
Technology (TU Delft) da Holanda. De acordo com o autor
do estudo, o farmacêutico Thiago Basso, um aumento
de apenas 3% no rendimento da fermentação
representaria um aumento de 1 bilhão de litros
de etanol por ano. O artigo referente a este trabalho
recebeu o primeiro lugar no prêmio TOP Etanol
do Projeto Agora, celebrado no último dia 30
de maio.
A tese Melhoramento da Fermentação Alcóolica
em Saccharomyces cerevisiae por Engenharia Evolutiva
foi desenvolvida por Basso para o Programa Interunidades
de Pós-Graduação em Biotecnologia
da USP, do Instituto Butantan e Instituto de Pesquisa
Tecnológicas (IPT). Os professores da Escola
Politécnica (Poli) Andreas Gombert e Aldo Tonso,
foram os orientadores e co-orientadores da pesquisa,
respectivamente. O estudo teve início com um
projeto criado pelo Prof. Boris Stambuk, e fez parte
de um projeto financiado pela FAPESP, dentro do programa
de Pesquisa em Bioenergia BIOEN, coordenado pelo Prof.
Andreas Gombert.
Processo
No Centro de Ciências Biológicas da UFSC,
no laboratório do professor Stambuk, foi realizada
a modificação genética da levedura;
no laboratório do professor Gombert, a levedura
modificada foi avaliada sob condições
específicas e, no laboratório do professor
Jack Pronk, na Holanda, foram investigadas as bases
genéticas da nova levedura e realizados os experimentos
de evolução.
A modificação genética foi produzida
por meio da tecnologia de DNA recombinante, que alterou
o gene produtor da enzima invertase, responsável
pela clivagem da sacarose, que passou a ocorrer em meio
intracelular. Na levedura original, a sacarose é
clivada no meio extracelular e resulta em duas moléculas
(glicose e frutose), que são absorvidas pela
levedura e transformadas em etanol. No experimento,
a célula absorveu a sacarose diretamente.
No entanto, o transporte de sacarose mostrou-se insuficiente
e o rendimento ficou abaixo do esperado. Para contornar
a situação, as leveduras modificadas foram
cultivadas em um reator chamado quimiostato, num processo
contínuo no qual a sacarose era um fator limitante.
Com isso, o clone que sofresse uma mutação
que garantisse maior rendimento energético seria
selecionado naturalmente em relação aos
demais, fornecendo uma geração de leveduras
que clivassem sacarose internamente e apresentassem
um rendimento energético considerado compatível
com previsões teóricas. Esse resultado
foi alcançado após 60 gerações
desses organismos.
Depois da segunda etapa do experimento, as novas leveduras
foram analisadas e verificou-se aumento de expressão
de vários genes, incluindo a duplicação
do gene AGT1, responsável por transportar sacarose
para o interior das células. Os estudos continuam,
agora, na tentativa de identificar as mutações
ocorridas na etapa evolutiva, num processo chamado de
“engenharia metabólica inversa”.
Impacto
A modificação genética em leveduras
industriais já foi obtida recentemente através
de um projeto de P&D com a Usina Cerradinho Açúcar
e Álcool, com apoio da Financiadora de Estudos
e Projetos (FINEP). Estas leveduras modificadas estão
sendo testadas no ambiente industrial.
Ainda que durante seu doutorado a estratégia
não tenha sido testada em ambiente industrial,
Basso afirma que sua pesquisa mostra o potencial econômico
da engenharia genética e da evolução
em laboratório quando associada à produção
sucroalcooleira. (Agência USP de Notícias)
Mais informações: e-mail to.basso@gmail.com
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